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quinta-feira, julho 10, 2014

7. M.



Azáfama à beira-mar. Negócio de família, passado de geração em geração. Que importa se a receita do bolo de morangos não é exatamente a mesma da bisavó? Que importa se as mãos são outras? Lembram... pois, não admira. Ah e aquele sinalzinho a parecer um salpico de canela sobre a pele macia da menina? Percalços de pasteleiro. O formato moderno do balde, em plástico, tão frágil, estraga-se num instante, parte-se, pensarão os adeptos de materiais mais resistentes. Não tem importância, até é divertida a leveza do modelo comparado com os de tempos idos. Talvez este seja Made in China. Ou terá a marca de alguma pequena fábrica portuguesa do centro do país gravada no fundo? Não faço ideia. Para satisfazer curiosidades precisava de o virar ao contrário. Impensável, não quero provocar desilusões. Tanto cuidado a alisar a superfície do bolo, quase pronto para ser metido no forno ao ar livre, amplo e comunitário, a temperatura desejada ideal... Entornava-se a massa, tenho a certeza, e lá ia por água abaixo – com a agravante de ser salgada - a festa de anos imaginada, mais as velas e os enfeites, arrumadinhos ali ao lado, à espera do momento cantado.
Repetem-se os gestos, ainda que a areia escorregue entre os dedos, e permanece o sabor de infâncias comuns numa confeitaria à beira-mar. 
M

5 Comments:

Blogger Luisa said...

Que bolos deliciosos resultarão desta azáfama toda! E depois não o irão entregar à princesa do castelo que,por esta altura já terá sido edificado ao abrigo da maré?

10/7/14  
Blogger Rocha de Sousa said...

Azáfama? Azáfama de brincar, início das trocas e dos ganhadores.

10/7/14  
Blogger agrades said...

Doce e terna azáfama que produz bons frutos. Gente menos azeda, certamente.

10/7/14  
Blogger Justine said...

Que bom é brincar ao "faz-de-conta"! Que belo é reinventar a realidade, acompanhando os voos das crianças!
Que encantador, o teu texto!

11/7/14  
Blogger bettips said...

E porque não escreveres contos para crianças? Apontares essas tuas reflexões tão divertidas!

Ainda hoje faço castelos na areia e amo os pés das crianças. Lindos, tenros.

12/7/14  

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