quarta-feira, novembro 30, 2016
quinta-feira, novembro 24, 2016
AGENDA PARA DEZEMBRO DE 2016
Proposta
de Teresa Silva
Dia
1 - Ao
jeito de cartilha: Proponho-vos
que usemos a sílaba “Pa”
para formar as nossas palavras.
A palavra que cada um apresentar tem que conter a sílaba pedida e
exprimir a imagem que lhe foi associada com sintonia clara entre
ambas. Se houver preferência por um conceito, a regra a aplicar é a
mesma, ou seja, ele tem que ser expresso por uma palavra que tenha a
sílaba pedida. O texto que alguns de nós acrescentarmos é apenas
facultativo e um complemento.
Dia
8 - Reticências
com
frase “Pouco
passava do meio dia”
a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.
Dia
15
- Com
as palavras dentro do olhar sobre
fotografia de Teresa Silva.
Dia
22 - Jornal
de Parede
Dia 29 – Fotografando as palavras de outros sobre o texto
Dia 29 – Fotografando as palavras de outros sobre o texto
"As
digressões por Lisboa possibilitaram-me fazer um inventário
sistemático dos museus que ia vendo e, quando já os tinha visitado
a todos, comecei a tentar ver outras coisas, algumas menos acessíveis
e menos óbvias. Havia uma curiosidade que fomentava tentar ver o que
nunca tinha visto antes. E comportar-me como se fosse um estrangeiro
na minha terra. Ou seja, visitar aqueles lugares que nós nunca
visitamos porque estamos cá, visitá-los como se estivesse em Paris
ou em Roma, com aquela ideia de as coisas não nos poderem escapar
por podermos não voltar lá."
In:
Anísio Franco, Caminhar por Lisboa,
Porto Editora, Maio de 2016.
O DESAFIO DE HOJE
Proposta
de Mena M.
Dia
24
– Fotografando
as palavras de outros sobre
o texto
CAMINHO
DA MANHÃ
Vais
pela estrada que é de terra amarela e quase sem nenhuma sombra. As
cigarras cantarão o silêncio de bronze. À tua direita irá
primeiro um muro caiado que desenha a curva da estrada. Depois
encontrarás as figueiras transparentes e enroladas; mas os seus
ramos não dão nenhuma sombra. E assim irás sempre em frente com a
pesada mão do Sol pousada nos teus ombros, mas conduzida por uma luz
levíssima e fresca. Até chegares às muralhas antigas da cidade que
estão em ruínas. Passa debaixo da porta e vai pelas pequenas ruas
estreitas, direitas e brancas, até encontrares em frente do mar uma
grande praça quadrada e clara que tem no centro uma estátua. Segue
entre as casas e o mar até ao mercado que fica depois de uma alta
parede amarela. Aí deves parar e olhar um instante para o largo pois
ali o visível se vê até ao fim. E olha bem o branco, o puro
branco, o branco da cal onde a luz cai a direito. Também ali entre a
cidade e a água não encontrarás nenhuma sombra; abriga-te por isso
no sopro corrido e fresco do mar. Entra no mercado e vira à tua
direita e ao terceiro homem que encontrares em frente da terceira
banca de pedra compra peixes. Os peixes são azuis e brilhantes e
escuros com malhas pretas. E o homem há-de pedir-te que vejas como
as suas guelras são encarnadas e que vejas bem como o seu azul é
profundo e como eles cheiram realmente, realmente a mar. Depois verás
peixes pretos e vermelhos e cor-de-rosa e cor de prata. E verás os
polvos cor de pedra e as conchas, os búzios e as espadas do mar. E a
luz se tornará líquida e o próprio ar salgado e um caranguejo irá
correndo sobre uma mesa de pedra. À tua direita então verás uma
escada: sobe depressa mas sem tocar no velho cego que desce devagar.
E ao cimo da escada está uma mulher de meia idade com rugas finas e
leves na cara. E tem ao pescoço uma medalha de ouro com o retrato do
filho que morreu. Pede-lhe que te dê um ramo de louro, um ramo de
orégãos, um ramo de salsa e um ramo de hortelã. Mais adiante
compra figos pretos: mas os figos não são pretos mas azuis e dentro
são cor-de-rosa e de todos eles corre uma lágrima de mel. Depois
vai de vendedor em vendedor e enche os teus cestos de frutos,
hortaliças, ervas, orvalhos e limões. Depois desce a escada, sai do
mercado e caminha para o centro da cidade. Agora aí verás que ao
longo das paredes nasceu uma serpente de sombra azul, estreita e
comprida. Caminha rente às casas. Num dos teus ombros pousará a mão
da sombra, no outro a mão do Sol. Caminha até encontrares uma
igreja alta e quadrada.
Lá dentro ficarás ajoelhada na penumbra olhando o branco das paredes e o brilho azul dos azulejos. Aí escutarás o silêncio. Aí se levantará como um canto o teu amor pelas coisas visíveis que é a tua oração em frente do grande Deus invisível.
Lá dentro ficarás ajoelhada na penumbra olhando o branco das paredes e o brilho azul dos azulejos. Aí escutarás o silêncio. Aí se levantará como um canto o teu amor pelas coisas visíveis que é a tua oração em frente do grande Deus invisível.
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN, in LIVRO SEXTO (Moraes Ed, 1962) e OBRA POÉTICA (Caminho, 2010; Assírio & Alvim, 2015)
quinta-feira, novembro 17, 2016
AGENDA PARA NOVEMBRO DE 2016
Proposta
de Mena M.
Dia
24
– Fotografando
as palavras de outros sobre
o texto
CAMINHO
DA MANHÃ
Vais
pela estrada que é de terra amarela e quase sem nenhuma sombra. As
cigarras cantarão o silêncio de bronze. À tua direita irá
primeiro um muro caiado que desenha a curva da estrada. Depois
encontrarás as figueiras transparentes e enroladas; mas os seus
ramos não dão nenhuma sombra. E assim irás sempre em frente com a
pesada mão do Sol pousada nos teus ombros, mas conduzida por uma luz
levíssima e fresca. Até chegares às muralhas antigas da cidade que
estão em ruínas. Passa debaixo da porta e vai pelas pequenas ruas
estreitas, direitas e brancas, até encontrares em frente do mar uma
grande praça quadrada e clara que tem no centro uma estátua. Segue
entre as casas e o mar até ao mercado que fica depois de uma alta
parede amarela. Aí deves parar e olhar um instante para o largo pois
ali o visível se vê até ao fim. E olha bem o branco, o puro
branco, o branco da cal onde a luz cai a direito. Também ali entre a
cidade e a água não encontrarás nenhuma sombra; abriga-te por isso
no sopro corrido e fresco do mar. Entra no mercado e vira à tua
direita e ao terceiro homem que encontrares em frente da terceira
banca de pedra compra peixes. Os peixes são azuis e brilhantes e
escuros com malhas pretas. E o homem há-de pedir-te que vejas como
as suas guelras são encarnadas e que vejas bem como o seu azul é
profundo e como eles cheiram realmente, realmente a mar. Depois verás
peixes pretos e vermelhos e cor-de-rosa e cor de prata. E verás os
polvos cor de pedra e as conchas, os búzios e as espadas do mar. E a
luz se tornará líquida e o próprio ar salgado e um caranguejo irá
correndo sobre uma mesa de pedra. À tua direita então verás uma
escada: sobe depressa mas sem tocar no velho cego que desce devagar.
E ao cimo da escada está uma mulher de meia idade com rugas finas e
leves na cara. E tem ao pescoço uma medalha de ouro com o retrato do
filho que morreu. Pede-lhe que te dê um ramo de louro, um ramo de
orégãos, um ramo de salsa e um ramo de hortelã. Mais adiante
compra figos pretos: mas os figos não são pretos mas azuis e dentro
são cor-de-rosa e de todos eles corre uma lágrima de mel. Depois
vai de vendedor em vendedor e enche os teus cestos de frutos,
hortaliças, ervas, orvalhos e limões. Depois desce a escada, sai do
mercado e caminha para o centro da cidade. Agora aí verás que ao
longo das paredes nasceu uma serpente de sombra azul, estreita e
comprida. Caminha rente às casas. Num dos teus ombros pousará a mão
da sombra, no outro a mão do Sol. Caminha até encontrares uma
igreja alta e quadrada.
Lá dentro ficarás ajoelhada na penumbra olhando o branco das paredes e o brilho azul dos azulejos. Aí escutarás o silêncio. Aí se levantará como um canto o teu amor pelas coisas visíveis que é a tua oração em frente do grande Deus invisível.
Lá dentro ficarás ajoelhada na penumbra olhando o branco das paredes e o brilho azul dos azulejos. Aí escutarás o silêncio. Aí se levantará como um canto o teu amor pelas coisas visíveis que é a tua oração em frente do grande Deus invisível.
SOPHIA
DE MELLO BREYNER ANDRESEN, in LIVRO SEXTO (Moraes Ed, 1962) e OBRA
POÉTICA (Caminho, 2010; Assírio & Alvim, 2015)
11. Teresa Silva
Gosto dos tons de azul do mar e da cúpula em conjunto com uma espécie de rendilhado branco. Mas não consigo perceber o que é: um barco, um bar, um farol? Algo sobre o mar, muito bonito.
Teresa Silva
10. Mena M.
O
primeiro olhar foi de espanto quando, ao entrar no Pontão de Zingst,
me deparei com o que de longe me pareceu um passador gigante.
A
meio caminho, percebi que era um café ou bar e logo me apeteceu ir
beber um cafezinho a ver o mar. Mas nada disso, ao chegar dei com o
nariz numa porta estanque e lá dentro nem vivalma. Confesso que
fiquei um pouco confusa, Foi aí que um dos muitos pescadores que por
ali tentavam a sorte me explicou que "aquilo" tinha estado
fechado para reparação e só estaria a funcionar no dia seguinte.
"Aquilo"
é uma cabine submarina, que desce a quatro metros de profundidade,
num mergulho que demora 30 minutos.
Quando
passados dois dias lá voltei, tinha acabado de mergulhar, pelo que
não vos posso dizer se vale a pena.
Mena
9. M.
… E ela esperava-o na torre bordada com fios de prata, resguardada atrás das estreitas janelas. Prometera-lhe o seu amado que viria libertá-la do feitiço azul lançado pela deusa Canon mal as águas serenassem e lhe permitissem fazer-se ao mar no veleiro de velas brancas. Navegariam depois juntos em busca das cores de outros mundos.
M
8. Luisa
Não sei muito sobre estilos mas parece-me ver aqui Arte Nova. O que me espanta mais é ser num farol. Ou estarei completamente errada?
Luisa
7. Licínia
Será
um observatório para que os homens possam saber de barcos, de
ventos, de baleias, de aparições que mar e céu ora ocultam ora
exibem? Ao certo será uma casa de muitos olhos, muita luz, a rodar,
a rodar, com o seu sino a chamar para a festa da Natureza. Será
outra coisa, bem diversa, mas o que me importa é que me fez perder
por momentos num lugar imaginário.
Licínia
6. Justine
Enigmática,
a fotografia de M.M. Uma torre de vigia junto à costa? Seria um
luxo! Um cenário de um filme de época? Fez-me lembrar Morte
em Veneza,
paixões perturbadoras e proibidas dos primeiros anos do século
passado. Uma lanterna de casa requintada à beira-mar? não me
importava que fosse minha…
O que quer que seja, é um objecto lindíssimo e a fotografia – luz suave, cores harmoniosas, equilíbrio - espelha essa beleza!
O que quer que seja, é um objecto lindíssimo e a fotografia – luz suave, cores harmoniosas, equilíbrio - espelha essa beleza!
Justine
5. Jawaa
Ouro sobre azul de mar e céu, cúpula arrancada de uma catedral eslava,
gaiola feérica pousada para regalo das aves que vagueiam pelos
oceanos...
Jawaa
Jawaa
quarta-feira, novembro 16, 2016
3. Bettips
Há
um silêncio comovido, uma luz de leite e ouro que embala a paisagem
e brilha no céu.
E uma construção levíssima que me faz lembrar as clarabóias do Porto.
Ou me leva longe, ao Oriente dos minaretes, envolta em tecidos azuis e colares preciosos.
Ou me faz imaginar um farol de fadas sonhadoras, perscrutando o horizonte da infância.
Ou me transporta o espírito para lugares delicados e elegantes, onde é obrigatório que o pano de mar se estenda, em fundo.
Porque esta fotografia serve para se soltar da minha mão e dos meus olhos, como um papagaio de papel colorido, na brisa dos dias.
E uma construção levíssima que me faz lembrar as clarabóias do Porto.
Ou me leva longe, ao Oriente dos minaretes, envolta em tecidos azuis e colares preciosos.
Ou me faz imaginar um farol de fadas sonhadoras, perscrutando o horizonte da infância.
Ou me transporta o espírito para lugares delicados e elegantes, onde é obrigatório que o pano de mar se estenda, em fundo.
Porque esta fotografia serve para se soltar da minha mão e dos meus olhos, como um papagaio de papel colorido, na brisa dos dias.
Bettips
2. Benó
Ao
olhar o objeto fotografado sobre o qual tinha de dar o meu sentir,
encontrei alguma dificuldade .
Lembrei-me
dos bailes da pinha ou pinhata que se realizavam no salão do Clube
Recreativo. Eu era adolescente, mas recordo a pinha enorme suspensa
do teto com muitas fitas coloridas, penduradas tendo na ponta uma
argola. Os pares compravam o direito de tentar enfiar um lápis na
pequena argola e puxar a fita enquanto a música tocava e todos
rodopiavam ao som do acordéon. Havia um prémio para quem puxasse a
fita exata que iria abrir a pinha.
No
entanto, a "pinha" aqui mostrada tem um mar ao fundo o que
me leva a supor que se trata de qualquer objeto naval e a minha
dúvida cresce. O que será que a Mena nos mostra? Aguardemos por
quinta-feira.
Benó
1. Agrades
Está
pronta para partir a nave espacial Miragem para o planeta Paz.
É
entrar, senhores e senhoras meninos e meninas. Acomodem-se no vosso
lugar preferido; em breve deixamos esta terra onde os seres são
cruéis e partimos rumo à Paz, onde reina a Harmonia.
Agrades
quinta-feira, novembro 10, 2016
O DESAFIO DE HOJE
Proposta
de Mena M.
Dia
10 - Reticências
com
a frase “ Ao
cair da noite”
a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.
2. Benó
Ao cair da noite, é a hora de recolher. As aves voltam ao ninho, os insetos aos buracos, os repteis às tocas. Todos procuram o sossego do lar. Mas, os gatos, esses felinos meigos de garras escondidas que tanto gostam duma almofada como dum telhado escolhem essa hora parda, de ao cair da noite, para irem à procura duma aventura/romance ou, talvez, simplesmente à caça de algum incauto roedor de orelhas pequenas e cauda longa.
Benó
quinta-feira, novembro 03, 2016
AGENDA PARA NOVEMBRO DE 2016
Proposta
de Mena M.
Dia
10 - Reticências
com
a frase “ Ao
cair da noite”
a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.
O DESAFIO DE HOJE
Proposta
de Mena M.
Dia
3 - Ao
jeito de cartilha: Proponho-vos
que usemos a sílaba “Go”
para formar as nossas palavras.
A palavra que cada um apresentar tem que conter a sílaba pedida e
exprimir a imagem que lhe foi associada com sintonia clara entre
ambas. Se houver preferência por um conceito, a regra a aplicar é a
mesma, ou seja, ele tem que ser expresso por uma palavra que tenha a
sílaba pedida. O texto que alguns de nós acrescentarmos é apenas
facultativo e um complemento.






















