Nunca
fizemos grandes preparativos para festejar o dia de São Martinho em 11 de
novembro. Limitávamo-nos a comer castanhas cozidas ou assadas à sobremesa
acompanhadas com jeropiga. Agora compro castanhas assadas na rua e como-as pelo
caminho. Acho graça aos pacotinhos de papel de jornal. Nem conhecia a vida do
santo para além da lenda do corte da sua capa de militar para oferecer a um
mendigo a tiritar de frio que lhe pediu esmola. Acho pertinente acrescentar a
este propósito o que encontrei nas minhas procuras de informação na Net: «De acordo
com a lei e os costumes militares da época, o fardamento dos soldados era pago
em parte pelo próprio militar e em parte pelo Estado (representado pelo
imperador). Assim, metade da capa
pertencia a Martinho e a outra metade pertencia ao Imperador Constantino.
Martinho deu generosamente aquilo que era seu por direito, sem confiscar ou
lesar os bens do império.» Assim se espalhou a notícia da sua acção por diversos
países e se transformou numa festa para celebrar com alegria, e em cada
sociedade a seu modo, um acto de bondade.
É
interessante esta coisa do Tempo do Mundo, da Humanidade, dos seus costumes, celebrações
e lendas. Passei em Tours já lá vão mais de 50 anos e não sabia que São
Martinho estava ligado a esta cidade. Romano nascido em 316, era filho de um
Tribuno e comandante do exército que o inscreveu, contra sua vontade, na
cavalaria do exército imperial. Mas afinal “saiu o tiro pela culatra” ao pai: o
filho tinha outras ambições que não aquelas e seguiu o seu próprio caminho. Tornou-se
monge empenhado na divulgação do cristianismo. Era então um
período de grandes transformações, crises e transições religiosas para Roma e
para todo o Império Romano. Sendo Constantino I o imperador, a sua conversão ao
cristianismo marcou a história política, religiosa e cultural do seu governo no
Ocidente e Oriente cristão.
Interessante
como a acção de alguém nascido num século tão distante se espalhou por diversos
países e se transformou numa festa para celebrar a generosidade de um homem.
Vivida de modo diferente em cada sociedade, de acordo com os seus costumes.
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