Proposta de Bettips
Todos nós vivemos situações ou sítios comuns. Por isso escolho fotos e eventualmente comentários às seguintes palavras com reticências.
Dia 4 – Quando…
Dia 11 – Depois…
Dia 18 – Ainda…
Dia 25 – Antes…
Um lugar de reflexão e de convívio
Proposta de Bettips
Todos nós vivemos situações ou sítios comuns. Por isso escolho fotos e eventualmente comentários às seguintes palavras com reticências.
Dia 4 – Quando…
Dia 11 – Depois…
Dia 18 – Ainda…
Dia 25 – Antes…
Depois...deixo secar e guardo os bolbos até à primavera seguinte. Às vezes, com o vento, as sementes passam para outros vasos e criam novos bolbos. É assim a vida das minhas fresias.
Teresa Silva
Depois de uma noite de geada, ou será neve como se diz por estas paragens, neve para “mouros”, a vista da varanda do meu quarto que dava para um jardim, que alegria, que surpreendente, não resisti a fotografar o fenómeno raro, fez-me recuar alguns anos onde a geada era a sério, persistente, gelada, escorregadia, perigosa e com pouca graça, não se confundia geada com neve, não, uma geada é uma geada, uma geada profissional, não era como esta geada amadora, um granizado mourisco efémero. Antes assim. Do que gostaria de tornar a viver era a varanda do meu quarto, só da varanda, a sensação de ir à varanda nas alturas, acima das minudências do presente.
Mónica
Depois do inverno, é sempre com grande expectativa que aguardo a chegada das rosas do meu jardim.
L'important c'est la rose!
Mena
Depois...
… depois dos 96, o que nos resta? Pouco. A não ser ler, ler e ler. Devorar livros, basicamente. Ler o jornal, isso é sagrado, diariamente. Abominar este neofascismo latente, visível por todo o lado. E aconselhar livros ou autores a outros, do género: “… não gostei deste, aquele é muito bom, faz-me rir, este autor escreve muito bem, é aquele judeu homossexual, sabes, com ele vieram-me as lágrimas aos olhos…”, entre muitas outras expressões engraçadas. A audição é fraca, a visão embaciada, a mobilidade dorida, os derrames surgem do nada, o apetite mantém-se voraz e a pele queimada de todo o sol da vida. Só os intestinos já não são o que eram e a perna incha. O sono, esse, é sempre bom, o que não impede que não adormeça em cima das palavras cruzadas. Valha-nos ler, portanto, no fresquinho desta sombra, a que habita os seus dias ainda vivos, das 6 da manhã às 9 da noite.
MargaridaDepois…
Cá está mais uma palavra a empurrar reticências. Por acaso até vem a propósito, serve para continuar a mini história da semana passada sobre os candeeiros de petróleo.
Depois do fim das férias na aldeia, a família regressava a Lisboa, eu às aulas no velho liceu perto de casa. Encerrado alguns anos após eu já ter saído de lá, foi-se degradando a olhos vistos, à espera de uma outra função. Comprado e restaurado pelo coleccionador de arte Armando Martins para albergar a sua colecção de arte, é agora o belo museu MACAM. Quando o visitei pela primeira vez, tive uma sensação estranha e ao mesmo tempo familiar. Durante cinco anos, tinha descido e subido vezes sem conta aquela escada à esquerda na fotografia que dá acesso ao espaço ajardinado. Do que me recordo, nesse outro meu tempo este espaço era apenas um pátio de chão acinzentado sem graça, com o mesmo lago de agora mas sem nenhuma obra de arte pousada nele. Era para lá que corríamos nos intervalos das aulas para jogar ao ringue, à rolha, saltar à corda e rir muito. O antes e o depois juntos na minha vida.
M
Depois... de arrumar a cozinha de férias, ainda saí para o terreno junto à casa e encontrei o caracol no muro, deslizando vivo mas lento. O certo é que no dia seguinte teria chegado a qualquer outro lado.
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