A
viagem de avião mais longe que fiz
foi à India, com muita turbulência sobre o Golfe Pérsico, aterradora, vi o
filme “Robin Hood: heróis em collants” de Mel Brooks para me rir e distrair do
medo, e a viagem mais curta foi a que não fiz, um avião que perdi porque
cheguei na hora em que o embarque das malas fechou, dizem que foi um ato
falhado, que não queria voltar para Angola. Foi um dia horrível, fiz tudo o que
estava ao meu alcance para apanhar o avião durante as horas que o avião ainda
esteve parado até ao embarque, ali, do outro lado do vidro, odiei todo o
pessoal do aeroporto, a seguir foi a correria com as malas à agência de viagens
da companhia aérea fora do aeroporto na tentativa de arranjar lugar noutro
horário no mesmo dia, nada, tive que sujeitar-me a comprar um novo bilhete para
a data mais próxima possível porque tinha pessoas à minha espera para me
levarem dali ao destino final, entre chamadas telefónicas com o meu chefe que
me dizia “desenrasca-te se não chegares a tempo escusas de vir”, o preço
exorbitante que paguei do meu bolso por novo bilhete, voltar para casa, tentar
viver mais uns dias sem desmanchar as malas e fingir que bom que era estar mais
uns dias em Lisboa. Enfim, foi horrível perder o avião. Inesquecível não-viagem
de avião.
Mónica