A propósito da minha fotografia na praia de há umas semanas no PPP, o vestido e os sapatos eram emprestados, quando era adolescente e mais à frente uns anos, emprestávamos roupa umas às outras, a última vez que o fiz, já muito adulta, foi o enxoval que me emprestaram para fazer estilo em Angola, que saiu furado, nada do que me prometeram que seria a vida em Angola aconteceu, as toiletes voltaram à origem intactas exceto um vestido que ainda deu umas voltas comigo. Em geral os empréstimos correram bem mas por duas vezes não, de uma vez emprestei um casaco à troca de uma saia que acabei por rasgá-la e por isso não houve retroca, engoli em seco, adeus casaco. Da segunda vez emprestei uma camisa e umas calças de peito, passados uns anos devolveu-me as calças e depois de muitos anos e insistência devolveu a camisa. Arrependi-me de ter sido picuinhas, a camisa já não me servia e eu já não sou aquela da camisa das riscas. Foi como se tivesse emprestado alguns anos e hipotéticos momentos maravilhosos da minha vida e julgasse que ao reaver a camisa os iria recuperar. Não.
Mónica
5 comentários:
Texto maravilhoso, Mónica!
Um texto muito lúcido sobre as fantasias que todos nós fazemos. O fim da frase diz tudo.
É sempre difícil decidir o que emprestar e a quem. Às vezes não temos a devolução.
Teresa
Em questão de empréstimos, só livros andaram para cá e para lá. Sempre devolvi os que me emprestaram mas o contrário nem sempre aconteceu, o que me irritou muito
Adolescentes emprestam coisas umas às outras, mais tarde os livros. E depois perde-se o rasto, os anos não se recuperam. O teu texto é muito giro e expressivo, Mónica!
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