quarta-feira, maio 06, 2026

3. M

 

 

Nunca dancei o Vira nem o vi dançado ao vivo, apenas em documentários. Mais conhecido como característico do Minho, é também chamado e coreografado de formas diferentes noutras províncias de Portugal. Ó vira, que vira, e torna a virar... Virou! Fiz o mesmo: virei-me para o meu ficheiro de fotografias à procura de Viana do Castelo no verão de 2015. Tinha chovido, a praça estava vazia, apenas as fitas penduradas davam cor festiva à manhã enevoada. Não sei se tinha havido ali algum espectáculo. Imaginei-o. Virou! E eu virei de novo: agora para Aveiro, a bela cidade que revisitei há poucas semanas. Nos estreitos canais deslizavam os moliceiros cheios de gente, passando debaixo das pontes metálicas onde fitas marcam presenças debruçadas sobre as águas. Virou! O cruzamento de barcos, os sons graves do apito tocado pelos barqueiros a sinalizar manobras de navegação em segurança mais as fitas levaram-me de novo à praça minhota e aos pares dançarinos dos ranchos folclóricos na coreografia do Vira. O pensamento é irrequieto.

M

3 comentários:

Margarida disse...

Espectacular, os "viras" que deste ao texto/fotos! Gostei muito

bettips disse...

Imagino a novidade de tantas cores para onde te "viraste". E deste a volta ao texto com suprema elegância e pontos de encontro diversos com o desafio.

Mónica disse...

muito bom! cinematográfico o teu texto. nunca dançaste o vira na escola? eu lá nas africas dançava em certas ocasiões, numa espécie de caricatura folclórica-nacionalista, de lenço vermelho ao pescoço, camisa branca e saia preta transportavam-nos para a pátria, mãozinhas no ar a estalar os dedos e a rodapiar. credo que memórias bacocas!