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quinta-feira, setembro 18, 2014

8. Mac

Após alguns anos de os meus avós terem falecido, regressei à sua casa, a fim de averiguar um possível valor para a vender.
A casa era mais pequenina daquilo que me lembrava, e estava um pouco velha, a precisar de obras de recuperação... isto não abonava a uma venda com lucro.
Quando cheguei às traseiras vi que a velha oliveira ainda lá estava, e de repente veio tudo à memória... os anos despreocupados da minha infância, quando, após cansados de tanta brincadeira, eu e os meus primos nos sentávamos desordenadamente num banco corrido que aqui havia, à sombra desta árvore, a rir que nem perdidos.
Ou quando, ao fim de semana, os adultos iam buscar uma mesinha, e debaixo da oliveira, passavam a tarde a jogar à sueca ou à malha, com a cerveja, a batota e a risota a serem servidas em quantidades proporcionais.
E nos meses quentes de Verão, naqueles dias abafados, em que quase custa a respirar, a sombra desta árvore era o que nos valia... aquela sombrinha sabia tão bem...
Não há nada que pague estes momentos, pensei eu. Os banqueiros que se lixem! Fico com a casa!

Mac