Penso que na velhice, apesar das debilidades do corpo a requerer manutenção mais frequente, a maturidade que foi crescendo connosco pode atingir o seu máximo se tivermos abertura para questionar certezas antigas, reflectir sobre o mundo que vai mudando vertiginosamente e aprender tudo o que de interessante nele for surgindo. A dificuldade é que, ao mesmo tempo, não encontramos o nosso lugar completamente ajustado à dinâmica da época de que ainda fazemos parte. A nossa inclusão na sociedade nem sempre é satisfatória. As vivências e ambientes familiares que transportamos desde que nascemos, as idades, linguagens e desfasamentos das etapas em que cada pessoa se encontra são tão diversas e amiúde tão centradas em si mesmas que se fica numa espécie de orfandade. Orfandade essa, aliás, passível de ser sentida em qualquer fase da vida, mas como o tema de hoje é sobre a velhice e já lá estou… Julgo que a falta de curiosidade e desinteresse pelas experiências e pelo pensamento das pessoas, quer pertençam à mesma geração quer intergeracional, serão duas das diversas razões para os desajustes. Na Natureza acontece tudo de maneira mais simples porque existe uma alternância natural.
M

3 comentários:
Subscrevo. A orfandade, que bem defines, até pode ser uma alienação consciente, mas como se é velho, pronto é velho está fora. Gostei
Essa escultura transparente, nós sem memória. É o que me surge da tuas deambulações sobre o tema. O espaço sem nada dentro, só a ante visão do que está fora.
Compreendo essa angústia
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