
Quando é palavra de que a memória se serve para falar de si. Na minha cabe este pequeno presépio em cartolina fina que pertenceu à minha Tia Chanel. Na parte de trás reconheço a sua letra de adulta: Natal de 1944. Não faço ideia se o recebeu de presente, mas é-me fácil imaginar que se terá encantado com a graciosidade das figuras e o comprou. Não me admiro, gostava de coisas simples. Lembro-me de o ver pousado na velha cómoda do seu quarto durante as festas natalícias e da ternura que eu sentia dentro de mim ao olhá-lo. Trouxe-o comigo depois da sua morte aos 94 anos. Entre os poucos objectos guardados nas gavetas da cómoda estava o pequeno presépio das nossas vidas.
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