quarta-feira, setembro 02, 2026

4. M


 

 

Neste último ano, passei várias vezes a pé na Rua de Dona Estefânia, no troço entre o Arco do Cego e o Largo de Dona Estefânia, uma rua de trânsito intenso. A arquitectura dos edifícios é uma miscelânea de estilos e épocas, as montras das lojas parecendo estagnadas na determinação dos donos de outros tempos. Nos passeios largos, copas frondosas de árvores enormes espreitam janelas. Mas a minha especial atenção recaiu sempre sobre uma casa de dois andares baixos, entalada entre dois prédios com vários pisos. Paredes em mau estado, janelas amordaçadas, cortinas rasgadas morrendo nos vidros, a porta, calada. Impressionava-me aquele abandono triste e perguntava-me quem ali teria vivido, desde quando. Em junho passado fiquei surpreendida: a casa tinha sido demolida, podendo-se avistar, para lá do gradeamento de protecção colocado no passeio, das máquinas e do entulho, algum arvoredo e uns telhados baixos, entre a rua de Dona Estefânia e os edifícios ao longe no plano mais acima. Teriam sido o último reduto de famílias resistentes a novos projectos urbanísticos no bairro? Não sei, apenas encontrei uma referência na Internet sobre ter sido apresentado, em abril de 1892, um requerimento à Câmara Municipal de Lisboa para o loteamento e abertura de ruas na antiga propriedade dos condes de Linhares. Pelos vistos, vão ser construídas novas vidas naquele espaço, porque as dos condes de Linhares e as da casa demolida já “foram à vida”.

M

3. Luisa


Uma rua em Alvalade.

Luisa

2. Bettips


 

As ruas têm parecenças com as pessoas, penso: o que se vê e o que se ignora ou esconde. E as janelas são os olhos das casas nas ruas de cada um, de abertura ou escuridão. Pensei isto enquanto me lembrava da primeira vez que fui a Lisboa, data relacionada com um período de vida: Outubro de 1968.

Esta é (era?) uma viela típica da cidade. Fica atrás da outra rua fotografada a seguir, no Campo das Cebolas, antigo Mercado da Ribeira Velha, perto do Tejo.

Bettips

1. Agrades

 

Sobre Lisboa, posso dizer assim:

Moro e morei toda a minha vida em Mafra, tão perto de Lisboa que não tenho na Capital rua que me toque de perto. Gosto de todas as ruas, as que me levam aos museus, teatros, cinemas ou concertos que frequento assiduamente e das que me trazem de regresso ao meu cantinho.

Para responder a este desafio de uma rua de Lisboa, procurei entre as minhas fotos e encontrei uma digna do meu contributo, em grande, como o rei que encomendou o carrilhão para a minha terra: tão barato? Quero dois...

Então, eu para não me ficar atrás, em vez de rua trago uma Avenida exótica! Julgo eu que não será muito conhecida da maioria dos Alfacinhas; mas às vezes engano-me redondamente.

Agrades