quinta-feira, junho 04, 2026

3. M

 

 

Quando...

Gosto de palavras que empurram reticências como se empurrassem um carrinho cheio de surpresas. Serão aqueles três pontinhos convites para elas entrarem em contacto com as pessoas que as leem? Convites envergonhados? Provocadores? Pacientes? Curiosos das reacções de quem repara nelas? Acho que podem ter muitos significados. Estarão ali “Para a troca”, como dizem os miúdos a negociar cromos de jogadores de clubes de futebol em falta nas suas cadernetas. No caso deste Quando…, arrisco interpretá-lo como um pedido para eu contar uma história pequenina, a condizer com o tamanho da menina que fui:

Quando eu era criança e passava férias numa aldeia não havia electricidade dentro das casas. Ao anoitecer, acendíamos candeeiros de petróleo que apagávamos quando nos deitávamos. Eram estes da fotografia. Dormiam em pé o resto da noite em cima daquele móvel, ao lado do prato do galo, e acordavam manhã cedo, estremunhados (e nós também) com o canto dele a anunciar o novo dia.

M

2. Bettips


 

Quando... esperei várias horas até que o sol desaparecesse daquela abóbada em fogo, tive o gosto de ver a escuridão iluminada com miríades de estrelas: a Via Láctea, a galáxia a que pertencemos. Nós tão pequenos somos e assombrados estamos com este nosso pequeno mundo.

Bettips

quarta-feira, junho 03, 2026