Chega a maturidade no tempo próprio, a isso a levaram a infância e a adolescência, nenhuma delas ficou parada a ver-se crescer nas marcas feitas com lápis na parede junto da ombreira da porta do quarto. É uma maturidade a longo prazo, em permanente construção, abrindo janelas, fechando outras, capaz de enfrentar desafios e escolhas a nível familiar e profissional, a cada pessoa o seu modo de os desejar e conseguir. Mais firme e responsável é o caminho: pensado, partilhado num novo núcleo familiar a acrescentar ao de origem ou ao mundo em redor. Uma maturidade sem limites, vivida no presente e oferecida ao futuro com nome de outono. Há tempo, o outono não tem urgência, costuma dar sinais de si pouco a pouco na folha amarela a soltar-se do ramo, a esvoaçar até ao chão, periclitantes aquelas outras empurradas pelo vento. Tão bonitos são os tons do desapego a formar tapetes sobre os quais assentamos os pés, embora um pouco mais lento o passo.
M

4 comentários:
À primeira vista pareceu-me a cortina e alguém atrás da janela. E os detalhes dos ramos secos sobre o muro, linda. E o texto é poesia à M. límpido e ao mesmo tempo com com várias camadas. Pois é a "vida" não fica parada a ver as marcas de lápis, adorei
Conseguir pensar e fazer coincidências da vida comum, espantosas, só mesmo tu!
Lindos texto e foto
Texto profundo. Também gosto fa fotografia
Teresa
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