Tenho dificuldade em separar-me da minha colecção de canetas. Estas são só uma parte. Agora que já não se escreve, nem com tinta nem com esferográfica, nem sei porque as mantenho.
Teresa Silva
Tenho dificuldade em separar-me da minha colecção de canetas. Estas são só uma parte. Agora que já não se escreve, nem com tinta nem com esferográfica, nem sei porque as mantenho.
Teresa Silva
Naquilo de que nunca nos separaremos – boa questão que me pus quando há dias acordei com a cama a abanar e percebi que era um sismo. Em poucos segundos pensei se isto abana outra vez devia ir para a rua, vestir qualquer coisa mais apropriada do que o pijama, vestir o máximo de coisas, sapatos, botas, levar um casaco, escova de dentes, uma muda de roupa interior. Daqui num pulo vou à sala e o que levo, uma faca, um livro, uma fotografia, a minha carteira, o meu passaporte, em que saco meto as coisas, a minha mantinha, champô, sabonete, uma toalha, o meu telemóvel, um frasco de atum que depois de lavado serve de recipiente, um litro de leite sem lactose. E o meu computador, o meu disco externo com todas as minhas fotografias, não posso deixar para trás as minhas memórias. O sono foi mais forte e adormeci rapidamente. Decidi que aquilo de que nunca me separarei é do meu cartão multibanco. Será que devia dormir com o cartão multibanco na cabeceira? Depois ligo a televisão e vejo as imagens de guerra, dos prédios cortados ao meio, das pessoas em padiolas levadas para hospitais destruídos, das crianças a deambular pelos escombros, com latas à cabeça à procura de água, a comida enlatada que cai do céu. Acho que o melhor é nunca me separar do meu corpo inteiro.
Mónica
Deu-me que pensar esta última proposta do mês. Difícil esse "nunca", depois das mais diversas experiências que já tive nestes 72 anos de vida. Assim sendo, espero nunca ter que me separar das memórias de todos os que têm passado por mim e que de uma maneira têm feito de mim uma pessoa melhor.
Mena
O "nunca" é perigoso. Mas não vivo sem a minha agenda, ainda em Janeiro e já usada, manchada e gasta. Escrevo muito. Às vezes até o que não importa ou não interessa nem ao Menino Jesus. Quem a folheie vai-me conhecer um pouco.
Margarida