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quinta-feira, Setembro 18, 2014

AGENDA PARA SETEMBRO DE 2014

Dia 25 - Fotografando as palavras de outros sobre o excerto 
" Penso: talvez o céu seja um mar grande de água doce e talvez a gente não ande debaixo do céu mas em cima dele; talvez a gente veja as coisas ao contrário e a terra seja como um céu e quando a gente morre, quando a gente morre, talvez a gente caia e se afunde no céu." 
Nenhum Olhar, José Luís Peixoto, Bertrand Editora.

O DESAFIO DE HOJE



Dia 18 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia de Agrades.

12. Zambujal

Uma casa, uma porta, uma árvore?
Uma árvore que nasceu à beira da casa, ou uma casa com porta para uma árvore que já lá estava? Haverá decerto quem seja capaz de decifrar estabelecendo certidões de idade – da casa, da árvore. Nanja eu que de arquitecto ou botânico nada tenho.
Sendo estas as palavras que me traz o olhar, poderia ainda especular com o abraço (?) dos ramos altos da árvore às telhas de canudo (?) da casa, ou com o anacronismo de uma porta de madeira industrial “às portas” de uma vetusta árvore que, como madeira viva e vivida, humilhada se sentirá.

Zambujal

11. Teresa Silva

Uma fotografia muito bonita. Transmite a sensação de mistério sobre o que se passará dentro daquela casa. Mas seja o que for, existe uma árvore que a protege.

Teresa Silva

10. Rocha/Desenhamento

O que entra no nosso olhar é a brevidade de um muro e de uma porta em madeira, tratada em tom castanho, cortada em parte pela sobreposição de um forte tronco de árvore bem idosa, acastanhada, baça. Curta imagem de um lugar onde haverá gente. Breve recanto onde a luz solar só parece plena no ângulo esquerdo superior, o brilho de certa desfocagem ou sobre-exposição começando o tocar os olhos em deriva. A ideia com que se fica é a de uma história de famílias, de horas pacíficas e árvores e paredes em silêncio.

Rocha de Sousa

9. Mena M.

Amizade de raízes profundas e de alicerces seguros, são as minhas palavras sobre o olhar da fotografia da Agrades.
Gosto de imaginar que terão crescido juntas, a casa e a árvore.

Mena

8. Mac

Após alguns anos de os meus avós terem falecido, regressei à sua casa, a fim de averiguar um possível valor para a vender.
A casa era mais pequenina daquilo que me lembrava, e estava um pouco velha, a precisar de obras de recuperação... isto não abonava a uma venda com lucro.
Quando cheguei às traseiras vi que a velha oliveira ainda lá estava, e de repente veio tudo à memória... os anos despreocupados da minha infância, quando, após cansados de tanta brincadeira, eu e os meus primos nos sentávamos desordenadamente num banco corrido que aqui havia, à sombra desta árvore, a rir que nem perdidos.
Ou quando, ao fim de semana, os adultos iam buscar uma mesinha, e debaixo da oliveira, passavam a tarde a jogar à sueca ou à malha, com a cerveja, a batota e a risota a serem servidas em quantidades proporcionais.
E nos meses quentes de Verão, naqueles dias abafados, em que quase custa a respirar, a sombra desta árvore era o que nos valia... aquela sombrinha sabia tão bem...
Não há nada que pague estes momentos, pensei eu. Os banqueiros que se lixem! Fico com a casa!

Mac

7. M.

É apenas uma árvore junto de uma casa, eu sei, mas o meu olhar desenhou-lhe forma de gente. Corpo enrugado de mulher no silêncio de si, regaço livre na sombra de gestos entrelaçados, berço, trampolim, palavra, ouvido, riso, consolo, afago, pensamento, memória.

M

6. Luisa

Quando cheguei já lá estavas e aí ficarás depois que eu cair em ruínas.

Luisa

5. Licínia

Qual delas nasceu primeiro? Talvez a oliveira, filha natural de algum caroço que pastor atirou para longe, desejando que um dia outro almoço viesse, de azeitonas também, mas de mais pão, menos duro de roer, de ganhar.
Quando a casa chegou, seria a árvore um pequenino ramo verde a alçar-se da terra.
Cresceu a casa e a árvore encorpou, alteou.
Hoje descansa um braço na cabeça da casa e nenhuma delas rejeita o enlace que da terra nasceu, o homem por perto, as duas habitando.

Licínia

4. Justine

Tenho pena da velha oliveira! É árvore de muitas dezenas de anos, mas parece-me estar condenada. Os seus braços envolvem o telhado da casa num abraço destrutivo, e a casa já desistiu da árvore, fechando-lhe a porta. Será decepada no próximo inverno, depois de oferecer à casa a sua última frutificação.

Justine

3. Jawaa

A casa nova construída no aconchego da árvore antiga, o cartão de visita familiar, o cofre que guarda tesouros de risos e de perdas, olhares de antanho que só a ela cabe desvendar.

Jawaa

2. Bettips

Não se sabe bem quem nasceu primeiro, se as raízes da casa se as da árvore. E o que cada uma ajuda a outra, com a sombra, com a firmeza das paredes.
Gostaria de pensar que alguém fez a casa e deixou a árvore. Para se proteger do mundo, como se existissem duas portas a transpor para a vida: a da árvore e a da casa.
Bettips

1. Agrades

Um tronco de oliveira, uma porta de madeira sólida, parede branca e beiral de telhado à portuguesa podem levar-nos a imaginar uma cena pacata em qualquer aldeia do sul de Portugal. Mas não é verdade. A oliveira foi arrancada do seu ambiente natural e está a decorar o exterior do Museu da Santa Casa da Misericórdia da Ericeira. Houve misericórdia, não a fizeram em achas!

Agrades

quinta-feira, Setembro 11, 2014

AGENDA PARA SETEMBRO DE 2014



Dia 18 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia da Agrades.

O DESAFIO DE HOJE

Dia 11 - Reticências com a frase “Amanhã, sem falta” a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.

10. Rocha / Desenhamento



Amanhã, sem falta, vou ter contigo. Levo a fotografia, pois claro, o instantâneo da tua alegria e da luta pela vida de todos nós. 
Rocha de Sousa

9. Mena M.



Amanhã, sem falta, vou fazer as baínhas das cortinas da minha sala. 
Mena

8. Mac



Amanhã, sem falta, vou atrás do talhante e roubo-lhe um osso... 
Mac

7. M.



Amanhã, sem falta, escrevo-lhe. Sei que espera notícias minhas, tão sozinha ficou quando regressei ao meu poiso habitual. Negras as vestes sobre o seu corpo de mulher, como estátua esculpida por artesão de um lugar de silêncios a vejo. Será vértice de ecos antigos, perdidos alguns, resguardados outros na dureza da pedra ou no encantamento da memória, dispersando-se ainda outros na voragem dos dias por preencher. Naquele ermo pardacento, apenas o vermelho da caixa de correio pendurada na ombreira de uma porta fechada, a lembrar coração que se recusa a morrer dentro de vida amortalhada. 
M

6. Luisa



Amanhã, sem falta, retomaremos a nossa conversa. 
Luisa

5. Licínia



Amanhã, sem falta, alguém abrirá o marco e encontrará, ou não, as cartas que já ninguém escreve. 

Uma curiosidade: este marco dos CTT viajou de Viseu para Marly le Roi, nos arredores de Paris, por mor de geminação das duas terras. Assim hoje, a cor muito desmaiada, o velho marco se tornou bilingue. 
Licínia

4. Justine



Amanhã, sem falta, tenho de enviar à M. o texto das Reticências…! O primeiro saiu mal e a M. disse-mo, como boa leitora e boa amiga! E até hoje, nada de interessante me surgiu. Estou seca. Árida. Um deserto! De pouco me tem servido folhear alguns livros, reler os poemas preferidos, lembrar textos exemplares – nem uma ideia! Será que tenho de desistir? Não, desistir nunca! Fico-me ainda por aqui um pouco mais, entre os livros e os papéis, à espera de uma ideia – porque amanhã, sem falta, tenho de enviar o texto à M.! 
Justine

3. Jawaa



Amanhã, sem falta, tenho de escrever ao Emanuel para lhe agradecer o convite de ontem, e assim a possibilidade de rever a paisagem tranquila em final de dia, memórias e gentes perdidas no tempo, presentes nos sentidos e nos lugares.
Jawaa

2. Bettips



Amanhã sem falta... vou às compras. 
Bettips

1. Agrades



Amanhã, sem falta, vamos apanhar amoras. 
Agrades

quinta-feira, Setembro 04, 2014

AGENDA PARA SETEMBRO DE 2014

Proposta da Agrades

Dia 11 - Reticências com a frase “Amanhã, sem falta” a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.

O DESAFIO DE HOJE

Proposto pela Agrades

Dia 4 - Ao jeito de cartilha: Proponho-vos que usemos a sílaba “Ar” para formar as nossas palavras. O texto que alguns de nós acrescentarmos é facultativo.

11. Zambujal



                          Arca 

O velho abriu a arca. 
Para ver o que por lá havia. 
Encontrou papéis velhos … 
… coisas da arca do velho! 
Zambujal

10. Teresa Silva



                    Arquitectura 

Um exemplo da arquitectura tradicional portuguesa. 
Teresa Silva

9. Mena M.



                       Árvore

8. Mac



                  Cabeças no ar

7. M.



                                                  Argênteo

6. Luisa



                        Artistas 

A Natureza não precisa de Artistas. 
Luisa

5. Licínia



                        Arcada 

Chamou-me a atenção a pedra de fecho do arco. Em Ponte de Lima. 
Licínia

4. Justine



                             Arboreto

Foto de uma mata junto do Douro, num vale da serra de Montemuro. 
Justine

3. Jawaa


  
                       Artes 

Artes de um limão português. 
Jawaa

2. Bettips


                           
                         Arte

Amar a arte: artesão de argila, nos gestos de quem dança e molda o próprio ar. 
Bettips 

1. Agrades



                        Artifício

quinta-feira, Agosto 21, 2014

AGENDA PARA SETEMBRO DE 2014



Dia 18 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia de Agrades.

REGRESSO AOS NOSSOS DESAFIOS

Agenda para setembro de 2014 

Proposta pela Agrades 

Dia 4 - Ao jeito de cartilha: Proponho-vos que usemos a sílaba “Ar” para formar as nossas palavras. O texto que alguns de nós acrescentarmos é facultativo. 
Dia 11 - Reticências com a frase “Amanhã, sem falta” a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia. 
Dia 18 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia de Agrades. 
Dia 25 - Fotografando as palavras de outros sobre o excerto 

" Penso: talvez o céu seja um mar grande de água doce e talvez a gente não ande debaixo do céu mas em cima dele; talvez a gente veja as coisas ao contrário e a terra seja como um céu e quando a gente morre, quando a gente morre, talvez a gente caia e se afunde no céu." 

Nenhum Olhar, José Luís Peixoto, Bertrand Editora.

quinta-feira, Julho 31, 2014

PAUSA

Fazemos agora uma pausa.
Voltaremos a encontrar-nos aqui em setembro.
Boas férias para todos. Não importa onde se está mas como se está.

M

6. Zambujal

«… Agora é o coração que se constrange. Vivi aqui e ali. Uma, duas, três casas que abrigaram o adolescente e parecem olhar o homem maduro com olhos cegos, janelas ocas… Tudo isso do sonho e da saudade é uma mentira arranjada, um embuste literário, ou o quê?...»
Perante a fotografia sobre estas palavras antecipo as reticências do texto de Nemésio e atrevo-me a corrigir – meu sonho, saudade, pretexto literário – que este homem já bem mais que maduro olha e fotografa, com olhos húmidos, a janela por onde entra o sol poente a dar luz e vida ao quarto onde, há 116 anos (a 21 de Janeiro de 1898), nasceu o pai.
E regresso ao autor das palavras justas e às reticências mais abaixo: «… A maior parte das coisas do mundo interior que levamos são dessa qualidade intransferível: têm essa só realidade unilateral, mesmo quando empenham dois lados, como por exemplo o amor.» 

Zambujal

5. M.

4. Licínia

3. Justine

2. Bettips

Fotografando as palavras de outros sobre "Se bem me lembro..." de Vitorino Nemésio - bem complicado, para mim, tentava escolher uma foto da ilha de S. Miguel e seus escuros, céus burros e terra inclinada. Achava que a Terceira, onde nasceu, se pareceria mas nunca lá fui.
(e por este andar não vou)
Portais e batentes velhos tinha muitos mas pareceu-me demasiado comum. Por metáforas... só me surgiu esta, por acaso, e o perfil até me lembrou o escritor fluente e de voz encantatória que conhecemos.
Assim vai porque em qualquer lado sentamos as recordações e nos perguntamos o que foi do tempo. A que portas nos encostamos, no mar alto da infância e adolescência, ou na maré vaza dos dias comuns. Que chuva molhou os nossos caprichos e desgostos. Que vozes nos foram ternas e ainda ouvimos. 
Bettips

1. Agrades

sexta-feira, Julho 25, 2014

7. Jawaa



 "Além fronteiras há admiração e respeito pelo povo que somos. Somos maiores do que nos pensamos." 
Jawaa

quinta-feira, Julho 24, 2014

AGENDA DE JULHO DE 2014

Dia 31 - Fotografando as palavras de outros sobre este excerto que nos faz recordar Vitorino Nemésio 

« (…) Agora é o coração que se constrange. Vivi aqui e ali. Uma, duas, três casas, que abrigaram o adolescente e parecem olhar o homem maduro com olhos cegos, janelas ocas...Tudo isso do sonho e da saudade é uma mentira arranjada, um embuste literário, ou o quê? Então não é verdade que aquela vidraça era minha? Aquele ferrolho o descanso da mão de minha mãe à entrada? Aquela beira e sobeira as telhas que choraram os aguaceiros que eu vi? E a nossa melancolia nasceu ou não destes céus tristes, baixos, burros? Porque nos não conhecem e festejam as janelas, as begónias dos «gabinetes» e as pedras das calçadas? Mas passamos ao largo de tudo e tudo fica incólume. Aqui só há uma coisa que se comove – o coração que vai passando. As coisas chegam às vezes a um ponto de saturação no regresso e no amor que não há lágrimas vivas que sejam dignas de nós! Desaforo expressivo... Excesso confessional... Vou-me conter. Não digo mais nada desta jornada matinal das ruas de Angra e dos seus portões ultrapassados em peregrinação recôndita. Tudo isto é turismo baldado, roteiro inerte... Para quê teimar em recolher coisas talvez mal passadas pela memória, e só aí?... A maior parte das coisas do mundo interior que levamos são dessa qualidade intransferível: têm essa só realidade unilateral, mesmo quando empenham dois lados, como por exemplo o amor.» 
Se bem me lembro..., Vitorino Nemésio (selecção de textos e organização de Joana Morais Varela), Contexto Editora, colecção Cortes, setembro de 2001

O DESAFIO DE HOJE

Dia 24 - Jornal de Parede

6. Zambujal



 JORNAL DE PAREDE 
(em Inhaca – Moçambique)

 … do Povo! 
Noticiário nacional – nada 
Noticiário internacional – nada (estávamos de férias!) 
Cultura – nada 
Algumas informações locais
melhor que… nada 
Zambujal

5. M.



Porque tomei conhecimento destas ruínas da cidade romana de Ammaia através da Bettips, as visitei com ela e achei interessante o lugar, partilho convosco a informação.
 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ammaia

4. Licínia

3. Justine

2. Bettips

1. Agrades

quinta-feira, Julho 17, 2014

AGENDA PARA JULHO DE 2014

Dia 24 - Jornal de Parede

9. Zambujal

Um vitral é, sempre, um puzzle de peças coloridas. Por vezes, a imagem, formado o quadro completo, quase esconde as peças de que é composto. 
Mas um vitral também pode ser só uma soma em que não se apagam as parcelas ou formar, autonomamente, sub-totais.
Ou pode, até, lembrar um jogo da glória. Desarrumado ou desarmado. Como é o caso desta feliz escolha e desafio. 
Zambujal

O DESAFIO DE HOJE



Dia 17 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia de Teresa Silva.

8. Teresa Silva

Os vitrais da Catedral católica de Liverpool são de uma beleza extraordinária, aliás todo o monumento, construído nos anos 60 do século passado. Há vitrais de todas as cores, desde o azul e verde, até aos vermelhos, laranja e amarelos. Circundam toda a Catedral e contrastam com a obscuridade do ambiente. 
Teresa Silva

quarta-feira, Julho 16, 2014

7. Rocha/Desenhamento

Ao fitar esta imagem fico com ela, provisoriamente, dentro do olhar. Logo ela se resolve no fundo da memória e passo a saber que estou diante de um vitral ou parte dele. Coisa que não vem das longínquas oficinas da antiguidade, mestres ao lado de Chartres, a cortar os vidros segundo um desenho e uma estrura para o chumbo, riscando com delicados pincéis e operando sombras através de um pó apropriado. Tudo para entrar no forno e ser montado mais tarde, depois da cozedura, em grades de ferro, os vidros coloridos brilhando e as sombras, plasmadas pelo "grisé", modelando a ideia visual do claro-escuro. Grelha apertada consoante a fragilidade do pormenor ou mais aberta na largueza das formas. Destas coisas fala a memória perante este vitral menos inventivo, abstracto, que explora pouco a força da passagem da luz através da transparência. Imagino que os vitrais, aparentemente saturados de cor "sinfónica", são uma espécie de tradutores da luz branca vinda do exterior para, tornando-a pintura em luz cromática, a passar habitualmente do exterior para a sombra dos espaços interiores, conferindo-lhes uma espécie de vibração sacra. 
Rocha de Sousa

6. M.

A leveza da cor, a leveza da luz. Um vitral ou as asas de uma borboleta. Religiosidade e voo. Quietude e movimento. Contemplação. A Beleza, lugar sagrado. 
M

5. Luisa

Da beleza e fragilidade do vidro e da vida. 
Luisa

4. Licínia

Um tempo assim de céu e flor, também de lume, anoitecer, amanhecer. Horas soltas, acrescentadas, levadas por caminhos de rectidão, ou sinuosos, de hesitação. Uma manta, uma tela, um vitral, uma vida. 
Licínia

3. Justine

Um vitral. Um caleidoscópio. Uma vida aos bocados. Um campo de tulipas na Holanda. Uma prisão e o desejo de fuga!
Muitas outras possíveis associações: assim se pode medir a força da arte! 
Justine

2. Bettips

À parte a coragem e alegria que nos dão as cores desta fotografia, fez-me lembrar um vitral: vitral do coração, azul e vermelho, rosa e magenta, azuis tanto de mares como de céus.
Ventrículos divididos pelas vidas que somos: e um sol que nasce. 
Bettips

1. Agrades

Tanta cor, tanto paladar... 
Um gosto visual intrigante e desafiador quer pelas suas formas quer pela cor. Imagino um vitral de artista moderno e atrevido, ou uma caixa de aguarelas, a tampa dum guarda joias ou mesmo uma caixa de bombons... Ou qualquer outra coisa que a imaginação desejar. 
Agrades

quinta-feira, Julho 10, 2014

AGENDA PARA JULHO DE 2014



Dia 17 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia de Teresa Silva.

O DESAFIO DE HOJE

Dia 10 - Reticências com a frase “Azáfama à beira-mar” a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.

10. Zambujal



Azáfama à beira-mar! Era o que era. Em Inhaca, no final do ano de 2007. Barcaças chegavam, barcaças partiam. Traziam e levavam gente numa misturada em que mal se distinguiam uns e umas de outras e outros pelas cores das peles e das vestimentas. Traziam e levavam embrulhos, lancheiras, caixas frigoríficas, mercadorias para festejar a época. Na ponte-pontão, uns esperavam, ansiosos, outros observavam, curiosos, e ainda havia os completamente indiferentes, estando ali como podiam estar algures ou nenhures, de costas e o fundo destas de costas voltadas para a azáfama à beira-mar. 
Zambujal

9. Teresa Silva



Azáfama à beira-mar. O Verão já começou. Há quem mergulhe; há quem esteja no toldo para se proteger do vento ou do sol; há quem passeie a pé pela praia. Tudo está normal depois de um Inverno destruidor. Até o rochedo retomou a sua posição habitual. 
Teresa Silva

8. Rocha/Desenhamento



Azáfama à beira-mar é coisa bem marcada na memória histórica e visual da nossa terra, ao longo da costa, fronteira portuguesa que só dialoga com o oceano e que faz de nós o perfil em forma de rosto de um continente cada vez mais sombrio. Chamam-nos periféricos mas a palavra cai na espuma dos dias. Somos, pelo contrário, um território central do mapa entre continentes e o sol ainda nos separa dos países nórdicos, ricos, que parecem desdenhar da nossa pequenez e grandeza no tempo da conquista dos mares. Nada disso se pode resumir a tão pouco. Tão pouco como o teor desta imagem gigantesca. São barcos que entram e saem do mar, em pleno sol, em azáfamas de dois ou três homens apenas: a praia, a barca, o trator, o tirante de arrasto, tudo em movimento, entre paragens e recomeços. Daqui vem o alimento e a imagem de um trabalho milenar. 
Rocha de Sousa

7. M.



Azáfama à beira-mar. Negócio de família, passado de geração em geração. Que importa se a receita do bolo de morangos não é exatamente a mesma da bisavó? Que importa se as mãos são outras? Lembram... pois, não admira. Ah e aquele sinalzinho a parecer um salpico de canela sobre a pele macia da menina? Percalços de pasteleiro. O formato moderno do balde, em plástico, tão frágil, estraga-se num instante, parte-se, pensarão os adeptos de materiais mais resistentes. Não tem importância, até é divertida a leveza do modelo comparado com os de tempos idos. Talvez este seja Made in China. Ou terá a marca de alguma pequena fábrica portuguesa do centro do país gravada no fundo? Não faço ideia. Para satisfazer curiosidades precisava de o virar ao contrário. Impensável, não quero provocar desilusões. Tanto cuidado a alisar a superfície do bolo, quase pronto para ser metido no forno ao ar livre, amplo e comunitário, a temperatura desejada ideal... Entornava-se a massa, tenho a certeza, e lá ia por água abaixo – com a agravante de ser salgada - a festa de anos imaginada, mais as velas e os enfeites, arrumadinhos ali ao lado, à espera do momento cantado.
Repetem-se os gestos, ainda que a areia escorregue entre os dedos, e permanece o sabor de infâncias comuns numa confeitaria à beira-mar. 
M

6. Luisa



Azáfama à beira-mar só se for por obrigação, como arrastar barcos até à areia, recolher redes e escolher o peixe para a lota. 
Luisa

5. Licínia



“Azáfama à beira-mar” não será propriamente o título adequado para esta imagem, já que as gaivotas parecem tranquilas observando as águas. Mas que sabemos nós do alvoroço de quem espera, na incerteza, o seu quinhão do dia? 
Licínia

4. Justine



Azáfama à beira-mar... pudera, se os barcos vieram tão cheios! Há peixe para dar e vender, para homens e para gaivotas! Os pescadores vão enfim poder descansar da sua dura faina, nem que seja por um dia! É alegre, esta azáfama à beira-mar... 
Justine

3. Jawaa



Azáfama à beira-mar, manhã cedo, quando gosto de sentir a ilusão de ter praia toda para mim. 
Jawaa

2. Bettips



Azáfama à beira-mar ... logo que o casal se sentou e começou a desembrulhar o lanche! 
Bettips

1. Agrades



Azáfama à beira mar, cada dia mais necessária.

Agrades