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quinta-feira, maio 18, 2017

AGENDA PARA MAIO DE 2017

Proposta de Bettips
Dia 25Fotografando as palavras de outros sobre o texto
"O céu estava coberto de grandes nuvens baixas que descarregaram, dali a pouco, uma chuva espessa que velou o horizonte e enlameou os campos. Parei o carro junto de um estabelecimento, para tomar café enquanto desanuviava um pouco, e fiquei sentado debaixo do alpendre, a consultar o mapa e as notas do meu caderno enquanto considerava que há um exercício fascinante, a meio caminho entre a literatura e a vida: visitar lugares lidos em livros e projectar neles, enriquecendo-os com essa memória leitora, as histórias reais ou imaginadas, as personagens autênticas ou de ficção que noutros tempos os povoaram. Cidades, hotéis, paisagens, adquirem um carácter singular quando alguém se aproxima deles com leituras prévias na cabeça."
Arturo Pérez-Reverte "Homens Bons" 3ª Edição da ASA/2016, pág.129

O DESAFIO DE HOJE



Dia 18 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia de Bettips.

11. Zambujal

UM LUGAR DE REFLEXÃO E DE CONVÍVIO
 
Zambujal

10. Teresa Silva

Num primeiro olhar pensei que me sentava no banco, tão convidativo, e aguardava que um cisne surgisse na água. Mas depois ampliei a foto e fiquei perplexa. Afinal na margem estão figurantes ou estátuas. O que é isto, onde é isto? 
Teresa Silva

9. Rocha/Desenhamento



Bettips diz-nos que tem as palavras dentro do olhar. E é verdade porque são as palavras que dão forma às coisas, que suportam as imagens e as reconfiguram. Um banco minimalista, um sítio para descansar, olhar e perceber água plana; mais além o arranjo do espaço para andar e respirar, copas de árvores, a sombra, porventura a serenidade para levar o corpo (olhando) através de passos e placidez da alma. 
Rocha de Sousa 

Do olhar a partir de uma foto da Bettips
Vemos porque olhamos e porque a mobilidade ocular, além do mais ligada às estruturas nervosas que transportam a luz e a correspondente estrutura nervosa ao cérebro, configuram vários níveis de percepção. E Isso leva-nos a dizer: fiquei com aquela imagem dentro dos olhos. A memória visual conserva no tempo os espaços e as imagens sobre as quais nos debruçámos especialmente. 
Rocha de Sousa

8. Mena M.

Assim, quase em formatura, esperámos uns, cheios de pensamentos positivos, rezaram outros, para que o meu irmão João pudesse ultrapassar todos os problemas que lhe surgiram de um aneurisma abdominal da Aorta, prestes a rebentar. Felizmente posso agora montar esse cavalinho branco, a que chamo esperança, e cavalgar alegremente, pois os médicos, apesar do espanto de ele ter sobrevivido, acham que ele pode e irá recuperar a 100%.
Foram as palavras que encontrei em mim, ao rever esta foto da Bettips. 
Mena

7. M.

Quando me sento neste banco e partilho a solidão do meu pensamento com a paisagem cosmopolita no Budda Eden, é como uma espécie de agrafo que me prende à vida para lá da minha.

M

6. Luisa

Quando me convidam para um passeio, pergunto sempre se há um banco donde se admire a paisagem. Sem banco não vou.

Luisa

5. Licínia

As palmeiras é que não resistiram à chegada dos guerreiros. Ali ao lado, os Budas meditam sobre a pobreza de espírito que leva os homens a acumularem tesouros. A verdade é que todo este kitsch me faz entrar em modo zen.
Licínia

4. Justine

O banco simples, austero e rectilíneo convida a uma pausa no percurso junto ao lago. Uma pausa para reflectir sobre as coisas de facto importantes da vida: sobre o passado e o futuro, sobre a arte, a amizade e a cultura, sobre os homens, os seus desvarios e as suas conquistas. 
Uma pausa para calar os ruídos interiores que tantas vezes nos impedem de pensar… 
Justine

3. Bettips

Me sento e me deito, sobre um lugar branco e cintilante, soltando a fome de verde, silêncio e água.

Bettips

2. Benó

Com as palavras dentro do olhar mergulho nas águas calmas do lago que me refresca e apazigua. O verde que o circunda simboliza a esperança que trazemos connosco para que a humanidade se dê as mãos e compreenda que a vida merece ser vivida com amor, sossego e felicidade. 
É uma foto muito bonita, muito serena e dou os parabéns à Betttips pela sua escolha. Estamos necessitados de olhar para elementos que nos transmitam calma e paz que nos ajudem a esquecer as noticias de guerras, fome, torturas, mentiras com que todos os dias nos enchem os olhos.
Obrigada Bettips. 
Benó

1. Agrades

Olhando a fotografia do desafio de hoje, faz-me recordar as diversas visitas que fiz a este jardim. A primeira, ainda não estava aberto ao público, foi um espanto, dada a dimensão do terreno, as inúmeras estátuas orientais algumas já colocadas mas não finalizadas e, sobretudo, a vasta zona de caixotes e grades que continham as mais mirabolantes peças, umas já fora dos caixotes, outras ainda encaixotadas.
Na segunda visita já havia um “comboio” para transportar os visitantes pelos diversos recantos e algumas estátuas estavam pintadas. Vi mais tarde uma réplica do exército de terracota de Xien, pintados de corres berrantes, que me dececionaram dado que tinha visto os originais que têm cores suaves. Resumindo, o jardim tem beleza mas, quanto a mim, demasiado bric-à-brac. Até a coleção de penicos é invulgar. 
Agrades

quinta-feira, maio 11, 2017

AGENDA PARA MAIO DE 2017

Proposta de Bettips


Dia 18 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia de Bettips.

O DESAFIO DE HOJE

Proposta de Bettips
Dia 11 - Reticências com a frase “Apenas coisas” a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.

12. Zé Viajante


Apenas coisas simples foram adquiridas, há dias, no Mercado Brocante e do Artesanato, em Sintra. Apenas coisas simples à medida de bolsa, também ela, muito simples. 
Zé Viajante

11. Zambujal


Apenas coisas… 
mas coisas vivas, com história, com memória. 
Uma oliveira centenária à beira de um poço onde minha avó, meu pai, eu…, íamos buscar a água para o preciso. Para beber, para regar, para nos lavarmos. Uma oliveira onde enganchava uma picota a que se prendia o balde para encher a pulso. 
Quantas recordações! E ainda dá azeitonas! 
Apenas coisas… que contam vidas, viveres. 

Zambujal

10. Teresa Silva



Apenas coisas, restos de coisas que foram de uma casa. 
Teresa Silva

9. Rocha/Desenhamento


reticências 
APENAS COISAS - dir-se-ia assim, a procurar percepcionar coisas ou desenhos, entre objectos que não fazem muito sentido entre si, como que a direcionar a verdade do real entre lixos e memórias de coisas outrora úteis. Pois sim: afinal, esta imagem, reproduzida a preto e branco, fala de diferentes aspectos de obras da arte contemporânea portuguesa, trabalho irónico, em cerca de vinte placas, acompanhado por textos e anexos manuais, sob o titulo geral de Apocalipse. Como eu e a João Gamito tinhamos toda a reprodução da faixa, refizemos a obra (Apocalipse nas Artes) na galeria de Arte Moderna da SNBA.
Exemplo de uma das placas. 
Rocha de Sousa

8. Mena M.



Apenas coisas que me chamam a atenção, que apaixonadamente fotografo, para meu prazer e por vezes desespero de quem me acompanha. 
Mena

7. M.



Apenas coisas, início de frase proposto pela Bettips para o desafio de hoje, levou-me a pensar que talvez nem sempre seja linear considerar as coisas como apenas coisas. Ligada a palavra apenas à que se lhe segue, julgo que nalguns contextos lhe retira a substância da sua individualidade, noutros, pelo contrário, acrescentará qualidade ao que se pretende exprimir. Importará conhecer o que se enuncia, de que se trata. Objectos, ideias ou casos, argumentos relevantes ou não, reflexões, tudo isso pode ser considerado coisas. Dependerá de cada pessoa o valor que lhes atribui, o afecto que as une, de como as olha, como delas se serve. Esta fotografia campestre, por exemplo, mostra um conjunto de objectos com significado muito especial para o seu dono, meu irmão. Para ele não são apenas coisas, são pedaços de recordações saborosas que deseja continuem a tomar parte activa no presente. Foram intencionalmente colocados ali para seduzir preguiças ou espevitar gostos e artes rurais, pacientemente ordenados na quietude sem tempo, à margem da urgência ou da indiferença de quem neles venha a reparar. Conheço bem este plano sorrateiro, a composição cuidada, porventura até estética nos pormenores, é-me familiar o gesto silenciosamente provocador de expor e esperar pela reacção de alguém, a tentação dos frutos. Depois é o pegar de novo no livro que abandonou sobre a mesa em breve pousio, sentar-se à distância na sombra da árvore e ir libertando o olhar num vaivém entre as páginas da história e aquela espécie de isco e logo se vê o que acontece. À mão de semear: adequada a expressão à função intrínseca dos utensílios aprisionados. 
M

6. Luisa



Apenas coisas simples: cal e um pouco de tinta azul e a modesta casa transforma-se num palácio. 
Luisa

5. Licínia



Apenas coisas como beleza e talento nos podem fazer esquecer a fealdade de certos dias. 
Licínia

4. Justine



Apenas coisas pequenas acendem fulgores nos seus dias cinzentos: o canto inesperado de uma ave primaveril; o sorriso luminoso de uma criança feliz; uma flor nascida num canteiro meio abandonado numa rua triste; um pingo de chuva num ramo seco de uma velha árvore.
Apenas coisas pequenas, mas suficientes para trazerem aos dias a luz que necessita para não desistir! 
Justine

3. Bettips



Apenas coisas que se nos escapam pelos interstícios da memória, no espaço plano de um livro ou de uma agenda. Flores ou folhas secas de um dia que queremos lembrar, matéria que olhamos e tocamos sem conseguirmos repor a verdade e a beleza desse momento passado. E quantas vezes nos perguntaremos da importância desse símbolo nas nossas vidas? 
Bettips

2. Benó



Apenas coisas confecionadas para uma refeição especial, a dois, compõem esta colorida travessa de sushi. São coisas preferencialmente vindas do mar e degustadas cruas embrulhadas ou elas próprias a embrulhar um arroz próprio cozinhado de modo a ficar muito mole para ser moldado nas mãos. 
Benó

1. Agrades



Apenas coisas, farinha, sal, fermento e água, para fabricar o pão de Mafra. 
Agrades

quinta-feira, maio 04, 2017

AGENDA PARA MAIO DE 2017

Proposta de Bettips
Dia 11 - Reticências com a frase “Apenas coisas” a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.

O DESAFIO DE HOJE

Proposta de Bettips
Dia 4 - Ao jeito de cartilha: Proponho-vos que usemos a sílabaVer” para formar as nossas palavras. A palavra que cada um apresentar tem que conter a sílaba pedida e exprimir a imagem que lhe foi associada com sintonia clara entre ambas. Se houver preferência por um conceito, a regra a aplicar é a mesma, ou seja, ele tem que ser expresso por uma palavra que tenha a sílaba pedida. O texto que alguns de nós acrescentarmos é apenas facultativo e um complemento.

11. Zé Viajante



Verde - Vermelho

10. Zambujal



Verdes eram os campos...

9. Teresa Silva



Inverno

8. Mena M.



Vermelho

7. M.



Vermelhos

6. Luisa



Verdes

Verdes são os caminhos por onde passa o rio Alenquer.
Luisa

5. Licínia



Verdon e Vertigem

4. Justine



Vermelho e Verde

Um posto de observação dos currais de vinhas na Ilha do Pico. 
Justine 

3. Bettips



Verde


"Verde que te quero verde
Verde vento verdes ramas
O barco vai sobre o mar
e o cavalo na montanha
Com a sombra pela cintura
ela sonha na varanda …"

Frederico Garcia Lorca (1898-1936) Romance Sonâmbulo

Desta vez, desculpem se não é um texto meu mas de um poeta e parte de um poema extenso, de que muito gosto especialmente dito em espanhol (por Ricardo Alberti). Conhecia-o há muitos (verdes) anos e agora procurei-o na net, pelo que o lembro aqui para a sílaba escolhida.

Bettips

2. Benó


Vermelho

1. Agrades



Cesto de verga

quinta-feira, abril 27, 2017

AGENDA PARA MAIO DE 2017



Dia 18 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia de Bettips.

AGENDA PARA MAIO DE 2017

Proposta de Bettips
Dia 4 - Ao jeito de cartilha: Proponho-vos que usemos a sílabaVer” para formar as nossas palavras. A palavra que cada um apresentar tem que conter a sílaba pedida e exprimir a imagem que lhe foi associada com sintonia clara entre ambas. Se houver preferência por um conceito, a regra a aplicar é a mesma, ou seja, ele tem que ser expresso por uma palavra que tenha a sílaba pedida. O texto que alguns de nós acrescentarmos é apenas facultativo e um complemento.
Dia 11 - Reticências com a frase “Apenas coisas” a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.
Dia 18 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia de Bettips.
Dia 25Fotografando as palavras de outros sobre o texto
"O céu estava coberto de grandes nuvens baixas que descarregaram, dali a pouco, uma chuva espessa que velou o horizonte e enlameou os campos. Parei o carro junto de um estabelecimento, para tomar café enquanto desanuviava um pouco, e fiquei sentado debaixo do alpendre, a consultar o mapa e as notas do meu caderno enquanto considerava que há um exercício fascinante, a meio caminho entre a literatura e a vida: visitar lugares lidos em livros e projectar neles, enriquecendo-os com essa memória leitora, as histórias reais ou imaginadas, as personagens autênticas ou de ficção que noutros tempos os povoaram. Cidades, hotéis, paisagens, adquirem um carácter singular quando alguém se aproxima deles com leituras prévias na cabeça."
Arturo Pérez-Reverte "Homens Bons" 3ª Edição da ASA/2016, pág.129

O DESAFIO DE HOJE

Proposta de Benó
Dia 27Fotografando as palavras de outros sobre o texto
"Nunca descobri como o meu irmão fazia mas começava por sentir uma espécie de diferença na casa e não sei explicar isto, a minha filha e o meu marido continuavam a dormir e os cheiros não mudavam, não mudavam os móveis, não mudava eu, as flores quietas elas que à mínima presença um frenesim de caules, a tampa da terrina, tão melindrosa, calada, um cano a suspirar no interior da parede...."
António Lobo Antunes "O meu nome é Legião" 2ª edição da D. Quixote/2007/Edição ne varietur. Pag. 205

10. Zé Viajante



 «... as flores quietas...»

9. Teresa Silva

8. M.


« (…) e os cheiros não mudavam, não mudavam os móveis...»

7. Luisa



 "...a tampa da terrina, tão melindrosa, calada..."

6. Licínia



 «… a tampa da terrina, tão melindrosa, calada ...» 

5. Justine



 “… e os cheiros não mudavam, não mudavam os móveis, não mudava eu …”

4. Jawaa


[...] a tampa da terrina, tão melindrosa, tão calada, um cano a suspirar no interior da parede...

3. Bettips

2. Benó



"A tampa da terrina, tão melindrosa, calada."

1. Agrades

quinta-feira, abril 20, 2017

AGENDA PARA ABRIL DE 2017

Proposta de Benó
Dia 27Fotografando as palavras de outros sobre o texto
"Nunca descobri como o meu irmão fazia mas começava por sentir uma espécie de diferença na casa e não sei explicar isto, a minha filha e o meu marido continuavam a dormir e os cheiros não mudavam, não mudavam os móveis, não mudava eu, as flores quietas elas que à mínima presença um frenesim de caules, a tampa da terrina, tão melindrosa, calada, um cano a suspirar no interior da parede...."
António Lobo Antunes "O meu nome é Legião" 2ª edição da D. Quixote/2007/Edição ne varietur. Pag. 205

O DESAFIO DE HOJE



Dia 20 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia de Benó.

12. Zé Viajante

As raízes, cansadas da sua clausura, subiram à superfície e foram espreitar o mar. À tardinha, saciadas, voltaram a casa e adormeceram. Sonhando com o mar que nunca tinham visto.
 
Zé Viajante

11. Teresa Silva

Bonita fotografia. Gosto dos emaranhados de troncos e folhas à beira-mar plantados.

Teresa Silva

10. Rocha/Desenhamento



O meu olhar concentra-se num objecto que reconheço como sendo do mundo das plantas, florestal, árvore redonda e já bem idosa partilhando talvez as raizes nodosas de outras irmãs ou cuidando dentro da terra da sua realidade, da sua vida, capaz muitas vezes de ultrapassar a vida humana, gente que conhece bem as árvores, os animais, o mundo em geral.

Rocha de Sousa

Este desafio parece menor: mas eu tenho os olhos cravados nesta tufada árvore (cujo género desconheço) e é certo que este ser tem uma vida misteriosa e silenciosa, trabalhando no interior da terra os mistérios da vida e sabendo beber do solo os nutrientes que tornam a sua existência muitas vezes mais longa do que a nossa, apesar do que sabemos sobre o mundo vegetal, animal, entre continentes e oceanos. Uma árvore é um ser silencioso, que muda com as estações do ano, e que nos acompanha sem protestos nem controvérsias.

Rocha de Sousa

9. Mena M.

Ao olhar a foto da Benó, surpreendeu-me a leveza dos troncos feitos gente, de cabeça encostada à passadeira, a tomar banhos de sol, à espera talvez de alguém que por ali passe e que esteja disposto a dar-lhe dois dedos de conversa.
 
Mena

8. M.

Reconheço à distância o seu corpo de gente recostado nas tábuas do passadiço. É ali o nosso ponto de encontro. Depois da caminhada ao sol escaldante a fugir da agitada vida citadina rodeada de betão e ruído, sabe-me sempre bem descansar um pouco na sombra fresca a conversar com ela. A ambas encanta a partilha de um tempo sem pressas.
M

7. Luisa

Observemos as raízes da árvore: delas saíram troncos viçosos e troncos nús, sem folhas nem flores. Se estudarmos as nossas próprias raízes talvez percebamos melhor quem somos e até onde iremos. Tudo vem dessa gente do passado.

Luisa

6. Licínia

Resistem aos ventos, inclinam-se, dobram-se, aprendem com as serpentes o contorcionismo, tocam o chão, esforçam-se para de novo ganharem o prumo, o alto. Lutam e vivem. O seu reino natural assim o exige. São árvores, nascem no escuro da terra e a grande luz é a sua meta.
Licínia

5. Justine

A vegetação como uma renda em verde e ouro; o mar apaziguado, convidativo; ao longe o promontório protector; o areal como uma cama macia; o estrado de tábua respeitador da natureza. Equilíbrio e beleza são as palavras dentro do meu olhar. 
Justine

4. Jawaa

A força da natureza, caprichos dela ou, mais prosaicamente, instinto de sobrevivência.
 
Jawaa

3. Bettips

Resistem, moldam-se, as árvores. À areia, ao vento, de mãos postas, como que pedindo apenas que as deixem existir.

Bettips

2. Benó

A praia está ali tão perto. A árvore despiu-se para se bronzear. Nua, agita suavemente a sua densa cabeleira amarela para chamar a atenção de quem passa. Gostaria de sair dali, molhar os pés nas águas frescas do mar que vê e ouve, mas está presa à terra onde nasceu e só lhe resta cumprir, da melhor maneira possível, a função que a Mãe Natureza lhe destinou de dar colorido ao caminho para o areal. É a acácia da beira mar.

Benó

1. Agrades

Uma árvore retorcida, em primeiro plano, e ao longe uma praia de areia alva, diz-me que um vento agreste é presença constante e há forte ligação entre ambos. Apesar das agruras, adapta-se à vida possível.

Agrades

quinta-feira, abril 13, 2017

PÁSCOA 2017



Não são ovos nem coelhinhos de chocolate que acompanham os meus desejos de uma Páscoa Feliz para todos vós mas um patinho acabado de nascer a que achei graça.
M  

AGENDA PARA ABRIL DE 2017



Dia 20 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia de Benó.

O DESAFIO DE HOJE

Proposta de Benó
Dia 13 - Reticências com a frase “A dada altura” a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.

12. Zé Viajante



A dada altura, quando eu descia a calçada, a senhora idosa tinha acabado de estender a roupa no pequeno terraço. Depois entrou em casa, talvez a preparar algo. Um pouco depois, na janela da casa, um pequeno lençol preparava-se para receber os raios de sol. 
Zé Viajante

11. Zambujal



A dada altura… estávamos noutro tempo. Estávamos, recuando séculos até a primeira metade do século XV, na comitiva do 4º Conde de Ourém ao concílio de Basileia, passando por Lastra a Signa à beira de Florença, fotografando (com telemóvel!...) a muralha que cerca o povoado e o histórico hospital. 
A dada altura… estávamos noutro lugar. Estávamos, percorrendo milhares de quilómetros, no tempo de hoje, em Ourém, nos Castelos, a pisar o nosso solo e raízes, a ver o que o tal Conde de Ourém levara consigo, na memória e, talvez…, em esquiço porque não tinha máquina fotográfica digital como seria de sua condição se hoje fosse, a admirar o friso que vai resistindo nas paredes do Solar e Torreões. 
Zambujal

10. Teresa Silva



A dada altura sobe-se à Torre de Menagem e avista-se a planície alentejana, do lado de lá do Guadiana. 
Teresa Silva

9. Rocha/Desenhamento



A dada altura, depois de uma espera algo exasperante, vieram abrir-me a porta. Disse o meu nome e esclareci que vinha visitar uma tia que se chamava Josefina. Fui então conduzido para a sala onde estavam as idosas, entre as quais aquela que procurava. Não passei logo da porta: aquilo que via era estranho, as pessoas falavam dos seus lugares e por vezes calavam-se até o silêncio doer. 
Rocha de Sousa

8. M.



A dada altura, quando saía do Museu da Seda em Castelo Branco, reparei na chaminé um pouco inclinada, mesmo ali diante de mim, e pensei como era possível aguentar-se em pé naquelas condições aparentemente instáveis. Resolvi então fixá-la na minha máquina fotográfica antes que se atirasse de vez sobre quem passava na rua. Numa situação dessas, indesejável por todos os motivos, só a cegonha seria capaz de voar e refugiar-se longe mas eu, que só tenho as asas do pensamento, não sei como poderia escapar a tamanha avalanche de tijolos centenários. 
M

7. Luisa



A dada altura do meu almoço na varanda do restaurante, nos primeiros dias de Abril, duvidei se, sem eu dar por isso, tinham sido cortados os restantes meses e estávamos já em pleno Verão. 
Luisa

6. Licínia



A dada altura da passeata, a cor vermelha chamou-me a atenção. As vestimentas dos dois homens, o marco do correio, tudo numa quase simetria. Claro que tirei a foto. Nem os homens nem o marco deram por isso. 
Licínia

5. Justine



A dada altura decidi virar à esquerda, mesmo sem saber onde me levava aquela rua. Em boa hora o fiz, pois tive a oportunidade de me encontrar com a vaca mais civilizada de toda a ilha! 
Justine

4. Jawaa



A dada altura uma gaivota mais atrevida pousou na mesa ao lado, querendo partilhar do nosso pequeno-almoço. 
Jawaa