>

quinta-feira, junho 25, 2015

AGENDA DE DESAFIOS PARA OS MESES DE JULHO E AGOSTO

Descanso do corpo e do espírito. De tanto puxar pelas ideias, bem o merecemos.
Até Setembro!
M

O DESAFIO DE HOJE

Proposta da Mena
Dia 25 - Fotografando as palavras de outros sobre o poema
III

ir à praia beber poemas
como se os meus olhos fossem estufas
onde repousam as lembranças todas
desde as aves mais remotas
até ao murmúrio da água
assim como subir as escadas de um sorriso e perder-me
nas ruas molhadas do quartier latin
Não sei porquê mas havia soldados
e fontes iluminadas de crianças
havia saxofones ambulantes
e lágrimas escondidas na soleira da porta
e eu — amor — encontrei um corrimão direito e châtelet
quando me despenteava pelos bares
foi assim por mais que queiras
que me afoguei naquela manhã de abril.

agora procuro as margens da ternura
onde encontre o teu rio
e fecharei os poemas:
Bonjour!

Porto, 31-5-81
Ângela Marques
circulares
nova renascença
abril/junho
primavera de 1985

10. Zambujal

9. Teresa Silva

8. Rocha/Desenhamento

7. Mena M.



«ir à praia beber poemas
como se os meus olhos fossem estufas
onde repousam as lembranças todas
desde as aves mais remotas
até ao murmúrio da água»

6. M.



«agora procuro as margens da ternura 
onde encontre o teu rio 
e fecharei os poemas:
Bonjour!» 

(Rio Mondego visto do alto de Penacova)

5. Luisa



"...onde encontre o teu rio..."

4. Licínia

3. Justine



 “…e perder-me/ nas ruas molhadas do quartier latin/…” 

(foto de uma rua no quartier latin) 

2. Bettips

1. Agrades

quinta-feira, junho 18, 2015

AGENDA PARA JUNHO DE 2015

Proposta da Mena
Dia 25 - Fotografando as palavras de outros sobre o poema
III

ir à praia beber poemas
como se os meus olhos fossem estufas
onde repousam as lembranças todas
desde as aves mais remotas
até ao murmúrio da água
assim como subir as escadas de um sorriso e perder-me
nas ruas molhadas do quartier latin
Não sei porquê mas havia soldados
e fontes iluminadas de crianças
havia saxofones ambulantes
e lágrimas escondidas na soleira da porta
e eu — amor — encontrei um corrimão direito e châtelet
quando me despenteava pelos bares
foi assim por mais que queiras
que me afoguei naquela manhã de abril.

agora procuro as margens da ternura
onde encontre o teu rio
e fecharei os poemas:
Bonjour!

Porto, 31-5-81
Ângela Marques
circulares
nova renascença
abril/junho
primavera de 1985

O DESAFIO DE HOJE



Dia 18 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia da Mena.

9. Zambujal

O olhar perde-se para além das grades. É uma fixação que vem de tempos idos (e que não voltem!). Mas o olhar é injusto porque as grades não são de quadrícula forte e bruta mas são de linha fina, de renda e floreados e cercadura harmoniosa. Para além do portão vê-se o mar (e ouve-se…), e tropeça-se num cartaz a anunciar qualquer coisa que talvez valha a pena.
Assim, o olhar, depois das recordações sempre presentes, me trouxe as palavras reconciliadoras.
Zambujal

8. Teresa Silva

Que ideia interessante, aprisionar o mar em ferro forjado. Bonita fotografia.
Teresa Silva

7. Mena M.

Deparou-se-me, assim, o mar  atrás de grades, mas foi o meu olhar que nele ficou preso.
Mena

6. M.

Será talvez assim a vida: um portão sedutor que pode abrir-se ou fechar-se sobre o desconhecido, por vontade própria ou por imposição de outros.
M

5. Luisa

Não vivi na época de quinhentos mas atraem-me sempre os portões das quintas desses tempos recuados. E o que lá está guardado. E o que lá se viveu. E os trajes usados. Será que estou deslocada no meu século?
Luisa

4. Licínia

Quantos planos se sobrepõem, se confundem nesta imagem intrigante? Uma sensação de clausura com o sonho ao fundo de um mar imenso. Ou não. Um cartaz que não se sabe o que anuncia, o que avisa. Uma mostra de trajes antigos, talvez. Onde? Quando? A fina renda de ferro do portão cerrado a abrandar a carga dramática da imagem que nos excita a imaginação.
Licínia

3. Justine

Assim deveriam ser todos os portões: apenas um pequeno rendilhado dissuasor, uma leve preservação da intimidade, tudo o resto fica à vista de quem passa! É um portão de quem nada teme ou nada tem a esconder! Mais: o pequeno catálogo até pressupõe um convite a entrar. Aí vou eu…
Justine

2. Bettips

Nas rugas do tempo nas paredes, no reflexo das esperanças no vidro, ao olhar esta foto da Mena, só consigo lembrar-me de Ary: “As Portas Que Abril Abriu”.
Bettips

1. Agrades

Através da bela porta de ferros forjados, vejo o mar, o céu e os sonhos…
Agrades

segunda-feira, junho 15, 2015

AGENDA PARA JUNHO DE 2015



Dia 18 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia da Mena.

O DESAFIO DE HOJE

Proposta da Mena
Dia 11 - Reticências com a frase “Tivesse eu” a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.

10. Zambujal


TIVESSE EU…
Tivesse eu sonhado
Tivesse eu adivinhado
Tivesse eu querido
Tivesse eu podido
Oh!, tivesse eu… sido
Mas apenas sou!
Apenas sou o que sonhei
O que adivinhei
O que quis
O que fiz
ou o que ajudei a ser feito
E dou-me por satisfeito
Vivi!
E vivo estou…
(empedernido… mas vivo!)

Zambujal

9. Teresa Silva



Tivesse eu sabido que iam estar quase 40º em Évora, no sábado passado, e certamente tinha cancelado a visita guiada pela cidade. 
Teresa Silva

8. Rocha/Desenhamento



Tivesse eu percebido o que significava aquela batida no rodado traseiro da última carruagem do comboio e poderia eventualmente haver conseguido atingir a plataforma final, saltando para o lado, porque nem sequer era rápida a marcha da composição puxada pela velha locomotiva. Mas ainda saltei mais à frente, sem grandes lesões ou fracturas. Hoje ainda guardo fotografias ou composições alusivas a graves descarrilamentos de comboios a vapor ou levados por fortes máquina diesel. 
Rocha de Sousa

7. Mena M.



Tivesse eu a sorte de encontrar um anjo que me guardasse as dores da alma, as preocupações do quotidiano e os conflitos familiares, quantos Gigabytes de espaço livre ganharia o meu disco rígido? 
Mena

domingo, junho 14, 2015

6. M.



Tivesse eu visto o seu rosto, quem sabe seria capaz de entender o que lhe ia na alma.
Eu estava por ali e reparei nela à distância. Impressionaram-me o desalinho da sua figura e a total imobilidade em que se manteve durante a hora e meia em que permaneci no jardim. Interroguei-me, e interrogo-me ainda, sobre quais seriam os seus pensamentos. Contemplaria calada, ou até de olhos fechados, o rio da saudade de longínqua terra muito sua? Que pobreza a afligiria? Não sei, não lhe vi o rosto. Talvez estivesse feliz. Talvez lhe bastasse poder sentar-se à beira de um rio azul. Talvez fosse essa a sua única riqueza. Eu vim embora sem nada conhecer da mulher. Ela ficou. 
M

5. Luisa



Tivesse eu um balde grande e levaria este mar para casa. 
Luisa

4. Licínia



Tivesse eu esta idade e esta força e talvez subisse e construísse e o céu me parecesse azul e imaculado e eu não caísse, não caísse... 
Licínia

3. Justine



Tivesse eu talento, e algumas décadas a menos, munia-me de tintas e de todas as outras ferramentas necessárias, subia a andaimes e ia por aí transformar velhas paredes da cidade em obras de arte urbana… 
Justine

(Foto de uma fachada na Fontes Pereira de Melo, junto do Palácio Sotto Mayor.)

2. Bettips



Tivesse eu podido escolher onde passar o terceiro quarto da minha vida, certamente este seria um dos sítios de eleição: apenas entre o campo e o mar, com uma mesa para sentar, sentindo-os. 
Bettips

1. Agrades



Tivesse eu tempo e fome, ia provar se os ossos cozidos eram tenrinhos! 
Agrades

quarta-feira, junho 03, 2015

AGENDA PARA JUNHO DE 2015

Proposta da Mena
Dia 14 - Reticências com a frase “Tivesse eu” a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia. 

O DESAFIO DE HOJE

Proposta da Mena
Dia 4 - Ao jeito de cartilha: Proponho-vos que usemos a sílabaPo” para formar as nossas palavras. O texto que alguns de nós acrescentarmos é facultativo.

10. Zambujal



                       Povo 

                     Povo que lavas no rio… 
                     e vês o tempo passar 
                      (anos e anos a fio…) 
                    O teu dia há-de chegar! 

Zambujal

9. Teresa Silva



                        Poente 

A caminho do poente. 

Teresa Silva

8. Rocha/Desenhamento



Podemos chegar aqui na leveza da corrida, porém seremos logo travados pelo olhar, percepção da beleza do local. 
Rocha de Sousa

7. Mena M.



                          Papo

A encher o papo. 
Mena

6. M.



                          Copo

5. Luisa



                    Povoamento

Construções, por esse Portugal fora, à espera de povoamento. Chamem o D. Sancho I. 
Luisa

4. Licínia



                                                     Poeta

Sofia, no Parque dos Poetas, em Oeiras. Pormenor de escultura de Francisco Simões. 
Licínia                           

3. Justine



                      Povoação


(tabanca, no crioulo da Guiné-Bissau)
A foto é exactamente de uma tabanca na zona de Varela, no extremo noroeste do país.
Justine

2. Bettips



                        Exposição

... de potentes carros de poderosas gentes. O povo anda mais de autocarro, partilhando apenas a cor da alegria na locomoção.

Bettips

1. Agrades



                                 Povoado

quinta-feira, maio 28, 2015

AGENDA PARA JUNHO DE 2015



Dia 18 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia da Mena.

AGENDA PARA JUNHO DE 2015

Proposta da Mena
Dia 4 - Ao jeito de cartilha: Proponho-vos que usemos a sílabaPo” para formar as nossas palavras. O texto que alguns de nós acrescentarmos é facultativo.
Dia 11 - Reticências com a frase “Tivesse eu” a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.
Dia 18 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia da Mena. 
Dia 25 - Fotografando as palavras de outros sobre o poema
III

ir à praia beber poemas
como se os meus olhos fossem estufas
onde repousam as lembranças todas
desde as aves mais remotas
até ao murmúrio da água
assim como subir as escadas de um sorriso e perder-me
nas ruas molhadas do quartier latin
Não sei porquê mas havia soldados
e fontes iluminadas de crianças
havia saxofones ambulantes
e lágrimas escondidas na soleira da porta
e eu — amor — encontrei um corrimão direito e châtelet
quando me despenteava pelos bares
foi assim por mais que queiras
que me afoguei naquela manhã de abril.

agora procuro as margens da ternura
onde encontre o teu rio
e fecharei os poemas:
Bonjour!

Porto, 31-5-81
Ângela Marques 
circulares 
nova renascença 
abril/junho 
primavera de 1985

7. Mena M. (fora do alinhamento porque o avião de Berlim chegou com algum atraso...)




« A boneca, impassível, continuava a vomitar.»

O DESAFIO DE HOJE

Dia 28 - Fotografando as palavras de outros sobre este excerto de um livro de que gostei muito, embora de início me tenha sido estranho: 
«Nani, Nani. A boneca, impassível, continuava a vomitar. Despejaste para o lavatório todo o teu limo, valente. Abri-lhe os lábios, com um dedo alarguei o orifício da boca, deixei-lhe correr para dentro água da torneira e depois agitei-a com força, para lhe lavar muito bem a cavidade sombria do tronco, do ventre, e fazer sair por fim o bebé que Elena lhe introduzira lá dentro. Brincadeiras. Dizer tudo às meninas, desde a infância: elas depois pensarão em inventar um mundo aceitável. Eu própria agora estava a brincar, uma mãe não é mais do que uma filha a brincar, ajudava-me a reflectir.» 
Crónicas do Mal de Amor (A Filha Obscura), Elena Ferrante, Relógio D'Água Editores, Maio de 2014

6. Rocha/Desenhamento



Círculo vicioso imagem reelaborada por Rocha de Sousa

5. M.



«... uma mãe não é mais do que uma filha a brincar...»

4. Licínia



"...fazer sair, por fim, o bebé..."

3. Justine

2. Bettips

1. Agrades

quinta-feira, maio 21, 2015

AGENDA PARA MAIO DE 2015

Dia 28 - Fotografando as palavras de outros sobre este excerto de um livro de que gostei muito, embora de início me tenha sido estranho: 
«Nani, Nani. A boneca, impassível, continuava a vomitar. Despejaste para o lavatório todo o teu limo, valente. Abri-lhe os lábios, com um dedo alarguei o orifício da boca, deixei-lhe correr para dentro água da torneira e depois agitei-a com força, para lhe lavar muito bem a cavidade sombria do tronco, do ventre, e fazer sair por fim o bebé que Elena lhe introduzira lá dentro. Brincadeiras. Dizer tudo às meninas, desde a infância: elas depois pensarão em inventar um mundo aceitável. Eu própria agora estava a brincar, uma mãe não é mais do que uma filha a brincar, ajudava-me a reflectir.»
Crónicas do Mal de Amor (A Filha Obscura), Elena Ferrante, Relógio D'Água Editores, Maio de 2014

O DESAFIO DE HOJE



Dia 21 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia da M.

10. Zambujal

Olho a foto e que vejo (que vêem os meus olhos, e que retenho quando os volto para o teclado)? Uns ramitos desnudados num primeiro plano de uma mansarda, talvez parisiense…, de onde parece ter saído um camião TIR que atravessa um viaduto. E começo a efabular recordações vividas e nunca contadas. Aqui, pelo menos…
Um dia (ou… era uma vez) fazia uma das minhas viagens malucas Zambujal - Bruxelas (e volta), agarrado ao volante e a ouvir uma selecção de CDs. Chegara aos arredores de Paris e a entrada no “periphérique” exigia maior concentração, a todas as horas que todas são “de ponta”. Ao longe e ao alto vislumbro uma indicação a letras garrafais PARIS BRUXELAS; procuro, com as dificuldades sabidas a 100-à-hora, apanhar a faixa da direita, consigo… e, quando levanto os olhos, vejo que a indicação vem de um camião TIR em cima de um viaduto sobre o “periphérique”, engarrafado no trânsito. Ainda procuro corrigir, passar para uma faixa mais à esquerda mas não me deixam!
Fui engolido pelas entranhas de Paris. E foi um sarilho sair delas e recuperar o “periphérique” e a saída norte, para Bruxelas… sem ser de camião TIR.

As palavras que se soltaram de dentro do olhar, ao olhar a sugestiva foto!

Zambujal

9. Teresa Silva

Bonita fotografia. Um jogo de planos muito bem conseguido. Da janela mais alta da casa parece ver-se muito perto o carro que passa no viaduto.As árvores no primeiro plano, embora despidas, dão um certo alento a uma cidade que teve de modernizar-se. O automóvel tornou-se mais importante do que uma casa. É assim o "progresso".
Teresa Silva

8. Rocha/Desenhamento

Reparo no azul do céu, este é um recanto de Lisboa, até sinto as palavras dentro dos olhos. Fotografia de bom zelo no enquadramento, as arquitecturas e ramos de árvore em primeiro plano e em baixo, entre cortes dinâmicos, da bela casa em esquina à não muito longínqua passadeira ao alto, em betão, de acesso à Ponte sobre o Tejo, um telhado por baixo, um muro em aguda perspectiva à direita, as árvores sem folhas no proscénio. E o largo resto da composição, dentro dos olhos, é todo o azul do céu, inteiro como o dia.
Rocha de Sousa

7. Mena M.

Ao olhar esta foto pela primeira vez, tive a certeza de que tinha nevado. O contraste do branco tão puro com o azul do céu deu-me essa ilusão. Serão saudades de um inverno branquinho que não tivemos este ano?
Mena

6. M.

Eu andava pelo bairro lembrando lugares, reconhecendo-os, descobrindo diferenças trazidas pelos anos de ausência, pisando devagar as pedras do caminho que me levava ao liceu onde fui aluna durante cinco anos. A certa altura, ao olhar para cima, reparei no enquadramento da janela entreaberta: o rosa vivo, a parede fechada do outro lado, os ramos secos das árvores, o céu azul, os telhados escondendo vidas, o pedacinho da plataforma da ponte. Parei, o olhar preso lá longe, à espera que algum carro passasse e eu conseguisse captá-lo através da minha máquina fotográfica, apesar da pressa com que se deslocavam, como se, uns atrás dos outros, fugissem de mim. Aprisionei a camioneta, tão pequenina na distância. E pensei: interessante como a distância pode fazer parte do que nos está mais próximo.
Entre a brevidade dos momentos e a permanência me construo e reconstruo. Eu, a adulta de hoje, e a outra eu, a da infância e da juventude. E no entanto sempre eu, fiel companhia que me sustém no mapa da minha existência.
M

5. Luisa

Quando comprei esta casa não imaginava que, um dia, iria acordar com uma camioneta a entrar-me pela janela.
Luisa

4. Licínia

Outrora houve por ali casas e nas casas houve gente que chegava à janela e olhava para o céu onde os únicos passantes eram aves, talvez os pardais da cidade, as andorinhas primaveris, as gaivotas que procuram terra quando a borrasca se avizinha. Muitas dessas casas ainda ali estão, com outra gente nelas, gente que para ver o céu precisa de esticar mais o pescoço, de dirigir os olhos mais para cima, não vão eles esbarrar na estrada que depois apareceu, suspensa em altas pernas, longa, longa, caminhando sobre a terra, sobre o rio, sobre a terra de novo. Os que nela passam, muito alto, muito alto, olham para baixo, para os telhados das casas, para as pessoas pequeninas, para os barcos no rio. Olham, como olham os pardais, as andorinhas, as gaivotas e outros, como eles, passageiros do céu.
Licínia

3. Justine

Um palacete de outros tempos, majestoso e elegante. Um viaduto moderno e desengraçado, por onde rola um camião a cortar o céu. Uma parede cega e um telhado com remendos, disfarçados por uma cortina de árvores no inverno. A beleza e a fealdade numa paisagem urbana…
Justine

2. Bettips

Tantas as pontes, tantas as travessias das nossas vidas. Que, mesmo olhadas de longe, sabemos que existem e as atravessaremos. Com estrépito, com doçura, com lágrimas ou risos, elas estão ali, no olhar ou nos anos, para nos levar a outro lado, em viagem ou em separação.
Bettips

1. Agrades

Olho a foto, bem bonita e enigmática, e vejo um céu imenso e azul, que me quer fazer lembrar o verão; no entanto as ramadas das árvores despidas são indício que a primavera está longe...
Quanto às construções, há-as de materiais e feitura singela a contrastar com outra de elaborada arquitetura e gosto e a ponte, altaneira e segura, lá no alto, que mostra um único veículo a atravessá-la. Aí há gente, que não se vê mas adivinha-se. E as casas, serão habitadas?
Tanta interrogação... 
Agrades

quinta-feira, maio 14, 2015

AGENDA PARA MAIO DE 2015



Dia 21 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia da M.

O DESAFIO DE HOJE

Dia 14 - Reticências com a frase “Restara apenas” a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.

quarta-feira, maio 13, 2015

10. Zambujal



                    Restara apenas 
               aquele pedaço de broa, 
                 e o amigo estava lá. 
Para registar o momento… e encher o copo (para desembuchar!). 
    Depois, mandou a foto que, agora, fotografada, 
serve para lembrar o momento e para cumprir a lembrança PPP. 
Zambujal

9. Teresa Silva



Restara apenas esta Igreja daquilo que fora a aldeia da Faia, a primeira aldeia a ser inundada para fazer uma barragem, nos longínquos anos 60 do século passado. Construíram uma nova aldeia e as pedras foram trazidas e colocadas de forma a ficar um templo igual, segundo informação de populares.
Teresa Silva

8. Rocha/Desenhamento



Restara apenas os destroços da minha rua, na cidade de Homs. Hoje sinto saudades daquele jardim onde brincávamos com franqueza e risadas. Estou longe da minha rua, as pedras envelhecem ao longe.
Rocha de Sousa

7. Mena M.



Restara apenas parte do desenho deste lindo azulejo, gasto quiçá pelos pés das crianças que há vários séculos brincam nos bancos do jardim do palacete da Quinta do Peres no Monsanto.
Vi-o e fotografei-o no passado sábado, quando lá fui levar as meninas a uma festa de anos de uma amiguinha da escola. 
Mena

6. M.



Restara apenas o cabo do guarda-chuva. Dias antes, um vendaval desabrido arrancara-lhe das mãos a haste com as varetas e arrastara-as pelo ar enroladas no tecido preto rasgado, ao encontro das nuvens cinzentas que corriam apressadas sobre a sua cabeça. Resolvera então pendurá-lo na geringonça instalada no exterior do teatro, talvez alguém achasse graça àquele ponto de interrogação ou encontrasse nele algum simbolismo. Não é o teatro um espaço de permanente reflexão sobre a vida, expressa das formas mais diversas? 
Felizmente o sol abrira-se um pouco a meio da manhã apaziguando com a sua presença os temperamentais assomos outonais. Hoje até podia fumar o seu primeiro cigarro ao ar livre sem se preocupar com imprevistos climáticos. Não o acabou, alguém lhe falava ao ouvido, o tal sensato do costume, um sensaborão. Não estranhou o sussurro, estava habituado a conviver com várias personagens dentro de si. Mergulhou a beata na água de uma das taças abandonando-a à curiosidade de algum pardalito que ali pousasse a refrescar-se. Antes escorrega de bebedouro do que beata!, pensou. Sorriu, divertiam-no os diferentes significados que as palavras podem ter. Sentindo-se mais relaxado depois do breve intervalo, entrou no edifício. Na sala, os outros actores esperavam-no para ensaiarem em conjunto a peça de teatro que assinalava o quadragésimo aniversário da companhia. 
M
(Em novembro de 2011, acompanhei uns amigos na visita à sede do Grupo de Teatro o Bando em Vale de Barris, Palmela, onde tirei esta fotografia por achar graça ao recanto.)

5. Luisa



Restara apenas da quinta da minha infância uma parede esburacada e sacadas a abrirem para o nada. 
Luisa

4. Licínia



RESTARA APENAS... 
... a lembrança das vozes das crianças no pátio da escola, paredes meias com a formosa quinta. Das flores, assim chamada. Viva, a memória das devassas inocentes da propriedade, aproveitando a velhice do portão. À saída da escola, no fim do Inverno, os renques de camélias, vermelhas, brancas, bicolores, atraíam as mãos das meninas, corpito esticado, em bicos de pés, ofegantes do prazer proibido. Os meninos, mais corpulentos, mais afoitos, alongavam os passos, carreiro fora, e iam à colheita das laranjas. Sobejas vezes, o latido de um cão matara a ousadia e fora um pernas-para-que-vos quero, laranjas pelo chão, talvez uma na mão e outra já presa nos dentes, o raio do cão havia de as pagar.
- Tanta coisa mudou na Quinta das Flores, disse ela. Ainda lá estão as camélias, as laranjas também. Não há o cão, mas os miúdos não se afoitam, como dantes, pelo caminho rente ao muro, até porque um arame farpado ameaça agora atrevimentos.
Por muito que se tivesse esforçado, não conseguira perceber porque é que a escola já lá não estava. Mandaram-na embora. Talvez já não prestasse. 
Licínia

3. Justine



Restara apenas, da sua visita na véspera, o silêncio e aquele ramo de jarros. Quando de manhã chegou à sala, foi difícil recordar a discussão contida, os gestos indiferentes, os olhos de ausência. Nada mais tinha para guardar. Quando a porta se fechou nas suas costas, de toda uma vida restara apenas o silêncio e aquele ramo de jarros… 
Justine