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quarta-feira, Abril 09, 2014

AGENDA PARA ABRIL DE 2014



Dia 17 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia da Mac.

O DESAFIO DESTA SEMANA

Dia 10 - Reticências com a frase “As cores” a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.

12. Zambujal



As cores... são as armas do pintor, como as palavras são as armas do escritor. 

Zambujal

11. Teresa Silva



As cores são, por vezes, difíceis de combinar. Perante uma tela em branco há sempre uma primeira hesitação: escolher uma harmonia monocromática, usar cores primárias ou secundárias, complementares ou contíguas. A paleta é quase infinita e o melhor é começar por escolher uma cor; as outras surgem de forma quase espontânea. Depois é só deixar fluir o gesto e, de repente, o quadro está terminado. No final do processo faz-se uma fotografia, para constar do arquivo. 

Teresa Silva

10. Rocha/Desenhamento



As cores revestem tudo o que é e acontece no mundo. São reflexo das radiações do espectro solar, reflectidas pelas matérias que visitam, as matérias e os seus elementos constituintes. Mas, para além disso, as cores são também respostas subjectivas da nossa mente aos estímulos do real, no interior das nossas manipulações sensíveis, da nossa cultura visual, das diferenças simbólicas entre os objectos de todo o género e substancialmente em face dos espaços da flora, com as flores, em particular. A fotografia da flor aqui proposta abarca diversos aspectos simbólicos e até a sua próxima morte a aproxima de um destino que nos toca, natural e incontornável.

Rocha de Sousa

9. Mac



As cores saíram à rua num dia assim... 

Mac

8. M.



As cores que nos agarram e dão textura à existência. 

M

7. Luisa



As cores das férias que tanto desejámos aparecem com os primeiros sinais da primavera. O verão está próximo. 
Luisa

6. Licínia



As cores do pintor são como palavras que vão dizendo, afirmando, ocultando, expondo o enredo da tela, o discurso mais ou menos óbvio que a nossos olhos se apresenta. E de todas e por todas se faz o branco que abre janelas, ilumina, encandeia, acende, deslumbra. 
Licínia

5. Justine



As cores variavam, de acordo com a inspiração da artesã, cingindo-se contudo a uma paleta pré-determinada. Os paus de incenso chegavam-lhe à banca de trabalho já preparados: era só mergulhá-los nos banhos de cor, armá-los em leque para que secassem mais depressa, e pô-los no expositor, bem à vista de quem passasse. 
Mais tarde, alguns seriam comprados por crentes, para serem queimados nos templos. Outros seriam levados na bagagem do turista, para recordar alguma da beleza encontrada nas margens do rio Mekong. 
(foto tirada de facto numa aldeia do delta do Mekong)

Justine

4. Jawaa



As cores pousam nos espaços e teimam em alegrar o dia nublado. 

Jawaa

3. Bettips



As cores … do arco-íris são apenas um fenómeno óptico do espectro da luz do sol, decompondo-se ao incidir sobre gotas de chuva. A curiosidade levou-me além desta ideia inicial aprendida há recuados anos. Se olharmos o mesmo arco-íris de lugares diferentes, cada um verá “o seu arco-íris”. 
Assim, ali em frente era o meu, particular: o mesmo sol, no espaço onde estou, na cidade onde vivo, num arco do tempo com duas extremidades. E um espelho.
Das idades do vermelho, laranja, amarelo, verde, anil e violeta.
Bettips

2. Benó


As cores fortes que CLAUS VON OERTZEN pôs nesta obra transmitem-nos a musicalidade das óperas e oratórias de Schubert ou Schumann que este músico/pintor de origem alemã tão bem interpreta. Nas suas pinturas existe música assim como o seu canto é rico em tonalidades, “Enquanto a música é momentânea, a pintura perdura”, diria von Oertzen, que residiu algum tempo no algarve.
Esta tela intitulada “Religioso” fazia parte da coleção SONS PINTADOS exposta no Centro Cultural de Vila do Bispo em 2000. Foi aí que a adquiri e desde então, o seu colorido adorna uma das paredes da minha sala transmitindo-me calor e música. 
Benó

1. Agrades



As cores mexem connosco. Falar, novamente, no destino dos Mirós, causou este efeito. 
Agrades

quinta-feira, Abril 03, 2014

AGENDA PARA ABRIL DE 2014

Dia 10 - Reticências com a frase “As cores” a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.

O DESAFIO DE HOJE

Dia 3 - Ao jeito de cartilha: Proponho-vos que usemos a sílabaTe” para formar as nossas palavras. O texto que alguns de nós acrescentarmos é facultativo.

11. Zambujal



                     
            TEma (ou moTE):
    A cultura inTEgral do indivíduo 
    “Se não TEmo o erro é porque        
estou sempre pronto a corrigi-lo” (BJC)

Zambujal

10. Teresa Silva



                       Interiores

9. Mac



               Raptar-te

8. M.



                       Corrente

7. Luisa



                         Tecendo

Tecedo com os dedos.

Luisa

6. Licínia



                     Contente 

ContenTE por ver um poema meu incluído nesta antologia de poetas contemporâneos do nosso país e de outros. Partilho foto do objecto do meu contentamento. 
Licínia

5. Justine



                       Telúrico

Foto de uma formação arenosa em Porto Santo.

Justine

4. Jawaa



                          Temo

Temo que a chuva intensa desta Primavera possa derrotar o fulgor das rosas.

Jawaa

3. Bettips



                      Teleférico

Ali estava a ponte móvel que corria entre os fios, num vaivém. Vazio de turistas e aguardando melhores dias. O teleférico moderno, unindo o baixo e o alto da velha Gaia, olhando de cima as ruas tortuosas dos pobres antigos, sobre os telhados dos pescadores, de armazéns das caves centenárias, de construções de novos ricos. Ia-se à Afurada ao peixe e aos arraiais de pé ligeiro na chinela. Lá em cima, estamos de novo enganados no tempo: já ninguém vende o sável que não lhe chame “gourmet”.
Bettips

2. Benó



                         Ténis                 

Companheiros de longas caminhadas estão agora na prateleira num descanso forçado.

Benó

1. Agrades



                        Tédio

quinta-feira, Março 27, 2014

PARTILHA A PROPÓSITO DA AGENDA DE ABRIL

Na introdução do livro A História de Murasaki, Liza Dalby, a sua autora, escreve:

«Em japonês um conto, monogatari, significa história – contar coisas, literalmente. Pode haver num conto uma sólida trama factual mas, como género, é considerado ficção. O conto mais famoso de toda a lietratura japonesa é a longa História de Genji (Genji Monogatari), escrito no século XI pela dama da corte, Murasaki Shikibu.
A autora dessa obra extraordinária é o tema de A História de Murasaki. A partir do fragmento histórico que é o diário reconstituí um livro de memórias imaginárias, como quem coloca os fragmentos originais num recipiente de barro moderno – fiz uma espécie de arqueologia literária. A forma dos fragmentos determina a estrutura do vaso, por isso o meu conto tem a forma de um diário poético, género literário muito praticado no tempo de Murasaki. E, embora o material de reconstituição seja novo, misturei-o com a sensibilidade, crenças e preocupações do século XI.
Os poemas são todos de Murasaki ou das pessoas que ela envolveu no diálogo poético. A poesia, na forma fixa intitulada waka (precursora do haiku), era o principal meio de comunicação entre os homens e as mulheres do círculo de Murasaki. Na colectânea dos seus poemas, os waka têm muitas vezes títulos breves, sinais que sugerem as circunstâncias em que foram escritos. Foi com esses sinais que eu construí a minha história.
Imaginei Murasaki no final da vida a escrever estas memórias, que foram encontradas depois da sua morte pela filha, Katako.»

AGENDA PARA ABRIL DE 2014



Dia 17 - Com as palavras dentro do olhar sobre esta "perigosa" fotografia da Mac.

AGENDA PARA ABRIL DE 2014

Dia 3 - Ao jeito de cartilha: Proponho-vos que usemos a sílabaTe” para formar as nossas palavras. O texto que alguns de nós acrescentarmos é facultativo.
Dia 10 - Reticências com a frase “As cores” a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.
Dia 17 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia da Mac.
Dia 24 - Fotografando as palavras de outros sobre este poema de grande beleza e frescura de que gosto muito

De que aldeia será o cantor que chilreia em tom primaveril,
junto a uma casa ainda envolta em névoa?

A História de Murasaki, Liza Dalby, Gótica, 2000

O DESAFIO DE HOJE

Dia 27 - Fotografando as palavras de outros sobre o poema de Sophia de Mello Breyner Andresen. A beleza das suas palavras sempre.

FINAL

Mas na janela o ângulo intacto duma espera
Resolve em si o dia liso. 
  
Obra Poética (Coral, Segunda parte, IV, Final), Sophia de Mello Breyner Andresen, Editorial Caminho, Outubro de 2010

10. Zambujal

9. Teresa Silva

8. Mac

7. M.

6. Luisa

5. Licínia

4. Justine

3. Bettips

2. Benó

1. Agrades

quinta-feira, Março 20, 2014

AGENDA PARA MARÇO DE 2014

Dia 27 - Fotografando as palavras de outros sobre o poema de Sophia de Mello Breyner Andresen. A beleza das suas palavras sempre.

FINAL

Mas na janela o ângulo intacto duma espera
Resolve em si o dia liso.
 
Obra Poética (Coral, Segunda parte, IV, Final), Sophia de Mello Breyner Andresen, Editorial Caminho, Outubro de 2010

O DESAFIO DE HOJE



Dia 20 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia da M.

Achei imensa graça aos vossos textos inspirados na minha fotografia. Realmente os nossos pensamentos são muito irrequietos e surpreendem-nos sempre. Se calhar até entre eles, na roda viva em que andam, se surpreendem. Deve ser um bichanar...
Obrigada a todos.
M

10. Zambujal

CADEIRAS ENTRE 2 TABULEIROS

As cadeiras, assentes nas suas quatro pernas, e sem terem quem nelas se (as)sentasse, puseram-se a conversar. Para passar o tempo...
Até que uma, ao olhar ao redor, o chão e a parede mosaicados em quadrados pretos e brancos, teve uma ideia "... e se nós aproveitássemos a folga e as quadrículas, e fossemos jogar uma xadrezada?"; vai daí, outra disse "boa ideia!... mas essa coisa do xadrez é muito complicada ... talvez às damas..."; logo uma mais rabitesa veio de pronto resmungar "... ao xadrez, às damas!... cadeiras a jogar, a imitarem quem nelas s'assenta!, onde é que já se viu?, só de cadeiras tontas...".
Nenhuma lhe ligou, embora a da ideia tivesse ficado um bocadinho sentida (cadeira que não se sente não é filha de boa gente, não é verdade?...), e começaram a organizar um torneio. A formar equipas e, curiosamente, todas queriam ser do Boavista, por ser axadrezado.
No entanto... no entanto, antes de iniciarem o torneio, ainda houve uma cadeira que se levantou do assento e colocou uma questão pertinente: "jogamos no chão ou na parede?".
Ficaram perturbadas. Ao chão não chegavam por causa das pernas altas, na parede, o tabuleiro ficaria torto e até as rodelinhas brancas e pretas que podiam fazer de conta que eram damas escorregariam... quanto mais com reis e rainhas, e bispos, e torres, e cavalos, e os peões, todos aos saltos e a comerem-se uns aos outros.
Ainda tentaram - só com as damas... - mas foi uma confusão ao quadrado, isto é, aos quadradinhos. Ensarilharam as pernas todas, as de umas nas de outras, e ficaram num monte. À molhada, como se costuma dizer. Mas quem disse a última palavra foi a rabitesa resmungona que disse "... eu não vos disse, suas cadeiras tontas?!" 
Zambujal

9. Teresa Silva

Esperava-se um jogo de xadrez muito participado, mas afinal não apareceu ninguém. Seria por ser um jogo difícil, que obriga a pensar, coisa que dá muito trabalho? Seria por medo de enfrentar o adversário? Seria simplesmente porque estava frio e não apetecia sair de casa? Não tenho resposta, mas foi pena. O chão brilhava, as cadeiras e mesas estavam no seu melhor e até pareciam confortáveis. A imagem era perfeita, não a quiseram aproveitar. 
Teresa Silva

8. Mac

ANÚNCIO: 
Cadeiras vazias e ao abandono procuram quem as queira ocupar.
PS: E no xadrez da política, a sede de jogar o jogo das cadeiras é imensa...

Mac

7. M.

Desalento. Claustrofobia. Confusa a geometria do espaço, perturbante a composição dos azulejos repetida até à exaustão no chão e na parede, pouco significativa a posição dos quadrados para marcar a diferença, apenas uma ligeira rotação dissimulando a semelhança. O ambiente é fechado, restritivo. Onde encontrar a linha do trilho? Onde pousar os passos? Onde apoiar a vida? Que fazer com a ilusão? Como destruir a aresta do tédio? Onde soltar a frustração?
Debruçam-se corpos anónimos sobre mesas frias, hirtos, lívidos, juntos na solidão silenciosa de cada um. Em que lugar aquecer o olhar se o céu parece enclausurado dentro de um triângulo? Em que Universo te escondes, ó sol? 
M

6. Luisa

O jogo acabou. Levantam-se em alvoroço os apoiantes das peças brancas. 
Ficou por terra o Rei negro no seu limitado percurso de um passo de cada vez. Não conseguiram protegê-lo as Torres correndo horizontal e verticalmente pela fronteira, nem os Bispos em seus passos diagonais, nem os Cavalos com saltos bruscos e imprevisíveis.
Os Peões fizeram o seu dever, sempre em frente, sem nunca poderem recuar.
Nem a Rainha, a toda poderosa na liberdade de movimentos em todo o tabuleiro, o conseguiu salvar.
Arrumam-se as peças até um próximo conflito.
Luisa

5. Licínia

Pode ser insuportável, o rigor, a perfeição, quando tudo é previsível, contido, exaustivamente repetido, nos limites da sua contenção. Algo que desarrume, que estremeça, é o que se deseja, que até os anjos mudam penas, cansados da pureza. Do rigor me cansei olhando a foto, e desejei um pequeno sinal da instalação do caos. Vendo bem, encontrei-o. Aquele recorte no canto, em cima, à esquerda de quem olha, a quebrar a repetição impenitente da quadrícula. Ah bom, por cima dele podemos até inventar um pedaço de céu, temeroso embora de se mostrar azul. 
Belíssima foto que me fez desvairar.
Licínia

4. Justine

A matinée esteve animada. Muitas meninas casadoiras, acompanhadas pelas mães, claro. Muitos rapazes de boas famílias, fumando no bar, a ganhar coragem para a aproximação. O conjunto musical cumpriu a sua missão, e a direcção do Clube Cultural e Recreativo ficou satisfeita com a iniciativa. Nem custou nada, no final, pôr o belo chão de mosaico antigo a brilhar como novo, e sossegar as cadeiras que, com tanto movimento, pareciam querer ainda continuar a dança. Para o próximo mês haverá mais!
Justine

3. Bettips

Naquele tempo de Maio, ao fim do dia, os homens sentavam-se aos pares, frente a frente, junto às soleiras das portas, abriam um cartão (assim como estes desenhos do chão e das paredes. Gente pobre não tinha "tabuleiro", era um cartão dobrado a meio e uma caixita com as "damas". Pelo menos é como me lembro) e arranjavam as “damas” nos seus quadrados pretos e brancos. As mulheres de avental, a Custodinha, a Alice, a Sarinha, a Lurdes... arranjavam os chicharros ou as sardinhas na pia comum, com um olho no peixe, outro nos seus homens. 
As crianças jogavam “a patela” com um tacão velho de borracha, traços a giz no chão de lajes desiguais: eu com os dois olhos presos à magia do jogo, aos esgares dos jogadores, de como “se comiam” em cruzamentos indefiníveis para mim, toc-toc-toc.
O xadrez dos quadrados e todas as cadeiras vazias me trazem a imagem da ausência dessas tardes de Maio. Dos entretimentos simples, das vizinhas com os seus destinos e da minha ignorância das regras do jogo. Da vida.
O jogador que conseguir cercar ou capturar o inimigo ganha a partida”.
Bettips

2. Benó

Ao olhar para a foto que nos é apresentada relembro os belos anos 50/60.
Aparecera a mini-saia, as botas brancas ou vermelhas, capas para a chuva, chapéus de chuva, tudo de matéria plástica brilhante. Courrèges, um estilista francês, impunha-se no meio da moda com o lançamento do estilo minimalista, com desenhos geométricos onde o branco reinava contrastando com o azul ou o preto. Lembro o meu vestido azul, feito num tecido brilhante, baínha por cima do joelho, com o decote e as cavas debruadas a branco e uma larga risca de cima a baixo, na mesma cor. 
Era eu uma “teenager” e tinha um “gilet” de losangos.
Benó

1. Agrades

Olho, com atenção, e o que vejo?
Linhas, que convergem sempre longe; cores, preto e branco e cinzento, tão específicas, tão significativas; cadeiras vazias, arrumadas... Esperam alguém? Será que as cadeiras esperam por homens cinzentos, de cabeças quadradas, para discutir problemas bicudos?
Ou viúvas, vestidas de negro, a relembrar passados?
Talvez aguardem jovens, vestidos de branco, para festejar a sua juventude... 
Agrades

quinta-feira, Março 13, 2014

AGENDA PARA MARÇO DE 2014



Dia 20 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia da M.

O DESAFIO DE HOJE

Dia 13 - Reticências com a frase “Um pouco” a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.

10. Zambujal

 

um pouco mais de sol *
um pouco menos de chuva e de vento
um pouco mais de mim…
e fotografarei este ano, de novo,
          esta(outra) rosa 
          neste mesmo recanto
* diria o Mário de Sá-Carneiro…
 
Zambujal

9. Teresa Silva



Um pouco de luz, mesmo que seja de um candeeiro a petróleo, é suficiente para iluminar um recanto. Podemos voltar um século no tempo e acaba-se a conta da electricidade. 
Teresa Silva

8. Rocha/Desenhamento



Um pouco ao acaso, cortando o capim à esquerda e à direita, o avanço rasga a vereda escassa que nos permitirá alcançar o outro lado deste espaço sem árvores e regressar pela tardinha. Depois de uma exploração sem sucesso, voltámos devagar, confiantes mas já a sentir cansaço: um pouco… 
Rocha de Sousa

7. M.



Um pouco insólita me pareceu a presença daquela rapariga à janela. Imóvel, não sei se agastada se pensativa, aparentemente decepado o corpo pela cintura. O que não me admiraria, pois a guilhotina foi expediente de franceses de outros tempos para resolver problemas de poder e esta menina estava em terras de França. Sim, eu sei, neste caso não se terá passado exactamente da mesma maneira. Ao contrário do acto sanguinário de então, sobreviveram incólumes a cabeça e parte do tronco, sendo a persiana, plástica, suponho, um meio de amputação menos pesado. Mas o melhor é considerar hipóteses mais lúdicas, como por exemplo habilidades de mágico cortando o corpo da assistente de sorriso confiante, para logo depois o recompor perante a perplexidade dos espectadores. Enfim, os pormenores da concepção e execução da obra pouco me importam. O que realmente lamento é não ter conhecido o seu autor para lhe confessar o meu apreço pela genialidade da ideia e pelo simbolismo que nela encontro. Por vezes, separar a cabeça da estrutura de que faz parte permite uma certa libertação do pensamento. 
M

6. Luisa



Um pouco de azul, um pouco de verde, um pouco de sol. Será que vencerão a nuvem ameaçadora de tempestade? Essa é a nossa esperança. 
Luisa

5. Licínia



Um pouco do cinema paraíso é o que nos é dado numa visita à Cinemateca. Dei com este cartaz e logo à memória me acudiu o rosto untuoso do Peter Lorre e a sua marca M com que assinalava o destino das vítimas. Tamanha a arca das nossas lembranças de uma idade menor, que julgamos apagadas, e que, num relance, se avivam, se exibem, no novo écran da nossa vida de hoje, de outros filmes, outras fábulas, outras marcas. Intenso e impensável o filme da nossa vida. 
Licínia

4. Justine



Um pouco mais de paciência, vá lá! Esperámos três meses para que as árvores acordassem e nos oferecessem estas pequenas luzes coloridas. Agora é só esperar mais uns tempos, breves e leves, para assistirmos ao milagre completo: veremos as luzinhas coloridas transformarem-se, pouco a pouco, em frutos carnudos e suculentos. Um pouco mais de paciência, vá lá! 
Justine

3. Bettips



Um pouco... de imaginação, de vontade mais afoita, e atravessaríamos a ponte que nos levaria a sul.
Tanto chegaríamos ao lado solar dos outros como à serenidade de nós mesmos. Trocaríamos as pedras pela planura.
Mas ficámos, mais parecidos nas interdições com o texto de “Na Praia de Chesil” do que com a imensidão liberta e azul que não conquistámos. 
Bettips

2. Benó




Um pouco da beleza da ria Formosa registada nesta foto obtida em Cabanas de Tavira numa inesquecível tarde do último dia de Janeiro do corrente ano. 
Benó

quarta-feira, Março 12, 2014

1. Agrades



Um pouco mais, não se lhe pode pedir! Equilibra-se, apenas, numa pata... 
Agrades

quinta-feira, Março 06, 2014

AGENDA PARA MARÇO DE 2014

Dia 13 - Reticências com a frase “Um pouco” a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.

O DESAFIO DE HOJE

Dia 6 - Ao jeito de cartilha: Proponho-vos que usemos a sílabaCan” para formar as nossas palavras. O texto que alguns de nós acrescentarmos é facultativo.

11. Zambujal



                        Recanto

                                       reCANto

                                   Do meu CANto
                                 CANto e reCANto
                                     o enCANto
                                     enquanto…

                               Zambujal

10. Teresa Silva



               Candeeiros

Ainda há uma tonalidade de pôr-do-sol mas os candeeiros já se acenderam, numa antecipação da noite.

Teresa Silva

9. Rocha/Desenhamento



                   Cantando 

Cantando e rindo, festa de outros tempos, outros cantares, outras marchas, música e silêncio, passo a passo, até ao acantonamento.

Rocha de Sousa