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quinta-feira, abril 19, 2018

AGENDA PARA ABRIL DE 2018

Proposta de Teresa Silva
Dia 26Fotografando as palavras de outros sobre o soneto
No mundo, poucos anos e cansados
vivi, cheios de vil miséria dura;
foi-me tão cedo a luz do dia escura
que não vi cinco lustros acabados.

Corri terras e mares apartados,
buscando à vida algum remédio ou cura;
mas aquilo que, enfim, não quer ventura,
não o alcançam trabalhos arriscados.

Criou-me Portugal na verde e cara
pátria minha Alenquer; mas ar corrupto,
que neste meu terreno vaso tinha,

me fez manjar de peixes em ti, bruto
mar, que bates na Abássia fera e avara,
tão longe da ditosa pátria minha!
Obras completas de Luís de Camões, Lello & Irmão - Editores, Porto, 1970

O DESAFIO DE HOJE



Dia 19 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia de Teresa Silva.

10. Teresa Silva

Gosto imenso do espectáculo de fogo de artifício. Este foi realizado sobre a Pateira de Fermentelos.
Teresa Silva

9. Rocha/Desenhamento



Olhamos em volta com os olhos cheios de imagens. Tudo o que passa por nós, em mobilidade visual, passa também por escolhas feitas pelo nosso  sistema  neurológico, consoante  as  memórias e novas apresentações: escolhemos o  todo, partes mais sugestivas, tudo se vai guardando nas  especiais  estruturas  do  nosso  cérebro.  É  neste  sentido  que  podemos falar sobre o já visto ou o que estamos a ver. A fotografia que Teresa Silva nos propôs reproduz um objecto explosivo, brilhante, que se envolve de fumos luminosos ou iluminados e  se abre em leque, para o ar, através de projecteis incandescentes. Julgo tratar-se de um momento de alguma sessão pirotécnica, em plena noite (o espaço  em volta  aparece azul escuro) e assim convocando o nosso olhar enquanto dura, derramando na nossa memória visual mais um efeito que juntamos a outros, lembrados de aqui e de além. Assim se tenta festejar uma data, um acontecimento, um ponto remoto da história. 
Rocha de Sousa     

8. Mónica

Gosto do fogo de artifício, gosto do convite vamos ver o fogo?, das luzes, das cores, dos desenhos no ar, do barulho, ai, pum pum fssss pum pum, da festa na rua com desconhecidos, levo a máquina fotográfica, gosto da sofisticada mistura do fogo de artificio com musica, da alegria que nos contagia e une, estamos juntos felizes de pescoço levantado a boca aberta e o olhar no céu, devíamos olhar mais vezes para o céu, é uma tentação fotografar, fotografo ou vejo?, agora aquele, tarde demais já vi e não fotografei, olha outro, pronto já me distraí, perdi a sequência, espero que gostem da fotografia e que sintam a minha felicidade no momento. Foi assim Teresa?
Mónica

7. Mena M.

Uma supernova foi o que me surgiu no pensamento no primeiro olhar sobre a fotografia da Teresa. Só mesmo uma estrela para sair de cena de forma tão espectacular, tornando-se, por uns dias, tão brilhante como uma galáxia!
Mena

6. M.

Fogo de artifício, o desafio de colorir a noite com arte. E a propósito de arte, pensei que esta imagem poderia inspirar estilista famoso em processo de criação. Esboços, traços, vigorosos uns, mais discretos outros, imaginado o tecido, os pormenores. Talvez preto macio, o estampado com matizes a realçarem o desenho. Recomenda-se uma amostra que permite dar ideia do conjunto, é prática habitual no atelier. Resultou exactamente como previsto, as cores fiéis às originais, vivas, luminosas, em movimento. Encomende-se então os metros necessários para confeccionar um vestido. Peça única e assinada, exigência da cliente. Perante a obra acabada e experimentada, surgem perguntas e observações. Gosta? Realça-lhe a silhueta. Ela olha-se no espelho grande pendurado na parede: o brilho do seu sorriso é um adereço da toilette. Um verdadeiro fogo de artifício em noite de celebração.
M

5. Luisa

Efémera alegria como tudo na vida.
Luisa

4. Licínia

O fascínio dos artefactos de fogo, os das festas e romarias, que estralejam e nos abrem os olhos de espanto como pela primeira vez, quando crianças. É a procissão que vai sair, é a procissão que vai entrar, é o ano que aí vem, é a alegria, é a alegria, pum! pum! Viva o foguetório, é aproveitar a festa que o dia de amanhã ninguém o sabe. ESTRALÉU! ESTRALÉU! ZZZZZ! ZZZZ! PUUUUMMMM!
Licínia

3. Justine

Uma grande festa, certamente, pois apenas as grandes festas são abrilhantadas com fogo de artifício. Ou uma passagem de ano, que se convencionou festejar como se fosse a única maneira possível de se preparar o ano a nascer. O que quer que seja, é o ponto alto de uma celebração e a fotografia da T. ilustra muito bem esse momento. E a observadora, inevitavelmente, relembra os terrores infantis que sofria em momentos como este…
Justine

2. Bettips

"Fogo na Noite Escura" foram as palavras que me ocorreram. Fernando Namora, 1ª edição em 1942. Lembro-me vagamente da história, da vida académica em Coimbra e do conceito do livro, de tantos livros deste autor, tão actual através das décadas: iluminando os "fazedores da noite".
Bettips

1. Agrades

Sobre a foto de hoje, vem-me à cabeça os Adiafa, que dizem: 
«Estala a bomba e o foguete vai no ar
arrebenta e fica todo queimado…»
Agrades

quinta-feira, abril 12, 2018

AGENDA PARA ABRIL DE 2018



Dia 19 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia de Teresa Silva.

O DESAFIO DE HOJE

Proposta de Teresa Silva  

Dia 12 - Reticências com a frase “Alta ia a noite a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.

9. Teresa Silva



Alta ia a noite mas, na outra margem (da Pateira de Fermentelos), ainda nem tudo dormia. 
Teresa Silva

8. Mónica



Alta ia a noite e os pensamentos não me largavam, fixei o luar pelas frinchas do estore, à procura de algo que me distraísse, olhei para o teto a segurar o candeeiro, percorri lentamente os armários um a um descombinados, o espelho inútil atrás da porta, nada, alta ia a noite e sem dormir, ahhh as paredes, amigas da onça, dão guarida a criaturas grotescas, são elas que me atormentam o sono! 
Mónica

7. Mena M.



Alta ia a noite, a temperatura também, nem dava para acreditar que estávamos em Santa Cruz. Já não faltava muito para o novo dia raiar, quando nos pusemos a caminho de casa. 
Mena

6. M.



Alta ia a noite. Aproximei-me da janela. Na rua, um silêncio de breu escondia estrelas e brilhos. Ao longe, nuvens pesadas ameaçavam desabar sobre presenças fugidias em busca de refúgio nas casas à beira dos passeios. Fechei a persiana, corri as cortinas. Virei-me para dentro. Acendi a luz do candeeiro da sala e recostei-me nos meus pensamentos. 
M

5. Luisa



Alta ia a noite e eu, sem sono, a deambular pela praia.
Luisa

4. Licínia



Alta ia a noite, raros os carros a descerem a rua, recolhidas as pessoas em suas casas, talvez a darem uma última arrumação na cozinha, talvez a procurarem o sono num programa tardio da televisão. Havia a calma de uma noite morna de Verão. Saí a porta, atravessei a rua, levava comigo a máquina de fotografar. Os candeeiros, fogachos de luz, a espaços, rua acima, a pontuarem a noite, foram eles que guardei na máquina, que guardei na memória. Há sempre uma qualquer imagem que guardamos duma noite que vai alta, tranquila, morna, iluminada, como esta. 
Licínia
(A história da foto é esta, tal e qual.)

3. Justine



Alta ia a noite quando terminou o fogo de artifício. A criança, cansada, seguia agarrada à mão do pai, a chorar e ainda assustada. Era assim todos os anos, pela festa da cidade. Quantos anos mais teria ainda de padecer, até se acostumar aos trovões violentos dos foguetes, às faúlhas aterradoras do fogo a caírem-lhe em cima? Teve de esperar quase uma vida inteira.
Hoje, a velha senhora já consegue apreciar uma noite iluminada por um colorido fogo de artifício sem se encolher com medo. Mas não esquece os seus terrores infantis. 
Justine

2. Bettips



Alta ia a noite e mais alta ficou porque se resolveu ir seguindo o eclipse total da Lua, desde a 1h até às 3h da madrugada. E que belo espectáculo, num lugar tranquilo, de largos horizontes e com pouca luz artificial. Vinham-nos à memória as figuras ingénuas dos livros de liceu, de como percebemos a posição dos astros e "o cone de sombra" que, afinal, era projectado por nós todos, com mares e terras, defeitos e virtudes: a Terra. 
Bettips

1. Agrades



Alta ia a noite quando espreitei o céu e vi este espetáculo. 
Agrades

sábado, abril 07, 2018

A TAL PINTURA QUE A MÓNICA FEZ



Espreitem a janelinha de comentários da Mónica e entenderão a razão do aparecimento desta fotografia aqui. Pintura feita pela Mónica publicada neste blogue em 29 de Outubro de 2006.
M

quinta-feira, abril 05, 2018

AGENDA PARA ABRIL DE 2018

Proposta de Teresa Silva
Dia 12 - Reticências com a frase “Alta ia a noite a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.

O DESAFIO DE HOJE

Proposta de Teresa Silva
Dia 5 - Ao jeito de cartilha: Proponho-vos que usemos a sílaba “Li para formar as nossas palavras. A palavra que cada um apresentar tem que conter a sílaba pedida e exprimir a imagem que lhe foi associada com sintonia clara entre ambas. Se houver preferência por um conceito, a regra a aplicar é a mesma, ou seja, ele tem que ser expresso por uma palavra que tenha a sílaba pedida. O texto que alguns de nós acrescentarmos é apenas facultativo e um complemento.

10. Isabel



Magnólias

9. Teresa Silva



licas

8. Mónica



Livros

Para quem não sabe ou não se recorda, a Mónica era visitante assídua dos antigos blogues Diafragma e Fotoescrita, há anos fechados, foi participante durante algum tempo nos desafios do Palavra Puxa Palavra desde que eles nasceram em 2007, e agora visita esporádica do Reflexões Caseiras, para além de já nos termos encontrado ao vivo uma ou outra vez. É bom tê-la de volta no PPP.
M

7. Mena M.



Ligação

6. M.



Solilóquios ao ar livre

5. Luisa



Limite de segurança

4. Licínia



Linhas

Estação de comboios de Braga.
Licínia

3. Justine



Liberdade

Numa aldeia chamada Raposa, antes de chegar a Coruche, há uma pequena ponte em ferro de que as cegonhas fizeram um condomínio aberto: vários ninhos ocupados por casais e respectivos filhotes enfeitam as traves superiores da ponte, dando-lhe uma vida inusitada, muito bela e em Liberdade!
Justine

2. Bettips



Oliveira

1. Agrades



Linhas

sexta-feira, março 30, 2018

AGENDA PARA ABRIL DE 2018



Dia 19 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia de Teresa Silva.

quinta-feira, março 29, 2018

AGENDA PARA ABRIL DE 2018


Leonardo - Studio di figura femminile 
Venezia, Gallerie dell' Accademia 

Proposta de Teresa Silva
Dia 5 - Ao jeito de cartilha: Proponho-vos que usemos a sílaba “Li para formar as nossas palavras. A palavra que cada um apresentar tem que conter a sílaba pedida e exprimir a imagem que lhe foi associada com sintonia clara entre ambas. Se houver preferência por um conceito, a regra a aplicar é a mesma, ou seja, ele tem que ser expresso por uma palavra que tenha a sílaba pedida. O texto que alguns de nós acrescentarmos é apenas facultativo e um complemento.
Dia 12 - Reticências com a frase “Alta ia a noite a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.
Dia 19 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia de Teresa Silva.
Dia 26Fotografando as palavras de outros sobre o soneto
No mundo, poucos anos e cansados
vivi, cheios de vil miséria dura;
foi-me tão cedo a luz do dia escura
que não vi cinco lustros acabados.
 

Corri terras e mares apartados,
buscando à vida algum remédio ou cura;
mas aquilo que, enfim, não quer ventura,
não o alcançam trabalhos arriscados.

Criou-me Portugal na verde e cara
pátria minha Alenquer; mas ar corrupto,
que neste meu terreno vaso tinha,

me fez manjar de peixes em ti, bruto
mar, que bates na Abássia fera e avara,
tão longe da ditosa pátria minha!

Obras completas de Luís de Camões, Lello & Irmão - Editores, Porto, 1970

O DESAFIO DE HOJE

Proposta de Mena M.
Dia 29Fotografando as palavras de outros sobre o texto "Escuta, Amor" de José Luís Peixoto, in “Abraço”

Escuta, Amor
Quando damos as mãos, somos um barco feito de oceano, a agitar-se sobre as ondas, mas ancorado ao oceano pelo próprio oceano. Pode estar toda a espécie de tempo, o céu pode estar limpo, verão e vozes de crianças, o céu pode segurar nuvens e chumbo, nevoeiro ou madrugada, pode ser de noite, mas, sempre que damos as mãos, transformamo-nos na mesma matéria do mundo. Se preferires uma imagem da terra, somos árvores velhas, os ramos a crescerem muito lentamente, a madeira viva, a seiva. Para as árvores, a terra faz todo o sentido. De certeza que as árvores acreditam que são feitas de terra.
Por isto e por mais do que isto, tu estás aí e eu, aqui, também estou aí. Existimos no mesmo sítio sem esforço. Aquilo que somos mistura-se. Os nossos corpos só podem ser vistos pelos nossos olhos. Os outros olham para os nossos corpos com a mesma falta de verdade com que os espelhos nos reflectem. Tu és aquilo que sei sobre a ternura. Tu és tudo aquilo que sei. Mesmo quando não estavas lá, mesmo quando eu não estava lá, aprendíamos o suficiente para o instante em que nos encontrámos.

8. Teresa Silva



"...pode ser de noite..."

7. Mena M.



 «Se preferires uma imagem da terra, somos árvores velhas, os ramos a crescerem muito lentamente, a madeira viva, a seiva.»

6. M.





Escultura de José Pedro Croft no Parque de Escultura Contemporânea Almourol, em Vila Nova da Barquinha.

5. Luisa



 "(…) o céu pode segurar nuvens e chumbo (...)"

4. Licínia



“a madeira viva”

3. Justine

2. Bettips



"… Existimos no mesmo sítio sem esforço."

1. Agrades

quinta-feira, março 22, 2018

AGENDA PARA MARÇO DE 2018

Proposta de Mena M.
Dia 29Fotografando as palavras de outros sobre o texto "Escuta, Amor" de José Luís Peixoto, in “Abraço”

«Escuta, Amor
Quando damos as mãos, somos um barco feito de oceano, a agitar-se sobre as ondas, mas ancorado ao oceano pelo próprio oceano. Pode estar toda a espécie de tempo, o céu pode estar limpo, verão e vozes de crianças, o céu pode segurar nuvens e chumbo, nevoeiro ou madrugada, pode ser de noite, mas, sempre que damos as mãos, transformamo-nos na mesma matéria do mundo. Se preferires uma imagem da terra, somos árvores velhas, os ramos a crescerem muito lentamente, a madeira viva, a seiva. Para as árvores, a terra faz todo o sentido. De certeza que as árvores acreditam que são feitas de terra.
Por isto e por mais do que isto, tu estás aí e eu, aqui, também estou aí. Existimos no mesmo sítio sem esforço. Aquilo que somos mistura-se. Os nossos corpos só podem ser vistos pelos nossos olhos. Os outros olham para os nossos corpos com a mesma falta de verdade com que os espelhos nos reflectem. Tu és aquilo que sei sobre a ternura. Tu és tudo aquilo que sei. Mesmo quando não estavas lá, mesmo quando eu não estava lá, aprendíamos o suficiente para o instante em que nos encontrámos»

O DESAFIO DE HOJE

Proposta de Mena M.
Dia 22 – Jornal de Parede.

8. Teresa Silva



Detalhe da entrada do Palácio da Praia. 
Teresa

7. Mena M.

6. M.



Insólito! Viajando eu de camioneta entre Serpa e Lisboa, descobri esta figura estranha empoleirada no cimo de uma chaminé e que me pareceu ser um cata-vento. Não me recordo em que terra estava ele mas imagino que nas redondezas não haveria rios e por isso terá este pescador subido às alturas em busca de peixes, não importando a espécie. De água doce ou aéreo, o importante era satisfazer o desejo de conquista. Se repararem, há um peixe pendurado na cana de pesca e provavelmente isco bem acomodado dentro da caixa.
M

5. Luisa

4. Licínia

3. Justine

2. Bettips

1. Agrades

quinta-feira, março 15, 2018

AGENDA PARA MARÇO DE 2018

Proposta de Mena M.
Dia 22 – Jornal de Parede.

O DESAFIO DE HOJE



Dia 15 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia de Mena.

8. Teresa Silva

Uma foto muito interessante, de uma casa em ruínas ou em construção. Sem esperar pela destruição ou pelo evoluir da obra, um tufo de azedas faz o seu caminho e floresce.
Teresa

7. Mena M.

Por vezes, para nos protegermos, fechamos janelas, erguemos muros à nossa volta. Até que um dia voltamos a florescer!
Mena

6. M.

Três bambus. Foi neles que pensei ao olhar esta imagem. Não como os das pinturas orientais, frescos e frágeis a baloiçar ao vento, no entanto três bambus, encarcerados no mundo ocidental. Uma outra paisagem. Uma outra linguagem de cores e sentidos.
M

5. Luisa

Como um simples tijolo pode resultar numa obra de arte. Depende de quem o mostra e de quem o vê.
Luisa

4. Licínia

Alguém tapou as frestas por onde se espreitava de um lado ao outro do muro. Três faixas de cor na monotonia pálida do cimento. A salvar a aridez do lugar, um bouquet de flores silvestres que, vindas da frescura subterrânea, teimam em irromper por entre as pedras. E assim o conjunto chamou a atenção da Mena e da sua objectiva implacável.
Licínia

3. Justine

Um mestre-de-obras com sonhos de artista frustrado? Umas frestas que se decidiu para aquela parede e que foi mais tarde decidido fechar? Ou o pedreiro de serviço, que saiu a correr numa emergência e deixou o trabalho para terminar no dia seguinte? Tudo especulações…
Certo, certo, é eu ver uma fotografia original, bela e especial no seu desequilíbrio e que me mostra o olhar treinado, sensível e muito pessoal da fotógrafa!
Justine

2. Bettips

Emparedados, não sabemos que vidas ou horizontes estarão para lá desta barreira. A questão é perceber se vale a pena ou não espreitar para além dela. Não sendo erva ou raiz que se insinue pelas fendas dos tijolos, nem árvore que cresça acima, ficaremos na dúvida. 
Bettips

1. Agrades

Afinando o olhar sobre a foto da Mena, com toda a boa vontade, não consigo ver para além dum muro tosco de tijolo remendado desajeitadamente… Pode ser uma instalação; pode ser o esconderijo dum tesouro; pode ser… mas eu não consigo descortinar. 
Agrades

quinta-feira, março 08, 2018

AGENDA PARA MARÇO DE 2018



Dia 15 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia de Mena.

O DESAFIO DE HOJE

Proposta de Mena M.
Dia 8 - Reticências com a frase “As crianças a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.

8. Teresa Silva



As crianças quando brincavam mais livremente nas ruas, gostavam de trepar às árvores. 
Teresa Silva

7. Mena M.



As crianças são as flores do Jardim da Humanidade.
Precisam-se urgentemente bons jardineiros. 
Mena

6. M.



As crianças que fomos vivem para sempre connosco dentro do conjunto de assoalhadas que nos compõem. Aninham-se no pensamento e mostram-se ao longo da nossa vida de crescidos na continuidade dos sentimentos, dos gestos, das atitudes, ou de si fogem deitando paredes abaixo para construir outros modelos de arquitecturas, outros espaços.
Mas no mundo de conflitos que nos rodeia, pergunto-me que adultos virão a ser os meninos das guerras dos adultos. Sejam elas quais forem, dentro ou fora de casa, na família ou fora dela, na memória dos ódios, no vazio deixado pelas perdas, no pó dos escombros, na fuga sem esperança. Talvez sejam apenas salvos da sua infância amargurada por alguma coisa boa guardada no seu íntimo que os acompanhará para sempre. Talvez o toque delicado de alguém, um beijo, o olhar de ternura pousado sobre a dor adivinhada, uma palavra doce deixada no ouvido em ferida lhes preserve a candura possível perante a crueldade de que a humanidade também é capaz. Talvez.
M

5. Luisa



As crianças também são alvo da publicidade. 
Luisa

4. Licínia



As crianças portuguesas que brincam na rua num dos chamados “bidon-villes” apareceram-me numa foto exposta no Museu da Imigração, em Paris. Fotografei a foto e aqui a têm. 
Licínia

3. Justine



As crianças são a continuidade das tradições, o veículo das memórias, o futuro de um mundo humanizado. Na aldeia, todos os anos e com o entusiasmo e a alegria que as caracteriza, vêm para a rua, de saquinho de pano ao ombro, dar vida ao Dia do Bolinho, celebrando-o todos os anos como se fosse o primeiro, como se fosse novidade. Aqui em casa já são os netos que exigem andar na rua nesse dia, substituindo o pai, que já tinha substituído o seu pai. Vai assim passando de geração em geração uma das mais genuínas tradições da região. As crianças não a deixarão morrer. 
Justine 
(foto de dois vizinhos da aldeia no último Dia do Bolinho)

2. Bettips



As crianças não deveriam ser obrigadas a comportar-se ou vestir-se como adultos, pois terão todo o tempo de aprender, brincando. 
Bettips