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quinta-feira, junho 14, 2018

AGENDA PARA JUNHO DE 2018



Dia 21 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia de Zambujal.

O DESAFIO DE HOJE

Proposta de Zambujal
Dia 14 - Reticências com a frase “Com a pedra no sapato a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.

11. Zambujal



Com a pedra no sapato… 
tinha avançado a pedra peão de rei. 
Recuou estrategicamente, pé ante pé. 
A abertura estava feita. Esperou. 
Sem grandes expectativas. A curto prazo.
O “outro” deveria avançar peão do rei (preto) … 
ou então faria um dos cavalos dar um salto. 
Depois é que a pedra “morderia” o pé no sapato... 
de que apenas deixara a ponta na casa branca vazia. 
Podia ser o começo de uma grande… xadrezada. 
Com duas mirones! 

Zambujal

10. Teresa Silva



Com a pedra no sapato fiquei, literalmente, e já não consegui descer até às ruínas romanas. 
Teresa 
(Esta é uma estação arqueológica em Freixo de Numão, perto de Foz Coa.)

9. Rocha/Desenhamento



Com a pedra no sapato, sintoma de um andar algo coxeante, chegou um dia ao Convento da Agonia, em Serrana, um bispo que era visita habitual e procurava, com ironia, ajudar o povo que gostava das suas missas e do seu convívio. Naquele dia, depois da missa, as pessoas receberam as bençãos habituais e ofereceram ao Convento, como sempre faziam, sacos com géneros frescos das suas courelas. Junto do portal, o Bispo decidiu que o Convento receberia apenas uma oferta, pelo que mandou entregar à Madre Superiora um saco, devolvendo os outros a todos os doadores. E disse: «Vendam esses géneros e cuidem dos vossos pés. Comprem sapatos.»
Rocha de Sousa

Afinal, ao fechar o computador, acabei por rever uma bela ilustração que se ligava a uma história do Bispado numa aldeia francesa e na altura em que os Papas se dividiam em duas sedes, essa em França e a outra no Vaticano. Esta vinheta coberta pelo papado, ilustra jocosamente a balbúrdia das festas e das feiras. Era um tempo onde muita gente andava descalça e que não cultivava a sabedoria da "pedra no sapato". Daí a metáfora daquele bispo no texto. É um jogo singelo,mas reinventável aquém do desenho-colagem. 

João M. Rocha de Sousa

8. Mónica



Com a pedra no sapato é que não pode ser, é um incómodo insuportável transportar uma pedra no sapato, é inevitável descalçar o sapato virá-lo e sacudi-lo até sair a pedra, o meu reino por umas sandálias, entra a pedra, sai a pedra, ai a pedra, é rocha, ígnea, sedimentar, metamórfica, fico na mesma, que calhau sou nestas coisas de pedras, raios partam a pedra, nem água mole em pedra dura, nem pedra no rim, nem pedra no sapato, que pedrada no charco, que pedra! 
Mónica

7. Mena M.



Com a pedra no sapato e sem encontrar melhor solução, resolveu descalçar os sapatos e "estacionar" o problema ali mesmo, na ponte sobre o canal. Seguiu caminho em peúgas, aliviado e ligeiro.

Mena

6. M.



Com a pedra no sapato direito lá fui andando, um pouco incomodada, claro, porque não é suposto os sapatos albergarem senão pés. A certa altura, cansada daquela companhia indesejada, sacudi o sapato com um movimento firme da perna e a pedra saltou para o chão, perdendo-se entre pegadas e flores pequeninas à beira do caminho. Liberta de constrangimentos a atrapalharem-me o passo, ao olhar melhor a paisagem idílica que me rodeava, reparei no montículo de pedras de vários tamanhos pousadas sobre a erva. Quem sabe, pensei, os autarcas da região venham a criar um museu ao ar livre para conservar esta colecção de calhaus aparentemente desperdiçados, boa matéria de estudo para investigadores e população. 
M

5. Luisa



Com a pedra no sapato - não fosse cair noutra - perguntei qual a diária daquela pousada. 
Luisa

4. Justine



Com a pedra no sapato ficaram eles quando, interrompendo-lhes a leitura-a-dois no fim da tarde, um enxame de vespas os rondou em ameaça iminente. Paralisados, de algum medo e como estratégia, esperaram. E as vespas, ao fim de alguns segundos que a eles lhes pareceram horas, afastaram-se ruidosas e em grupo coeso até às heras em flor, onde encontraram comida e repouso. Eles, apesar de já calmos, resolveram terminar a leitura e refugiaram-se na segurança da casa, não fossem as vespas reincidir! 
Justine

3. Jawaa



Com uma pedra no sapato, o receio está sempre presente e torna as tarefas bem mais difíceis: fechar uma gaveta ou armário, arrumar as compras do mercado, estender a roupa na corda, metê-la na máquina, canetas, lápis, folhas, fios a mexer, então, é uma festa de incertezas. Já me ocorreu entrar na Justiça ou recorrer ao Parlamento. Haverá por lá menos pedras? 
Jawaa

2. Bettips



Com a pedra no sapato e o sapato na pedra, fiquei eu, perplexa, ao reparar no belo equilíbrio nesta idade da inocência, de cabelos castanhos ao vento e botas justas, de plataforma alta. Vejo e sei as cores de tudo o que usava à época. Era na praia do Castelo do Queijo, no Inverno. Desse tempo, só me ficou... a inocência. 
Bettips

1. Agrades



Com a pedra no sapato e a pulga atrás da orelha fiquei quando vi que me esqueci de acrescentar umas palavras ao mote desta semana. A pedra e o sapato encontrei-os no Museu Etnográfico de Caria e valeram-me nesta aflição. 
Agrades

quinta-feira, junho 07, 2018

AGENDA PARA JUNHO DE 2018

Proposta de Zambujal
Dia 14 - Reticências com a frase “Com a pedra no sapato a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.

O DESAFIO DE HOJE

Proposta de Zambujal
Dia 7 - Ao jeito de cartilha: Proponho-vos que usemos a sílaba “dra para formar as nossas palavras. A palavra que cada um apresentar tem que conter a sílaba pedida e exprimir a imagem que lhe foi associada com sintonia clara entre ambas. Se houver preferência por um conceito, a regra a aplicar é a mesma, ou seja, ele tem que ser expresso por uma palavra que tenha a sílaba pedida. O texto que alguns de nós acrescentarmos é apenas facultativo e um complemento.

11. Zambujal



Pedra

tu és esta pedra. Não és como as outras. És a minha pedra-matriz. A pedra pisada pelos meus avós, que acolheu os pés (descalços) do meu pai, em que gatinharam os meus netos (e este gato, nossa companhia), e que o sol quis aquecer como se fosse para esquecer (ou para lembrar…) as grades de uns anos há uns anos atrás. 

Zambujal

10. Teresa Silva



Pedra

Gosto muito destas construções todas em pedra.

Teresa Silva

9. Rocha/Desenhamento



Dramaticamente, logo pela manhã de 1988, o Chiado, em Lisboa, ardeu em larga medida e com enormes perdas urbanas, económicas e de comércio especializado. Ana, a rapariga da fotografia, protegeu-se num quarto andar e arrastou tudo o que podia, roupas sobretudo, mantas e lençóis, para o quarto que julgava salvo do sentido das chamas. Quando os bombeiros lá chegaram, lá estava ela, esperando esperançosamente. Em camisa de dormir, protegendo lençóis molhados e olhando quem a achara.
Rocha de Sousa

8. Mónica



Uma quadra dentro de um quadrado

7. M.



Aldraba

6. Luisa



Guarda-portão de pedra

5. Licínia



Aldraba

4. Justine



Dragoeiro

(a fotografia foi feita na ilha do Pico, junto do Museu do Vinho, onde há uma pequena mata de dragoeiros, lindos) 
Justine

3. Jawaa



Empedrado para terra futura

2. Bettips



Empedrado

Empedrado da pequena e romântica ponte romana, em Alfundão. Nada sabemos das águas que por lá passaram mas, como tantas vezes a tradição oral substitui a escrita, não me custa a acreditar, pelos seus arcos, que algum edil romano a mandasse construir.
Bettips

1. Agrades



Dragão

quinta-feira, maio 31, 2018

AGENDA PARA JUNHO DE 2018



Dia 21 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia de Zambujal.

AGENDA PARA JUNHO DE 2018

Proposta de Zambujal
Dia 7 - Ao jeito de cartilha: Proponho-vos que usemos a sílaba “dra para formar as nossas palavras. A palavra que cada um apresentar tem que conter a sílaba pedida e exprimir a imagem que lhe foi associada com sintonia clara entre ambas. Se houver preferência por um conceito, a regra a aplicar é a mesma, ou seja, ele tem que ser expresso por uma palavra que tenha a sílaba pedida. O texto que alguns de nós acrescentarmos é apenas facultativo e um complemento.
Dia 14 - Reticências com a frase “Com a pedra no sapato a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.
Dia 21 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia de Zambujal.
Dia 28Fotografando as palavras de outros sobre o poema de Carlos Drummond de Andrade

No Meio do Caminho


No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Publicado em 1928 na Revista de Antropofagia, S. Paulo, Brasil

O DESAFIO DE HOJE

Proposta de Mónica
Dia 31Fotografando as palavras de outros sobre o poema
O futuro
Aos domingos, iremos ao jardim.
Entediados, em grupos familiares,
Aos pares,
Dando-nos ares
De pessoas invulgares,
Aos domingos iremos ao jardim.
Diremos, nos encontros casuais
Com outros clãs iguais,
Banalidades rituais,
Fundamentais.
Autómatos afins,
Misto de serafins
Sociais
E de standardizados mandarins,
Teremos preconceitos e pruridos,
Produtos recebidos
Na herança
De certos caracteres adquiridos.
Falaremos do tempo,
Do que foi, do que já houve...
E sendo já então
Por tradição
E formação
Antiburgueses
- Solidamente antiburgueses -,
Inquietos falaremos
Da tormenta que passa
E seus desvarios.

Seremos aos domingos, no jardim,
Reaccionários.

Reinaldo Ferreira (1922-1959), in “Um Voo Cego a Nada”

10. Teresa Silva

9. Rocha/Desenhamento



« Seremos aos domingos, no jardim, 
Reaccionários»

8. Mónica



Passeamos num dia de semana num jardim, apanho os meus reaccionários desprevenidos. 
Mónica

7. Mena M.



 «Aos domingos, iremos ao jardim. 
Entediados, em grupos familiares,...»

6. M.



Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo 
"Passando o Tempo" 
Francisco d' Almeida Rato, Escultor 
25 de Abril de 2017

5. Luisa

4. Licínia



“com outros clãs iguais”. 
 Nota: num jardim em Pau

3. Justine



“… aos pares,/dando-nos ares/de pessoas invulgares…”

2. Bettips



 "Aos domingos, iremos ao jardim."

1. Agrades



«Misto de serafins 
Sociais»

quinta-feira, maio 24, 2018

AGENDA PARA MAIO DE 2018

Proposta de Mónica
Dia 31Fotografando as palavras de outros sobre o poema
O futuro
Aos domingos, iremos ao jardim.
Entediados, em grupos familiares,
Aos pares,
Dando-nos ares
De pessoas invulgares,
Aos domingos iremos ao jardim.
Diremos, nos encontros casuais
Com outros clãs iguais,
Banalidades rituais,
Fundamentais.
Autómatos afins,
Misto de serafins
Sociais
E de standardizados mandarins,
Teremos preconceitos e pruridos,
Produtos recebidos
Na herança
De certos caracteres adquiridos.
Falaremos do tempo,
Do que foi, do que já houve...
E sendo já então
Por tradição
E formação
Antiburgueses
- Solidamente antiburgueses -,
Inquietos falaremos
Da tormenta que passa
E seus desvarios.

Seremos aos domingos, no jardim,
Reaccionários.

Reinaldo Ferreira (1922-1959), in “Um Voo Cego a Nada”

O DESAFIO DE HOJE

Proposta de Mónica
Dia 24 – Jornal de Parede

9. Teresa Silva



 O Verão está a chegar.

8. Rocha/Desenhamento



Julgo que basta a imagem, visto que foi só puxada para aqui. Eu gostaria muito que esta montagem (que poderia evocar uma ironia impressa em papel e colada na parede, pretende apenas (com ironia) evocar os mitos gráficos e o absurdo de certos títulos. 
Rocha de Sousa

7. Mónica


"Sugestão musical: Festival Música Viva 2018 a decorrer no O´Culto da Ajuda, uma sugestão claramente facciosa e interesseira e sem qualquer conhecimento de causa como só uma mãe ignorante em música arrisca!"
Mónica

6. M.



Procura-se cabeça para corpo de boneca aprisionada.

5. Luisa

4. Licínia

3. Justine

2. Bettips

1. Agrades

quinta-feira, maio 17, 2018

AGENDA PARA MAIO DE 2018

Proposta de Mónica
Dia 24 – Jornal de Parede

O DESAFIO DE HOJE



Dia 17 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia de Mónica.

10. Teresa Silva

Fotografia interessante com as diversas tonalidades metálicas. São caixas de correio de um prédio velho ou um novo design vanguardista?
Teresa Silva

9. Rocha/Desenhamento



Por pouco que pareça, nós vemos apoiados em muitas memórias que conservamos na nossa complexa estrutura cerebral, campo cognitivo. Eu nunca vi presencialmente este painel de caixas de correio, situado num prédio, algures. Mas sei do que se trata, dos materiais, design, função. Já tinha grande parte de imagens assim dentro da minha cabeça. O olhar permite levar à devida "caixa" neuronal o estímulo de uma nova percepção, dizer o que estas outras caixas exprimem e como funcionam enquanto houver correio nesta terra de tantas e por vezes demolidoras alternativas.
Rocha de Sousa

8. Mónica

Por razões profissionais tive que entrar num prédio que me partiu o coração logo à entrada ao olhar para as caixas do correio: uma de cada cor, presas por arames improvisados, remendadas, com a identificação escrita à mão, nunca tinha visto nada assim. Como é que se estraga uma caixa de correio? E tantas estragadas? Terá havido algum mau fígado, vingança, bebedeira, partida juvenil, briga a provocar o estrago geral e depois cada um reparou como pôde? O resto do prédio combinava com o cartão-de-visita, o tecto da caixa de escadas estava danificado em vários pontos, eufemismo para “inexistente”, e era visível a telha e a estrutura de madeira de apoio da telha, algumas torneiras de segurança da água tinham a tampa violada, as paredes escavacadas, a sujidade confundia-se com os materiais. A casa onde entrei, a razão profissional de entrar no prédio, tinha uma parede negra de fungos de humidade, infiltrações da chuva, tudo isso acumulado ou mais alguma coisa. O que importa, é tarde demais. A degradação instalou-se. Mas o que é isto?, onde estou?, na Síria? Não sei, é assustador. Isto existe. Está entre nós.
Mónica

7. Mena M.

Ao olhar a fotografia da Mónica, antes das palavras, veio a imagem da minha vizinha do 1° andar do prédio onde vivi, quando cheguei a Berlim há quase 31 anos. 
Uma senhora de uns 65 anos, que ficava um pouco sem jeito quando nos encontrávamos no corredor da entrada do prédio, quase sempre junto às caixas do correio. Corava, dizia um "Guten Tag" meio mastigado e dirigia-se apressada para as escadas.
Esta cena repetiu-se vezes sem conta, deixando-me com a impressão de que com a senhora alguma coisa não batia muito certo.
Uns anos mais tarde mudou-se para um lar e qual não foi o espanto de todos nós vizinhos, quando soubemos que na sua casa foram encontradas centenas de cartas e postais, que foi "pescando" das diversas caixas do correio.
Posso imaginá-la, dia após dia, esperando ansiosa pela chegada do carteiro, na expectativa do que seria, talvez, o momento mais excitante de uma vida de solidão.
Mena

6. M.

Impressionante a degradação destas caixas de correio. E insólita a variedade de cores, nada habitual em prédios com vários residentes onde o gosto se pretende normalizado. Vontade de manter a individualidade dentro de um grupo, cada um com as suas diferenças? Dentro não guardarão tesouros de palavras, que actualmente o correio que se recebe raramente os oferece. Já lá vai o tempo da correspondência escrita com letra manuscrita que tanto diz das características de cada pessoa e nos faz sentir a sua presença de modo especial. Mas isso é coisa do passado, agora pouco mais do que a nossa assinatura fazemos, a mão já quase desabituada desse gesto, desajeitada. E no entanto há tantos postais bonitos nas lojas a tentar o nosso olhar e a nossa vontade de enviar neles afectos e pensamentos. É pena.
M

5. Luisa

Caixas vazias e inúteis. As cartas transformaram-se em SMS.
Luisa

4. Licínia

Tem uns anitos, o prédio. Algumas caixas de correio já sofreram restauros, substituições, conforme a bolsa dos inquilinos. Outras encontram-se a precisar de quem lhes acuda. A do 1º. B até parece ter levado um enxerto na chapa. Houve tempo em que ficavam a abarrotar de correspondência, agora, na era do digital, só uma carta ou outra e muita, muita publicidade. Tirando o Tenazinha, ninguém se identifica como proprietário da caixa e, vendo bem, o anonimato será mais seguro. A caixa do Tenazinha até já sofreu tentativa de intrusão. O que estaria lá dentro que levou alguém a pegar numa ferramenta e revirar os cantos da portinhola, já que a fechadura não cedeu? Algum processo na justiça que não anda a correr a contento do cliente? Sei lá. Cada caixa a sua história. Um pormenor curioso: A CAVE Ç, com cedilha, em letras garrafais, para que não haja engano.
Licínia

3. Justine

Em tempos não muito distantes, era um local onde os vizinhos se cruzavam com frequência. Todos recebiam uma carta de um parente a viver longe ou de um filho no estrangeiro, um postal de um amigo em férias, ou então as sempre assustadoras cartas das Finanças, da polícia ou dos bancos. Agora tudo se passa na internet, todas as notícias boas e más se recebem sem suporte em papel. E estas belas caixas de correio como as que a fotografia mostra, algumas delas num metal limpo a reluzir, passaram a ser meros adornos da nossa memória.

Justine

2. Bettips

Ah, os correios, as cartas! Toda uma panóplia de artefactos e costumes que me vêm ao pensamento, desde a pena de aparo metálico, à caneta de tinta permanente, ao papel de cor escolhida conforme a pessoa a quem se dirigia a carta (até se podia colocar pétalas de rosa secas no envelope, se acaso queríamos saudar o amor ou a amizade), à ida aos correios, à escolha do selo. Ao sobressalto de esperar a resposta sendo os assuntos relevantes, tal os problemas adolescentes o eram, todos. 
E não digo mais, que se acabou a época. E todas estas coisas e locais são agora melancólicos e fora de moda, receptáculo de contas, avisos ou publicidade que não desejamos.
É lutando contra o tempo das mensagens rápidas e fortuitas que eu ainda escrevo postais.
Bettips

1. Agrades

Tantas coisas posso imaginar ao olhar uma foto que mostra 20 caixas de correio das antigas, não eletrónicas. Embora muito parecidas, não são iguais, diferem na cor e não mostram aparentemente preocupações estéticas. Externamente, estão vistas, e no interior? O que contêm? Contas da água, da eletricidade e telefone como na minha? Cartas de amor, de saudade,de pedidos, de ofertas, de marcar presença, saber da saúde do dono da caixa? Penso que essas cartas já não se escrevem…
No entanto, quem sabe? Ainda pode haver românticos incuráveis a rondar aquelas caixas…
Agrades

quarta-feira, maio 09, 2018

AGENDA PARA MAIO DE 2018



Dia 17 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia de Mónica.

O DESAFIO DE HOJE

Proposta de Mónica
Dia 10 - Reticências com a frase “Vou começar a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.

10. Teresa Silva



Vou começar a procurar uma fotografia para enviar esta semana. Encontrei, Museu de Arte Nova em Salamanca, visto ao longe e à noite. 
Teresa

9. Rocha/Desenhamento



Vou começar assim. É preciso andar em frente, ainda que se desconheça o que se encontra para além da curva deste túnel. O caminho está desenhado para passos humanos. Vou iniciar esses passos, devagar mas seguramente. Passou a noite, a madrugada vai alta. A minha viagem começa, ou recomeça, aqui e desta forma. Voltarei ali perto, à direita, e confio no espaço que me aguarda. 
Rocha de Sousa

8. Mónica



Vou começar a ir a pé do trabalho para casa, aproveitar os dias maiores, apreciar a beleza da cidade, se é minha aproveito-a, nem preciso de comprar bilhete de avião, vou começar por subir a avenida que vem do rio, deixar a igreja das estrelas e personalidades pelas costas, percorrer o jardim frondoso que me atiça as alergias, descer a rua que àquela hora está cheia de pais que vão de carro buscar os meninos que leem a cartilha, ignorar o autocarro e o metropolitano, subir outra avenida, esta de lojas com vestidos em que cada botão custa o valor do meu salário, atravessar outro jardim com turistas, antigas histórias de má fama, uma escultura bizarra, para não dizer feia, autocarros tour de matrículas desconhecidas, continuar a caminhada tranquila e em segurança, passar pela catedral do consumo, pelos pães da padaria, pelos éclairs gourmet, pela mercearia biológica, sem tentar não me tentar, cruzar-me com os estudantes meus futuros colegas de copo de cerveja de plástico numa mão e cigarro na outra, sigo fingindo que não me escandalizo com os buracos etno nas orelhas e nos cabelos lanzudos, e depois, depois é sempre em frente até chegar a casa, mais uma última etapa de montanha, e casa, é tão bom chegar a casa. 
Mónica

7. Mena M.



Vou começar a ter que podar estas ideias que me crescem selvagens na cabeça, para que no futuro possam dar fruto.
Mena