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quinta-feira, março 26, 2015

AGENDA PARA ABRIL DE 2015



Dia 16 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia da M.

AGENDA PARA ABRIL DE 2015

Proposta da M. 
Dia 2 - Ao jeito de cartilha: Proponho-vos que usemos a sílaba “La” para formar as nossas palavras. O texto que alguns de nós acrescentarmos é facultativo.
Dia 9 - Reticências com a palavra “Imagina”a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia. 
Dia 16 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia da M.
Dia 23 – Jornal de Parede 
Dia 30 - Fotografando as palavras de outros sobre o excerto de um livro que o meu Pai me ofereceu há muitos anos, e que agora reli com prazer, quando procurava material para os desafios deste mês. 
«Dissolvida a reunião, Helena recolheu-se à pressa com o pretexto de que estava a cair de sono, mas realmente para dar à natureza o tributo de suas lágrimas. O desespêro comprimido tumultuava no coração, prestes a irromper. Helena entrou no quarto, fechou a porta, soltou um grito e lançou-se de golpe à cama, a chorar e a soluçar.
A beleza dolorida é dos mais patéticos espetáculos que a natureza e a fortuna podem oferecer à contemplação do homem. Helena torcia-se no leito como se todos os ventos do infortúnio se houvessem desencadeado sôbre ela. Em vão tentava abafar os soluços, cravando os dentes no travesseiro. Gemia, entrecortava o pranto com exclamações sôltas, enrolava no pescoço os cabelos deslaçados pela violência da aflição, buscando na morte o mais pronto dos remédios. 
(…) 
Quando a tormenta pareceu extinta, a moça sentou-se na cama e olhou vagamente em tôrno de si. Depois ergueu-se; dirigiu-se trôpega ao quarto de vestir; ali parou diante do espelho, mas fugiu logo, como se lhe pesasse encarar consigo mesma. Uma das janelas estava aberta. Helena foi ali aspirar um pouco do ar da noite. Esta era clara, tranqüila e quente. As estrêlas tinham uma cintilação viva que as fazia parecer alegres. Helena enfiou um olhar por entre elas como procurando o caminho da felicidade. Estêve à janela cêrca de meia hora; depois entrou, sentou-se e escreveu uma carta.» 
Helena, Capítulo XIII, Machado de Assis, Gráfica Editôra Record, Rio de Janeiro, 1967

O DESAFIO DE HOJE

Dia 26 - Fotografando as palavras de outros sobre o poema

Uma após uma as ondas apressadas
Enrolam o seu verde movimento
E chiam alva spuma
No moreno das praias.
Uma após uma as nuvens vagarosas
Rasgam o seu redondo movimento
E o sol aquece o spaço
Do ar entre as nuvens scassas.
Indiferente a mim e eu a ela,
A natureza deste dia calmo
Furta pouco o meu senso
De se esvair o tempo.
Só uma vaga pena inconsequente
Pára um momento à porta da minha alma
E após fitar-me um pouco
Passa, a sorrir de nada

Ricardo Reis
Odes
Edições Ática, 1983

Nota: spuma spaço, scassas são apresentadas assim na edição que possuo.

11. Zambujal



Podia ser o mar, e as ondas, e a espuma,
podia ser o rio, e o sol, e as árvores, e o vento,
podia ser a natureza, enfim…
Mas era – só! – “o meu senso de se esvair o tempo (…)
uma vaga pena inconsequente (…) a sorrir de nada”

Zambujal

10. Teresa Silva

9. Rocha/Desenhamento

8. Mena M.



«Uma após uma as ondas apressadas 
 Enrolam o seu verde movimento»

7. M.



«A natureza deste dia calmo 
Furta pouco o meu senso 
De se esvair o tempo. 
Só uma vaga pena inconsequente 
Pára um momento à porta da minha alma 
E após fitar-me um pouco
Passa, a sorrir de nada»

6. Luisa

5. Licínia

4. Justine

3. Jawaa

2. Bettips



«A natureza deste dia calmo 
Furta pouco o meu senso 
De se esvair o tempo.»

1. Agrades

quinta-feira, março 19, 2015

AGENDA PARA MARÇO DE 2015

Proposta da Luisa
Dia 26 - Fotografando as palavras de outros sobre o poema

Uma após uma as ondas apressadas
Enrolam o seu verde movimento
E chiam alva spuma
No moreno das praias.
Uma após uma as nuvens vagarosas
Rasgam o seu redondo movimento
E o sol aquece o spaço
Do ar entre as nuvens scassas.
Indiferente a mim e eu a ela,
A natureza deste dia calmo
Furta pouco o meu senso
De se esvair o tempo.
Só uma vaga pena inconsequente
Pára um momento à porta da minha alma
E após fitar-me um pouco
Passa, a sorrir de nada

Ricardo Reis
Odes
Edições Ática, 1983

Nota da Luisa: spuma, spaço, scassas, são apresentadas assim na edição que possuo.

quarta-feira, março 18, 2015

O DESAFIO DE HOJE



Dia 19 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia da Luisa.

Nota: Porque amanhã terei eventualmente o dia muito ocupado, adiantei a publicação das nossas participações para o desafio desta semana.

10. Zambujal

Que palavras hão-de sair de dentro do olhar? 
Glicínias do nosso jardim, que estão a florir dia-a-dia, hora-a-hora...
E logo depois, deixando cair a primeira letra, o nome Licínia,
da nossa companheira destes outros temas, 
que também nos vai oferecendo a sua poesia e a sua prosa,
e que daqui saúdo pelo seu novo livro.
Zambujal

9. Teresa Silva

Bonita foto. Uma sinfonia de azuis e verdes, com um ligeiro toque de castanho. 
Teresa Silva

8. Rocha/Desenhamento

Vejo as flores fotografadas, que vieram dos olhos de outra pessoa, e julgo que o perfume também emerge dali, da imagem reproduzida.
Pétalas em bolbo, cordões delas, uma cascata entre troncos e ramos ásperos. Pego numa lente e vou cheirar de perto, isto é, descortinar o que é bolbo, como se juntam entre si, e se abrem em parte, e vivem na luz e na sombra, flores vivas até um dia, nos olhos ainda, abrindo espaço às que de si aparecem nascidas. O nome? Não sei. Mas a beleza tem nome? 
Rocha de Sousa

7. M.

E de repente chega-me ao pensamento a imagem de um jardim romântico de outros tempos onde uma donzela, os cabelos entrelaçados com flores de glicínia, passeia devagar junto do seu amado. 
M

6. Luisa

Numa volta do caminho, tornei a encontrar o perfume dos jardins da minha infância. 
Luisa

5. Licínia

As Glicínias. De pequena aprendi a conhecê-las pelo nome, já que por menos um “g” fui chamada. No jardim grande da minha terra, o senhor “Le Nôtre”, que se chamava Marques, e usava as mangas da camisa arregaçadas, o peito à vela e um chapéu preto sempre na cabeça, o magnífico jardineiro ensinava à minha mãe os nomes das flores e as suas preferências de trato, saberes que ela procurava reproduzir no nosso pequeno quintal. Das glicínias, que o senhor Marques tão bem cuidava, além do nome fixei o odor doce exalado pelos enormes cachos azul-lilás pendentes dos grossos, idosos, torcidos caules. Ainda hoje, quando passo por glicínias em flor, me parece ver, na sua sombra, o chapéu preto que o senhor Marques fazia descair para trás, com um piparote na pequena aba, a arejar o suor da testa, da sua testa de jardineiro-chefe que me ensinou a conhecer glicínias. 
Licínia

4. Justine

Podia ser a minha glicínia, a rainha do nosso jardim! Aquela que construiu para mim um túnel fora do tempo, forrado de perfume, beleza e silêncio das abelhas, e onde eu me refugio uns momentos todos os dias, assim como quem vai beber da fonte da vida! 
Justine

3. Jawaa

Esta imagem trouxe-me o aroma e a beleza ímpar dos cachos de glicínias que chegam em cada primavera. E acudiram-me versos de Fiama e de Sophia. Lembro estes, breves (Sophia de Mello Breyner Andresen): 
Sob o caramanchão de glicínia lilás
As abelhas e eu
Tontas de perfume
Lá no alto as abelhas
Doiradas e pequenas
Não se ocupavam de mim
Iam de flor em flor
E cá em baixo eu
Sentada no banco de azulejos
Entre penumbra e luz
Flor e perfume
Tão ávida como as abelhas. 
Jawaa

2. Bettips

Uma cascata de cores, de cheiros, de sensações, de inocências boas, como Maio o é. Sendo variantes da minha cor preferida, vem-me à lembrança uma recuada tarde, passeando na Boavista, onde ainda havia casas com muros-musgo e cachos de glicínias roxas. 
Bettips

1. Agrades

Olho, miro e volto a olhar e vejo flores lilases. Lilás, roxo, sugere-me Páscoa, paixão, amêndoas, umas doces, outras amargas. 
Agrades

quinta-feira, março 12, 2015

AGENDA PARA MARÇO DE 2015



Dia 19 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia da Luisa.

O DESAFIO DE HOJE

Proposta da Luisa

Dia 12 - Reticências com a frase “Não te espantes” a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.

11. Zambujal



                         Não te espantes…

… não te espantes, oh, elefantezinho!... nós sabemos que isto não é a A1… mas não te enerves, tem calminha. Vá lá, pára com essa correria… nós já metemos a marcha atrás…, nem nos deixas fazer meia volta? Não te espantes, não te espantes! 
Zambujal

10. Teresa Silva



Não te espantes, quando entrares, é apenas uma casa portuguesa. 
Teresa Silva

9. Rocha/Desenhamento



Não te espantes com este título. É bem português, roça os anos 60, era no tempo em que se emigrava num doloroso anonimato, 30.000 pessoas por mês, em autocarros meio velhos, à revelia do regime, ao acaso do futuro, tendo os pirinéus pela frente, fronteiras atravessadas a pé, o carro retomado mais à frente. Esta capa, do pintor Rocha de Sousa, crispa o desenho a partir de uma fotografia tirada praticamente ao acaso e procurando sugerir com as letras do título do livro um cabeçalho de jornal. Era o tempo da fotografia rasgada: metade ficava na aldeia, com a família, a outra metade levava o «foragido». Quando estivesse a trabalhar, nos subúrbios de Paris, enviava a sua metade e a família o saberia enfim vivo e empregado.
Nuno Rocha, o jornalista que escreveu esta crónica da «Emigração Dolorosa», fez-se passar por emigrante e foi para Paris na camioneta, passando por todas as vicissitudes das revistas da polícia espanhola. Em Paris, com a máquina de escrever que transportara na mala, escreveu grande parte de uma das reportagens mais fortes da sua vida e da nossa história. 
Rocha de Sousa

8. Mena M.



Não te espantes, hoje em dia tudo é possível... 
Mena

7. M.



Não te espantes com o que ainda vais encontrando nalgumas zonas rurais de Portugal, em contraste com as tecnologias do mundo actual.
Ao olhar para a senhora da minha fotografia, penso de imediato nas máquinas de lavar roupa cheias de automatismos e na facilidade que é meter-lhes dentro a roupa e esperar apenas que ela cumpra a tarefa até ao fim, de acordo com o programa escolhido. Embora no dia em que ali passei não me tenha parecido que esta senhora estivesse contrariada com o trabalho que executava, nem faço ideia se se trataria de uma escolha esporádica, na verdade todos sabemos ser muito mais penoso lavar roupa manualmente. Exige ensaboar cada peça em separado, enxaguá-la uma e outra vez, torcê-la com a força de braços e mãos, senti-las geladas, os dedos doridos, e depois carregar o fardo no alguidar, porventura à cabeça, ou amparado nos braços. Vermelho o alguidar, a lembrar o coração que se transporta sempre connosco, breve o repouso, longas as horas marcadas nas rotinas diárias. Reconheço tudo isso, mas encanta-me a arquitectura destes tanques amplos, testemunhas de ocupações e convívios antigos. Não há muitos anos era lugar de risos, de mágoas ora confessadas ora adivinhadas, de boatos, de segredos, de histórias de fugas pela calada da noite, a fronteira com Espanha tão perto, à distância de um salto arriscado. Permanecerá lugar de encontros, embora esvaziada de gente a aldeia, adormecidas as casas aguardando os emigrantes do verão?
Atravessei a pé Soutelinho da Raia em agosto de 2010 a caminho de Santiago de Compostela, abordei a senhora lavadeira com o propósito de lhe pedir autorização para a incluir na fotografia que eu desejava tirar, e ela aceitou, sorridente. Quase cinco anos passados, pergunto-me como se chamará, se ainda vive, onde mora. Sozinha? Acompanhada? Terá nascido na aldeia? E imagino-a criança, ajudando a mãe, talvez debruçada na janela à espera do pai, talvez a brincar com outros meninos ao jogo da macaca desenhado com um graveto qualquer no chão de terra batida. Talvez... Talvez...
Sem respostas às minhas interrogações, apenas sei que o tempo escorre nas diversas paisagens da existência. 
M

6. Luisa



Não te espantes se aparecer alguém a tocar violino na tua varanda. É que há artistas à procura duma Casa da Música. 
Luisa

5. Licínia



Não te espantes se uma cortina de névoa descer da serra, caminhar sobre as águas e te humedecer os olhos. Quando a beleza, de tão intensa, pode magoar, a Natureza desce sobre ela os véus diáfanos da inocência. 
Licínia

4. Justine



Não te espantes por eu te estar a enviar uma foto da mesa do meu almoço. Não olhes para a travessa nem para a singeleza do resto da baixela. Olha apenas para o amor com que o meu filho preparou a sapateira e a lasanha de marisco, e repara também na alegria com que nós nos sentámos à mesa. Ah, como me soube bem esta refeição! 
Justine

3. Jawaa



Não te espantes com a distorção das imagens reflectidas na porta. É assim o mundo que temos. 
Jawaa

2. Bettips



Não te espantes... se no meio de uma vila qualquer e longe dos circuitos turísticos habituais, encontrares uma escultura moderna, nos jardins bem cuidados. É em Alpalhão, bem no coração do Alentejo interior, com os tons de amarelo-sol e azul-céu a alegrar as casas. Terra rica em vestígios arqueológicos ainda antes da romanização da Península Ibérica, onde os habitantes celebram assim o património natural da Pedra. 
Bettips

1. Agrades



... não te espantes! É apenas a cabeça do Miguel de Vasconcelos a ser defenestrado. Encontrei-o no Museu Interactivo de Lisboa. 
Agrades

quinta-feira, março 05, 2015

AGENDA PARA MARÇO DE 2015

Proposta da Luisa

 Dia 12 - Reticências com a frase “Não te espantes” a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.

O DESAFIO DE HOJE

Proposta da Luisa
Dia 5 - Ao jeito de cartilha: Proponho-vos que usemos a sílaba “Pe” para formar as nossas palavras. O texto que alguns de nós acrescentarmos é facultativo.

11. Zambujal



                  Pedra filosofal

10. Teresa Silva



                        Pegadas

Quando a maré sobe, vão-se apagando as pegadas deixadas pelos veraneantes. 
Teresa Silva

9. Rocha/Desenhamento



                Pétalas

Perante um chão juncado de pétalas, todas iguais na diferença, entre o amarelo e o branco, penso nos clichés sobre o Outono outrora certinho no aparecer e no desaparecer, perto destas presenças alouradas, acastanhadas, entre troncos diversos e firmes. Perante este espectáculo, a encher todo o campo da fotografia, penso por outro lado que os lugares comuns sobre o Outono também podem reverter-se em imagens inusitadas e enfim belas. 
Rocha de Sousa

8. Mena M.



                      Penumbra

7. M.



                       Capela
 

6. Luisa



                  Pedras 
Pedras que assustavam o inimigo. Agora atraem amigos turistas. 
Luisa

5. Licínia



                         Pedras

4. Justine



                     Apeadeiro

3. Jawaa



          Pedras do templo

2. Bettips



                     Peregrino
Este é um quadro que retenho, dos muitos que esta viagem me proporcionou: no caminho para Santiago de Compostela, uma saudação amável e risonha aos passantes. 
Bettips

1. Agrades



                        Petisco

quarta-feira, fevereiro 25, 2015

AGENDA PARA MARÇO DE 2015



Dia 19 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia da Luisa.

AGENDA PARA MARÇO DE 2015

Proposta da Luisa
Dia 5 - Ao jeito de cartilha: Proponho-vos que usemos a sílaba “Pe” para formar as nossas palavras. O texto que alguns de nós acrescentarmos é facultativo.
Dia 12 - Reticências com a frase “Não te espantes” a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.
Dia 19 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia da Luisa.
Dia 26 - Fotografando as palavras de outros sobre o poema

Uma após uma as ondas apressadas
Enrolam o seu verde movimento
E chiam alva spuma
No moreno das praias.
Uma após uma as nuvens vagarosas
Rasgam o seu redondo movimento
E o sol aquece o spaço
Do ar entre as nuvens scassas.
Indiferente a mim e eu a ela,
A natureza deste dia calmo
Furta pouco o meu senso
De se esvair o tempo.
Só uma vaga pena inconsequente
Pára um momento à porta da minha alma
E após fitar-me um pouco
Passa, a sorrir de nada

Ricardo Reis
Odes
Edições Ática, 1983

Nota: spuma spaço, scassas são apresentadas assim na edição que possuo.

O DESAFIO DE HOJE

Dia 26 - Fotografando as palavras de outros sobre o excerto
(…)
Mas ele já estava a descer a escadaria em direcção à praça. Ao longe ouvia-se o tambor e, por revoadas, o rumorejo ondissonante da multidão. As janelas do Clube dos Valetes de Paus estavam inabitualmente encerradas. Nem os vadios que costumavam coçar-se junto ao pedestal lá se encontravam nesse dia. Nem o homem do realejo, nem os zíngaros com as suas rabecas mágicas. Um cachorro atravessou a praça silenciosa, numa diagonal alegre, e nada mais houve a contrastar o abandono daquele espaço.
Talvez fosse melhor esperar que tudo se consumasse, pensou Zoltan e encostou-se ao pedestal.
O VARANDIM SEGUIDO DE OCASO EM CARVANGEL, de Mário de Carvalho, Porto Editora, pág. 79

9. Zambujal

8. Teresa Silva

7. Mena M.



 «Um cachorro atravessou a praça silenciosa» 
Mena

6. M.

5. Luisa

4. Licínia



"Nem os zíngaros com as suas rabecas mágicas" 
Na praça de Dubrovnik. 
Licínia

3. Justine

2. Bettips

1. Agrades

quinta-feira, fevereiro 19, 2015

AGENDA PARA FEVEREIRO DE 2015

Dia 26 - Fotografando as palavras de outros sobre o excerto
(…)
Mas ele já estava a descer a escadaria em direcção à praça. Ao longe ouvia-se o tambor e, por revoadas, o rumorejo ondissonante da multidão. As janelas do Clube dos Valetes de Paus estavam inabitualmente encerradas. Nem os vadios que costumavam coçar-se junto ao pedestal lá se encontravam nesse dia. Nem o homem do realejo, nem os zíngaros com as suas rabecas mágicas. Um cachorro atravessou a praça silenciosa, numa diagonal alegre, e nada mais houve a contrastar o abandono daquele espaço.
Talvez fosse melhor esperar que tudo se consumasse, pensou Zoltan e encostou-se ao pedestal.
O VARANDIM SEGUIDO DE OCASO EM CARVANGEL, de Mário de Carvalho, Porto Editora, pág. 79

O DESAFIO DE HOJE



Dia 19 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia da Licínia.

10. Zambujal

A cidade. Emoldurada pelas pernadas de umas árvores e pelo horizonte onde a vista acaba. Nem o fumo de uma fábrica, nem um sino, nem um klaxon. Nem uma Torre Eiffel ou dos Clérigos, nem um Zimbório da Estrela ou um Castelo dos… altaneiros.
A cidade. De betão. Com as janelas como olhos vazados, e por isso inúteis, por não terem por detrás olhos vivos a espreitarem entre cortinas. A urbe. Sem turba. Sem turba multa (nem multas!…) 
Zambujal

9. Teresa Silva

Grande cidade visitada por muitos turistas. Estão todos a olhar a extensão de prédios que se avista, por certo de um ponto alto. Curioso o destaque, no primeiro plano, para a árvore e um candeeiro, tornam a fotografia mais interessante. Fica a curiosidade sobre o local da viagem, a autora poderá esclarecer? 

Teresa Silva

8. Rocha/Desenhamento

Dentro dos meus olhos, a cidade grande; não me revejo nela mas vejo-a e posso imaginar donde se olha para além. Sei, cada vez mais convictamente, que as cidades com este perfil me são hostis, obrigam-me a pensar num território diferente quanto à ocupação e mais ampla paisagem entre várias condensações urbanas. Perto e longe umas das outras, cada qual com populações entre vinte mil e duzentos mil habitantes. Sem contar com os lugares de pouca gente, rios, bosques, lagos, aldeias para se nascer de novo.

Rocha de Sousa

7. Mena M.

Em vão procurei os óculos e tentei aumentar a fotografia.
De dentro do meu olhar de vista cansada, um mar de casas, inquieto, dois ou três prédios-navios lá no meio, o miradouro um cais, onde imagino ver algumas pessoas a acenar.
Já não sei se é falta de vista ou se é a falta que o mar me faz...
Mena

6. M.

Como um binóculo através do qual recordo a cidade amada e desço saudosa às suas ruas. É assim que te sinto, fotografia. 
M

5. Luisa

Do alto olha-se a cidade. Quem viverá dentro daquelas paredes? Deve ser gente como nós, desejosa de sair do seu betão para ir admirar outros betões, os betões dos outros. 
Luisa

4. Licínia

Grande, grande é a cidade. Um colosso de casas e gentes, de histórias alegres e tristes das casas, das gentes. A cidade tem um coração, mais pequeno que a soma dos corações das gentes. A cidade é um polvo, é uma aranha, é um animal maior que a soma dos pequenos animais que a habitam. A vida da cidade não é a soma das vidas das gentes. É outra coisa, é uma mole gigantesca de madeira, betão, pedra, metal, que constantemente se corrói e se constrói. Vista de longe, do alto, é uma planura pontuada de pequenos e grandes cerros, um diamante aqui, outro acolá, a rebrilhar ao sol do dia. Vulnerável, a cidade grande, às intrusões dos que a desamam, aos desmandos dos que a amam. Pelos séculos permanece, mutante, enigmática, desejada.

Licínia

3. Justine

A cidade apresenta-se-me, na sua imensidão, como um lugar de insegurança, uma hipótese de ameaça, um sopro de frieza. Contudo, a suavizar este meu sentimento, há este verde em primeiro plano, este verde intenso fresco e escuro – sinto-o como local de refúgio possível e necessário num deserto de construções!
Justine

2. Bettips

Da cidade, ao longe, percebemos a harmonia, sabemos que é bela, que os monumentos a enfeitam de rendas nas franjas do céu, que o sol a protege, que o emaranhado das ruas e avenidas espera os nossos passos admirados. A cidade é, assim vista, apenas um postal. 
Mas, se pensarmos em cada casa e muitas casas habitadas, quantas as pessoas, quantas as alegrias ou desventuras, os dramas, as tramas, os palácios, os esconsos sótãos, a cidade será como uma biblioteca de livros por escrever. De vidas que nunca serão contadas, de gente que nunca se saberá que existe. Que lá passou, que lá viveu o amor ou o ódio, na ternura ou na ira. Nevoeiros de que nos apercebemos, vagamente.
Tal qual agora, vejo e penso “a cidade”, ao olhar a fotografia.
Bettips

1. Agrades

Tanta gente, tantas cores, tantos credos…
Agrades

segunda-feira, fevereiro 16, 2015

PARA VOSSA INFORMAÇÃO

quinta-feira, fevereiro 12, 2015

AGENDA PARA FEVEREIRO DE 2015



Dia 19 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia da Licínia.

O DESAFIO DE HOJE

Dia 12 - Reticências com a frase “Nunca te esqueças” a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.

11. Zambujal

NUNCA TE ESQUEÇAS… de quê? Se é do nome daquele alemão da doença podem estar descansados que se trata de exercício de memória quotidiano. Dos comprimidos? Eles são tantos… De aniversários? Às vezes acontece, na voragem dos dias e nas falhas da agenda. De compromissos? Procuro que nunca aconteça. De quê, então? Ah!, já sei… não esquecer a fotografia: que tal esta
 
  
                    “à espera de um ninho?”
Zambujal