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quinta-feira, Agosto 21, 2014

AGENDA PARA SETEMBRO DE 2014



Dia 18 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia de Agrades.

REGRESSO AOS NOSSOS DESAFIOS

Agenda para setembro de 2014 

Proposta pela Agrades 

Dia 4 - Ao jeito de cartilha: Proponho-vos que usemos a sílaba “Ar” para formar as nossas palavras. O texto que alguns de nós acrescentarmos é facultativo. 
Dia 11 - Reticências com a frase “Amanhã, sem falta” a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia. 
Dia 18 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia de Agrades. 
Dia 25 - Fotografando as palavras de outros sobre o excerto 

" Penso: talvez o céu seja um mar grande de água doce e talvez a gente não ande debaixo do céu mas em cima dele; talvez a gente veja as coisas ao contrário e a terra seja como um céu e quando a gente morre, quando a gente morre, talvez a gente caia e se afunde no céu." 

Nenhum Olhar, José Luís Peixoto, Bertrand Editora.

quinta-feira, Julho 31, 2014

PAUSA

Fazemos agora uma pausa.
Voltaremos a encontrar-nos aqui em setembro.
Boas férias para todos. Não importa onde se está mas como se está.

M

6. Zambujal

«… Agora é o coração que se constrange. Vivi aqui e ali. Uma, duas, três casas que abrigaram o adolescente e parecem olhar o homem maduro com olhos cegos, janelas ocas… Tudo isso do sonho e da saudade é uma mentira arranjada, um embuste literário, ou o quê?...»
Perante a fotografia sobre estas palavras antecipo as reticências do texto de Nemésio e atrevo-me a corrigir – meu sonho, saudade, pretexto literário – que este homem já bem mais que maduro olha e fotografa, com olhos húmidos, a janela por onde entra o sol poente a dar luz e vida ao quarto onde, há 116 anos (a 21 de Janeiro de 1898), nasceu o pai.
E regresso ao autor das palavras justas e às reticências mais abaixo: «… A maior parte das coisas do mundo interior que levamos são dessa qualidade intransferível: têm essa só realidade unilateral, mesmo quando empenham dois lados, como por exemplo o amor.» 

Zambujal

5. M.

4. Licínia

3. Justine

2. Bettips

Fotografando as palavras de outros sobre "Se bem me lembro..." de Vitorino Nemésio - bem complicado, para mim, tentava escolher uma foto da ilha de S. Miguel e seus escuros, céus burros e terra inclinada. Achava que a Terceira, onde nasceu, se pareceria mas nunca lá fui.
(e por este andar não vou)
Portais e batentes velhos tinha muitos mas pareceu-me demasiado comum. Por metáforas... só me surgiu esta, por acaso, e o perfil até me lembrou o escritor fluente e de voz encantatória que conhecemos.
Assim vai porque em qualquer lado sentamos as recordações e nos perguntamos o que foi do tempo. A que portas nos encostamos, no mar alto da infância e adolescência, ou na maré vaza dos dias comuns. Que chuva molhou os nossos caprichos e desgostos. Que vozes nos foram ternas e ainda ouvimos. 
Bettips

1. Agrades

sexta-feira, Julho 25, 2014

7. Jawaa



 "Além fronteiras há admiração e respeito pelo povo que somos. Somos maiores do que nos pensamos." 
Jawaa

quinta-feira, Julho 24, 2014

AGENDA DE JULHO DE 2014

Dia 31 - Fotografando as palavras de outros sobre este excerto que nos faz recordar Vitorino Nemésio 

« (…) Agora é o coração que se constrange. Vivi aqui e ali. Uma, duas, três casas, que abrigaram o adolescente e parecem olhar o homem maduro com olhos cegos, janelas ocas...Tudo isso do sonho e da saudade é uma mentira arranjada, um embuste literário, ou o quê? Então não é verdade que aquela vidraça era minha? Aquele ferrolho o descanso da mão de minha mãe à entrada? Aquela beira e sobeira as telhas que choraram os aguaceiros que eu vi? E a nossa melancolia nasceu ou não destes céus tristes, baixos, burros? Porque nos não conhecem e festejam as janelas, as begónias dos «gabinetes» e as pedras das calçadas? Mas passamos ao largo de tudo e tudo fica incólume. Aqui só há uma coisa que se comove – o coração que vai passando. As coisas chegam às vezes a um ponto de saturação no regresso e no amor que não há lágrimas vivas que sejam dignas de nós! Desaforo expressivo... Excesso confessional... Vou-me conter. Não digo mais nada desta jornada matinal das ruas de Angra e dos seus portões ultrapassados em peregrinação recôndita. Tudo isto é turismo baldado, roteiro inerte... Para quê teimar em recolher coisas talvez mal passadas pela memória, e só aí?... A maior parte das coisas do mundo interior que levamos são dessa qualidade intransferível: têm essa só realidade unilateral, mesmo quando empenham dois lados, como por exemplo o amor.» 
Se bem me lembro..., Vitorino Nemésio (selecção de textos e organização de Joana Morais Varela), Contexto Editora, colecção Cortes, setembro de 2001

O DESAFIO DE HOJE

Dia 24 - Jornal de Parede

6. Zambujal



 JORNAL DE PAREDE 
(em Inhaca – Moçambique)

 … do Povo! 
Noticiário nacional – nada 
Noticiário internacional – nada (estávamos de férias!) 
Cultura – nada 
Algumas informações locais
melhor que… nada 
Zambujal

5. M.



Porque tomei conhecimento destas ruínas da cidade romana de Ammaia através da Bettips, as visitei com ela e achei interessante o lugar, partilho convosco a informação.
 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ammaia

4. Licínia

3. Justine

2. Bettips

1. Agrades

quinta-feira, Julho 17, 2014

AGENDA PARA JULHO DE 2014

Dia 24 - Jornal de Parede

9. Zambujal

Um vitral é, sempre, um puzzle de peças coloridas. Por vezes, a imagem, formado o quadro completo, quase esconde as peças de que é composto. 
Mas um vitral também pode ser só uma soma em que não se apagam as parcelas ou formar, autonomamente, sub-totais.
Ou pode, até, lembrar um jogo da glória. Desarrumado ou desarmado. Como é o caso desta feliz escolha e desafio. 
Zambujal

O DESAFIO DE HOJE



Dia 17 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia de Teresa Silva.

8. Teresa Silva

Os vitrais da Catedral católica de Liverpool são de uma beleza extraordinária, aliás todo o monumento, construído nos anos 60 do século passado. Há vitrais de todas as cores, desde o azul e verde, até aos vermelhos, laranja e amarelos. Circundam toda a Catedral e contrastam com a obscuridade do ambiente. 
Teresa Silva

quarta-feira, Julho 16, 2014

7. Rocha/Desenhamento

Ao fitar esta imagem fico com ela, provisoriamente, dentro do olhar. Logo ela se resolve no fundo da memória e passo a saber que estou diante de um vitral ou parte dele. Coisa que não vem das longínquas oficinas da antiguidade, mestres ao lado de Chartres, a cortar os vidros segundo um desenho e uma estrura para o chumbo, riscando com delicados pincéis e operando sombras através de um pó apropriado. Tudo para entrar no forno e ser montado mais tarde, depois da cozedura, em grades de ferro, os vidros coloridos brilhando e as sombras, plasmadas pelo "grisé", modelando a ideia visual do claro-escuro. Grelha apertada consoante a fragilidade do pormenor ou mais aberta na largueza das formas. Destas coisas fala a memória perante este vitral menos inventivo, abstracto, que explora pouco a força da passagem da luz através da transparência. Imagino que os vitrais, aparentemente saturados de cor "sinfónica", são uma espécie de tradutores da luz branca vinda do exterior para, tornando-a pintura em luz cromática, a passar habitualmente do exterior para a sombra dos espaços interiores, conferindo-lhes uma espécie de vibração sacra. 
Rocha de Sousa

6. M.

A leveza da cor, a leveza da luz. Um vitral ou as asas de uma borboleta. Religiosidade e voo. Quietude e movimento. Contemplação. A Beleza, lugar sagrado. 
M

5. Luisa

Da beleza e fragilidade do vidro e da vida. 
Luisa

4. Licínia

Um tempo assim de céu e flor, também de lume, anoitecer, amanhecer. Horas soltas, acrescentadas, levadas por caminhos de rectidão, ou sinuosos, de hesitação. Uma manta, uma tela, um vitral, uma vida. 
Licínia

3. Justine

Um vitral. Um caleidoscópio. Uma vida aos bocados. Um campo de tulipas na Holanda. Uma prisão e o desejo de fuga!
Muitas outras possíveis associações: assim se pode medir a força da arte! 
Justine

2. Bettips

À parte a coragem e alegria que nos dão as cores desta fotografia, fez-me lembrar um vitral: vitral do coração, azul e vermelho, rosa e magenta, azuis tanto de mares como de céus.
Ventrículos divididos pelas vidas que somos: e um sol que nasce. 
Bettips

1. Agrades

Tanta cor, tanto paladar... 
Um gosto visual intrigante e desafiador quer pelas suas formas quer pela cor. Imagino um vitral de artista moderno e atrevido, ou uma caixa de aguarelas, a tampa dum guarda joias ou mesmo uma caixa de bombons... Ou qualquer outra coisa que a imaginação desejar. 
Agrades

quinta-feira, Julho 10, 2014

AGENDA PARA JULHO DE 2014



Dia 17 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia de Teresa Silva.

O DESAFIO DE HOJE

Dia 10 - Reticências com a frase “Azáfama à beira-mar” a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.

10. Zambujal



Azáfama à beira-mar! Era o que era. Em Inhaca, no final do ano de 2007. Barcaças chegavam, barcaças partiam. Traziam e levavam gente numa misturada em que mal se distinguiam uns e umas de outras e outros pelas cores das peles e das vestimentas. Traziam e levavam embrulhos, lancheiras, caixas frigoríficas, mercadorias para festejar a época. Na ponte-pontão, uns esperavam, ansiosos, outros observavam, curiosos, e ainda havia os completamente indiferentes, estando ali como podiam estar algures ou nenhures, de costas e o fundo destas de costas voltadas para a azáfama à beira-mar. 
Zambujal

9. Teresa Silva



Azáfama à beira-mar. O Verão já começou. Há quem mergulhe; há quem esteja no toldo para se proteger do vento ou do sol; há quem passeie a pé pela praia. Tudo está normal depois de um Inverno destruidor. Até o rochedo retomou a sua posição habitual. 
Teresa Silva

8. Rocha/Desenhamento



Azáfama à beira-mar é coisa bem marcada na memória histórica e visual da nossa terra, ao longo da costa, fronteira portuguesa que só dialoga com o oceano e que faz de nós o perfil em forma de rosto de um continente cada vez mais sombrio. Chamam-nos periféricos mas a palavra cai na espuma dos dias. Somos, pelo contrário, um território central do mapa entre continentes e o sol ainda nos separa dos países nórdicos, ricos, que parecem desdenhar da nossa pequenez e grandeza no tempo da conquista dos mares. Nada disso se pode resumir a tão pouco. Tão pouco como o teor desta imagem gigantesca. São barcos que entram e saem do mar, em pleno sol, em azáfamas de dois ou três homens apenas: a praia, a barca, o trator, o tirante de arrasto, tudo em movimento, entre paragens e recomeços. Daqui vem o alimento e a imagem de um trabalho milenar. 
Rocha de Sousa

7. M.



Azáfama à beira-mar. Negócio de família, passado de geração em geração. Que importa se a receita do bolo de morangos não é exatamente a mesma da bisavó? Que importa se as mãos são outras? Lembram... pois, não admira. Ah e aquele sinalzinho a parecer um salpico de canela sobre a pele macia da menina? Percalços de pasteleiro. O formato moderno do balde, em plástico, tão frágil, estraga-se num instante, parte-se, pensarão os adeptos de materiais mais resistentes. Não tem importância, até é divertida a leveza do modelo comparado com os de tempos idos. Talvez este seja Made in China. Ou terá a marca de alguma pequena fábrica portuguesa do centro do país gravada no fundo? Não faço ideia. Para satisfazer curiosidades precisava de o virar ao contrário. Impensável, não quero provocar desilusões. Tanto cuidado a alisar a superfície do bolo, quase pronto para ser metido no forno ao ar livre, amplo e comunitário, a temperatura desejada ideal... Entornava-se a massa, tenho a certeza, e lá ia por água abaixo – com a agravante de ser salgada - a festa de anos imaginada, mais as velas e os enfeites, arrumadinhos ali ao lado, à espera do momento cantado.
Repetem-se os gestos, ainda que a areia escorregue entre os dedos, e permanece o sabor de infâncias comuns numa confeitaria à beira-mar. 
M

6. Luisa



Azáfama à beira-mar só se for por obrigação, como arrastar barcos até à areia, recolher redes e escolher o peixe para a lota. 
Luisa

5. Licínia



“Azáfama à beira-mar” não será propriamente o título adequado para esta imagem, já que as gaivotas parecem tranquilas observando as águas. Mas que sabemos nós do alvoroço de quem espera, na incerteza, o seu quinhão do dia? 
Licínia

4. Justine



Azáfama à beira-mar... pudera, se os barcos vieram tão cheios! Há peixe para dar e vender, para homens e para gaivotas! Os pescadores vão enfim poder descansar da sua dura faina, nem que seja por um dia! É alegre, esta azáfama à beira-mar... 
Justine

3. Jawaa



Azáfama à beira-mar, manhã cedo, quando gosto de sentir a ilusão de ter praia toda para mim. 
Jawaa

2. Bettips



Azáfama à beira-mar ... logo que o casal se sentou e começou a desembrulhar o lanche! 
Bettips

1. Agrades



Azáfama à beira mar, cada dia mais necessária.

Agrades

quinta-feira, Julho 03, 2014

AGENDA PARA JULHO DE 2014

Dia 10 - Reticências com a frase “Azáfama à beira-mar” a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.

O DESAFIO DE HOJE

Dia 3 - Ao jeito de cartilha: Proponho-vos que usemos a sílabaDa” para formar as nossas palavras. O texto que alguns de nós acrescentarmos é facultativo.

10. Zambujal



            Cidadania

9. Teresa Silva



Como cada um quiser ver: - Uma saída ou uma entrada
Teresa Silva

8. Rocha/Desenhamento



                           Cada

Cada qual pesca quando e como quer. 
Rocha de Sousa

7. M.



                          Corda

6. Luisa



                       Descida

5. Licínia



                    Madrugada
 
Um tímido nascer do Sol, lá por detrás das montanhas azuis que tanto encantaram Sophia. 
Licínia

4. Justine



                Redonda

A foto foi tirada em Vila do Conde: igreja católica com cúpula redonda de mesquita! 
Justine

3. Jawaa



                 Dádiva

2. Bettips



                         Moda

Moda 
Impensável encontrar semelhantes palavras hoje em dia, como as deste anúncio, para anunciar e vender um creme ou o que seja. Até numa eleição nos vendem a feiura interior e a desonestidade de um candidato!
As campanhas são agressivas, as imagens enganadoras, as frases são escolhidas por “experts” da comunicação para nos motivarem os sentimentos, as necessidades, os desejos, mesmo os mais secretos. Daí esta minha escolha, directa, baseada na simplicidade e romantismo da época. 

Bettips

1. Agrades



                       Renda

quinta-feira, Junho 26, 2014

AGENDA PARA JULHO DE 2014



 
Dia 17 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia de Teresa Silva.

AGENDA PARA JULHO DE 2014

Dia 3 - Ao jeito de cartilha: Proponho-vos que usemos a sílabaDa” para formar as nossas palavras. O texto que alguns de nós acrescentarmos é facultativo.
Dia 10 - Reticências com a frase “Azáfama à beira-mar” a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.
Dia 17 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia de Teresa Silva.
Dia 24 - Jornal de Parede
Dia 26 - Fotografando as palavras de outros sobre este excerto que nos faz recordar Vitorino Nemésio

« (…) Agora é o coração que se constrange. Vivi aqui e ali. Uma, duas, três casas, que abrigaram o adolescente e parecem olhar o homem maduro com olhos cegos, janelas ocas...Tudo isso do sonho e da saudade é uma mentira arranjada, um embuste literário, ou o quê? Então não é verdade que aquela vidraça era minha? Aquele ferrolho o descanso da mão de minha mãe à entrada? Aquela beira e sobeira as telhas que choraram os aguaceiros que eu vi? E a nossa melancolia nasceu ou não destes céus tristes, baixos, burros? Porque nos não conhecem e festejam as janelas, as begónias dos «gabinetes» e as pedras das calçadas? Mas passamos ao largo de tudo e tudo fica incólume. Aqui só há uma coisa que se comove – o coração que vai passando. As coisas chegam às vezes a um ponto de saturação no regresso e no amor que não há lágrimas vivas que sejam dignas de nós! Desaforo expressivo... Excesso confessional... Vou-me conter. Não digo mais nada desta jornada matinal das ruas de Angra e dos seus portões ultrapassados em peregrinação recôndita. Tudo isto é turismo baldado, roteiro inerte... Para quê teimar em recolher coisas talvez mal passadas pela memória, e só aí?... A maior parte das coisas do mundo interior que levamos são dessa qualidade intransferível: têm essa só realidade unilateral, mesmo quando empenham dois lados, como por exemplo o amor.» 

Se bem me lembro..., Vitorino Nemésio (selecção de textos e organização de Joana Morais Varela), Contexto Editora, colecção Cortes, setembro de 2001

O DESAFIO DE HOJE

Dia 26 - Fotografando as palavras de outros sobre o poema

Nos teus dedos nasceram horizontes
e aves verdes vieram desvairadas
beber neles julgando serem fontes.

As Mãos e Os Frutos, Eugénio de Andrade, Fundação
Eugénio de Andrade

10. Zambujal

9. Teresa Silva


 
Podemos imaginar os dedos que tiraram a fotografia e alguma ave escondida que veio beber água, embora não se veja.
Teresa Silva

8. Rocha/Desenhamento

7. M.

6. Luisa

5. Licínia

4. Justine

3. Jawaa

2. Bettips

1. Agrades

quinta-feira, Junho 19, 2014

AGENDA PARA JUNHO DE 2014

Dia 26 - Fotografando as palavras de outros sobre o poema

Nos teus dedos nasceram horizontes
e aves verdes vieram desvairadas  
beber neles julgando serem fontes. 

As Mãos e Os Frutos, Eugénio de Andrade, Fundação
Eugénio de Andrade

O DESAFIO DE HOJE



Dia 19 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia de Rocha de Sousa.

11. Zé-Viajante

Faz hoje precisamente 17 meses (salvo erro & omissão) que a Natureza se zangou. Naquela fatídica madrugada, entre outros fenómenos, o Mar reclamou o que era seu. Situação que se viria a agravar no inverno seguinte. Agora atamancamos aqui e ali até que novas desgraças aconteçam. Com um verdadeiro plano do território muito se poderá ainda evitar. Haja coragem para isso. 
Zé-Viajante

10. Zambujal

As palavras que se me suscitam, depois de em mim terem entrado pela porta dentro do olhar, são quase obsessivas.
No dia de hoje, no estado de espírito de agora, essas palavras compõem uma frase batida, reproduzem o título de um livro: a fenda na muralha.
E porquê se não há nenhuma muralha na foto, se a fenda apenas mal se desenha até ao azul da réstia do mar? Porque foram as palavras e a frase trazidas logo ao primeiro olhar da imagem.
Eis a explicação completa. Total. Porque não procuro outra. 
Zambujal

9. Teresa Silva

Uma boa imagem de alerta para as questões ambientais. É muito interessante que com a presença de tantos elementos negativos (que me dispenso de mencionar) o resultado seja, do ponto de vista fotográfico, muito bonito. 
Teresa Silva

8. Rocha/Desenhamento

Já ouviram falar no Tejo? É bom andar junto ao Tejo, pela manhã, num dia primaveril, vendo os pescadores à cana, os alfacinhas que se pelam por rodar o carrinho e parar ali, rolando depois as nádegas na relva e futebolando com os filhotes. Corre-se pela margem e a todo o instante podemos rolar pelas pedras do limite, não há segurança, nem barras, deslizam os barcos à distância de um olhar de soslaio. Esta imagem foi realizada assim, o peixe não salta, as flores e a relva não contaminam o ar, as gaivotas fogem daqui. 
Rocha de Sousa

7. M.

Uma fotografia que me lembra um vómito. O vómito de pessoas indiferentes ao mundo que as rodeia. Uma espécie de narcisismo, e de tal ordem presunçoso que, fossem elas ao menos capazes de se reconhecer nas águas individualistas da sua existência, sentiriam repugnância pela sua própria imagem. 
M

6. Luisa

Quando algo nos incomoda, atiramo-lo fora sem pensar que um dia esse mal pode voltar para trás. 
Luisa

5. Licínia

Pelos sete mares que cruzámos, 
O nosso mundo a alargar, 
O nosso medo a acalmar, 
O sonho a crescer, crescer, 
Pelas ondas em que morremos, 
Pelos barcos que perdemos, 
Pelos tesouros que encontrámos, 
Por toda a vida vivida, 
Aquém e além dos mares, 
Desses mares que foram estrada, 
Deslumbramento e abismo, 
Pelas histórias que contamos 
De bravura e aventura, 
Por tudo o que aqui vos digo 
E tudo o mais que não sei, 
Que se acabe esta tristeza 
De poluir, ofender, 
A água que conquistámos, 
A vida que ainda temos 
Neste astro em que nascemos. 

Licínia

4. Justine

A natureza está a morrer. Às mãos gananciosas do homem. Morrem as florestas porque é preciso alimentar o lucro dos madeireiros, morre o mar porque não se respeitam os ciclos de vida marinha, ou porque se faz do mar uma lixeira barata!
Cada vez é mais difícil encontrar zonas preservadas, limpas, belas.
Como esta entrada vulcânica para um mar sereno! 
Justine

3. Jawaa

O Homem por natureza é um poluidor: consome a água pura das fontes e verte rios de dejectos. Nada que qualquer outro ser não faça. É apenas uma questão de equilíbrio.
O raciocínio deu poder ao Homem. E o poder corrompe. 
Jawaa

2. Bettips

Interessante aproximação de que não podemos desviar os olhos quando, no real, desviamos os passos. Apesar da sugestão das cores, muito bem conseguida nos seus cambiantes, parecendo restos de minério, sinto aqui o cheiro do esgoto e a desilusão da água que o recebe. 
Bettips

1. Agrades

Olho para esta foto e vejo três espaços: um sólido, rocha partida irregularmente que forma um passeio; outro, líquido, que poderá ser um mar, ou talvez um rio ou mesmo um lago e, entre estes, uma massa irregular composta por ambos de modo indefinido... 
Agrades