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quinta-feira, abril 16, 2015

AGENDA PARA ABRIL DE 2015

Proposta da M

Dia 23 – Jornal de Parede

O DESAFIO DE HOJE



Dia 16 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia da M.
(Adorei as vossas respostas à minha fotografia. Engraçado como todos encontraram nesta cadeira características humanas, ou com ela associaram situações reais do nosso quotidiano envolvendo comportamentos de gente, o que me leva a concluir que os objectos têm na verdade alma.)

11. Zambujal

Escadeirou-se escada abaixo!

Bónus:
Zambujal

10. Teresa Silva

A primeira reacção é de espanto, pelo insólito da situação. Depois, tento imaginar a cena: alguém estava na cadeira e caiu ou uma pessoa atirou a cadeira pela escada abaixo. Mas em qualquer dos casos ela estaria partida e não ficava tão direita num degrau. Por fim, ocorreu-me que a cena não passava de uma encenação um tanto surrealista, com boa luz e boa definição de imagem. Será? 
Teresa

9. Rocha/Desenhamento

Quando os meus olhos ficam cheios desta imagem, degraus em pedra, renque de plantas secas, uma cadeira de outrora tombada no penúltimo degrau, fico preso à grandeza simbólica que parece desprender-se da «cena». É o resto de uma cena caseira de ontem ou de há muitos anos, quando a avó tombou de cima das escadas e teve de ser levada ao hospital, onde acabou por falecer. Bela memória que enche os olhos da lembrança anterior à que me ocorreu. Deitada, a cadeira parece o corpo de alguém. E as plantas secas confirmam a idade do local e das coisas. Bela fotografia.
Rocha de Sousa

8. Mena M.

Deitada a servir de obstáculo, para proteger qualquer bebé?
Cansada de tanto descanso, não tarda que se ponha em pé! 
Mena

7. M.

Gosto de cadeiras. Encontro nelas personalidade e comportamentos de gente. Simples ou não, umas mais espartanas do que outras, mais arrebique menos arrebique, com estofo ou sem ele, não resisto a fotografá-las. Reparei nesta. Lembrou-me meninos que se recostam seja onde for, de qualquer maneira, a descansar das brincadeiras, algumas vezes apenas por curiosidade em descobrir de que forma sentem no corpo cada bocadinho do chão onde se deitam. Alguém diligente a colocara ali como cancela improvisada num espaço ao ar livre onde decorria uma festa de crianças. Achei-lhe graça, mas estranhei que a nenhuma tenha passado pela cabeça desafiar aquela vedação frágil, saltando-lhe por cima ou retirando-a dali. Talvez se tenham reconhecido nela pensando que, cansada de brincar, tinha adormecido no degrau. 
M

6. Luisa

A cadeira nas escadas é um mistério quase policial: estava a velhota no terraço gozando as vistas, e alguém a empurrou para herdar os seus haveres? Ou a cadeira é um sinal de proibição duns pais cuidadosos para com os filhos desejosos de ver o que está lá em cima? Ou alguém, sem forças para subir as escadas, resolveu auxiliar-se com uma cadeira, o que não resultou? Seja qual for a hipótese, apeteceu-me ir até aí e subir a escadaria.
Luisa

5. Licínia

O SUICÍDIO DA CADEIRA
Há anos que ninguém lhe encontra préstimo. Nem um leve roçar de corpo, no assento, nem um braço a rodear-lhe as costas, nada. Passam sem a ver. Descem a escada, apressados, como se vivessem o último dia. Hoje já ninguém se senta, ninguém pára, ninguém olha o céu, ninguém conversa, ninguém descansa. Dantes, ao luar, no seu colo pousavam, e ela sentia-lhes as falas, os suspiros, até, quando o silêncio se fazia, o bater dos corações. Está sozinha a cadeira. Sozinha e invisível. Pela primeira vez, sem ajuda, moveu as pernas, inclinou o dorso, rangeu os ossos e atirou-se, no vazio. Um degrau a acolheu, caída sobre um lado. Ali ficou. Hoje, muitos nela reparam e dizem: olha uma cadeira aqui deitada. Mas ninguém a levanta. Ao menos olham-na.
Licínia

4. Justine

Uma pessoa que, sentada no terraço ao sol, se desequilibrou e caiu pela escada abaixo, ficando apenas a cadeira à vista? Ou uma pessoa que, zangada com a vida e com o mundo, descarregou a sua zanga na cadeira mais próxima, que só parou no penúltimo degrau? Ou metáfora de alguma procura filosófica, jogando a artista com a lisura, modernidade e brilho do objecto em madeira, em contraste com a rugosidade, vetustez e frieza da pedra? Ou simplesmente o bom gosto e sensibilidade da fotógrafa, que com este cenário deu asas à minha imaginação? Só ela poderá responder… 
Justine

3. Jawaa

É como me sinto: sentada nessa cadeira, as pernas pendentes, os braços inertes e a cabeça a tentar o apoio do degrau acima, olhos sem ver para além do escasso verde por entre uma secura agreste. 
Jawaa

2. Bettips

Há uma desarmonia evidente entre as linhas horizontais das escadas, as travessas e tampo da cadeira e o próprio objecto caído. Contudo, nesse desalinho, surgem apontamentos verdes que se estendem dum pátio até à casa, possivelmente. Acaso a cadeira teria saído do seu lugar para conhecer de perto o fim da rede que sempre viu “de cima”? 
Bettips

1. Agrades

Deve ser uma instalação; só pode!
Mas eu, pessoa prática, acho que alguém se sentou na cadeira, num lugar errado, e veio de reboleta pelas escadas abaixo. A cadeira ficou a meio das escadas e o INEM já veio socorrer o infeliz. Até ouço TINONI, TINONI...

Agrades

quinta-feira, abril 09, 2015

AGENDA PARA ABRIL DE 2015



Dia 16 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia da M.

O DESAFIO DE HOJE

Proposta da M.
Dia 9 - Reticências com a palavra “Imagina” a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.

11. Zambujal



Imagina lá tu, perdão, imaginem lá vocês que me lembrei logo do John Lennon, e o chamei para música de fundo e inspiração. E tanto ele me prendeu que me atirei a ler o poema (e a canhestra tradução no youtube) e me pus a fazer uma minha versão (um “poema cuco”…), que guardo para mim ou para mais tarde ou nunca. Depois, imaginem lá, fui à estante e reli umas partes de tu imagines la politique, um livro de Philippe Herzog, de 1991 (quando os países socialistas europeus ruíam), e que muito anotei e com que muito me irritei. Então e hoje. Depois, bem… depois fui dar uma volta pelo quintal para, como já imaginaram, “não esquecer a fotografia”. Ela aí fica… imaginem lá o que faria um bom fotógrafo com uma boa máquina! 
Zambujal

10. Teresa Silva



Imagina como há mais de dois séculos se fazia o abastecimento de água a Lisboa. É só ir até ao Príncipe Real e entrar na Patriarcal. 
Teresa Silva

9. Rocha/Desenhamento



Imagina que atravessei a ilha toda, passando a Lagoa, sofrendo as intempéries da época, a beleza delas, o sonho de serem assim, sempre a pensar em ti, no que resta de nós aqui, na outra ponta deste resto de terra, e logo que cheguei à base deste monte, tudo estava assim, negado, em ruínas, sem nada a que eu possa agarrar-me, ultrapassando as horas mortas e chegando a ti depois das tábuas velhas da nossa pobre defesa dos bichos e da fome. Impermanente, permaneço. 
Rocha de Sousa | com base na curta metragem (Im)permanência, "uma abordagem à inevitabilidade do inconstante: nas peles das paredes das casas vividas, habitadas ou abandonadas, nas peles de um corpo amado,vivido ou esquecido, no tempo, nas relações, nas estações.

8. Mena M.



Imagina o que aconteceu. A dona do cão olhou para um lado, olhou para o outro e como não visse ninguém, deixou a "prendinha" no relvado e foi-se embora! Mas a fotógrafa estava lá! 
Mena

7. M.



Imagina, imagina, imagina sempre. Faz como as crianças que vão crescendo num mundo muito seu de realidade- -fantasia, ou de fantasia-realidade, vá-se lá saber onde começa uma e acaba a outra. E querem tanto ser crescidas. A vontade de imitar os “grandes” é-lhes inerente e, talvez porque pressentem nesses seus heróis a existência de uma convivência natural entre realidade e fantasia, não se sentem ameaçadas. Hum!... Pois, mas em tamanho grande a qualidade, o peso e a percentagem de cada um destes dois ingredientes com sabor humano serão outros. E há prazos de validade a ter em conta, mais as balanças, de tempos a tempos aparece alguém a aferi-las, o que poderá causar alguns transtornos no que se considera ou não como certo em questões de dinâmicas vivenciais.
Imagina, imagina, imagina. Não te canses de imaginar. Para não sofreres de claustrofobia mental.
Está bem, eu digo o que vejo neste pequeno quadro: um passeio à beira-mar durante a maré baixa.
M

6. Luisa



Imagina o susto dum assaltante ao deparar com esta sentinela. Imitemos as gentes de Salir se nos queremos proteger. 
Luisa

5. Licínia



Imagina um país vendido, comprado, maltratado, malbaratado, despejado, insultado, desgovernado, com os vidros sempre à beira de quebrar, sempre tentado a proibir, de Pereiras salvando bandeiras, de bandeiras hasteadas sem preceito. Mesmo assim um país que resiste e sempre espera um novo vento que lhe desfralde o pano, que lhe conserte a esperança. 
Licínia 
(Num passeio por Almada, nas entranhas da terra abandonada, como num cenário de guerra. A Lisnave vista lá por trás, os restos de uma cidade morta.)

4. Justine



Imagina que estás comigo de férias, num país estrangeiro mas familiar e querido. Imagina que andas comigo a flanar pelas ruas perto do velho mercado, sorvendo cores, perfumes, ruídos. A rua está animada, com uma banda a tocar e um grupo de mulheres a uma esquina, na conversa. Imagina então que, de entre essas mulheres, sai uma criança, um menino redondinho e simpático, que começa a acompanhar a banda com o meneio das ancas, o movimento sincopado dos braços e da cabeça, o bater ritmado dos pés. A música sai dele como sai o sorriso e o olhar matreiro. Imagina esse momento único e irrepetível, em que tudo foi perfeito. 
Justine

3. Jawaa



Imagina que fazes parte desta paisagem. 
Jawaa

2. Bettips



Imagina que se reuniam os melros, numa reunião de condomínio de fim de tarde. Para discutirem as medidas a tomar ao terem sido despejados, eles, os seus ninhos e os seus filhotes, do “Condomínio de luxo” na velha árvore, donde se via o mar-azul-de-água e o mar-verde-de-terra. Despejados por uma serra eléctrica, as suas cabecinhas ainda tremem de espanto. 
Bettips

quarta-feira, abril 08, 2015

1. Agrades



Imagina como o alfaiate se sente! 
Agrades

sábado, abril 04, 2015

OS VOTOS DE BOA PÁSCOA DA AGRADES



Da Agrades para todos nós.

quinta-feira, abril 02, 2015

AGENDA PARA ABRIL DE 2015

 Proposta da M.
Dia 9 - Reticências com a palavra “Imagina” a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.

O DESAFIO DE HOJE

Proposta da M.
Dia 2 - Ao jeito de cartilha: Proponho-vos que usemos a sílaba “La” para formar as nossas palavras. O texto que alguns de nós acrescentarmos é facultativo.

9. Zambujal


LAVRAR

LAdra se chama a LArápio no feminino e se diz da faLA do cão: LAdra que se esgana… Basta trocar uma letra à paLAvra e tudo muda. Muda a moda do faLAr e do vestir como lhes é azado.
As palavras são volúveis e também solúveis. Ao pôr-se um a em vez de um o passa logo outro a ser outra; ao encontrarem-se os dois, soma-se uma letra e, por mor do amor, um nó em nós nos pode tornar.
Com palavras, tudo (ou quase) se pode dizer. OLAriLA! Apenas com paLAvras nada se pode fazer.
(“What do you read, my lord? Words, words, words!” – Shakespeare)
Esta LAboriosa LAbuta é de minha LAvra, mas com paLAvras se LAvra a acta, o LAbéu, a terra, o futuro.


(Capa de Júlio Pomar
 para a edição da Prelo 
         de Pantagruel, de
                      Rabelais)

Zambujal

8. Teresa Silva



                  Ladeira

Descer não é difícil, mas subir esta ladeira já custa um bocado. 
Teresa Silva

7. Mena M.



                       Chinela

6. M.



                         Argola

5. Luisa



           Lagos, lagoas e laguinhos

4. Licínia



                       Lavanda

3. Justine



                         Lada

2. Bettips



                       Alazão

Canção do cigano

“Pela raia de Espanha, nas sombras da noite 
Passava um cigano no seu alazão 
O vento brandia seu nórdico açoite 
E as folhas rangiam, caídas no chão.” 

Letra de Frederico de Brito, música de Vasco Macedo, cantada por Alberto Ribeiro (1920-2000)

Quantas vezes não sei se são as palavras que se enredam no pensamento, se são as fotografias que surgem enredadas nas palavras e embrulhadas no pensamento! Teria sido a primeira vez que ouvi a palavra “alazão” que acho muito esbelta, tal qual são os cavalos e o seu porte. A música é dos anos 50/60. Seria capaz de a cantar de cor.
Assim me surgiu este cavalinho de bronze, nos músculos parados numa eterna espera, sem nunca poder atravessar a ponte... 
Bettips

1. Agrades



                       Laroca

Laroca, a cara de S. Majestade em dois painéis enormes à chegada a Gatwick. 
Agrades

quinta-feira, março 26, 2015

AGENDA PARA ABRIL DE 2015



Dia 16 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia da M.

AGENDA PARA ABRIL DE 2015

Proposta da M. 
Dia 2 - Ao jeito de cartilha: Proponho-vos que usemos a sílaba “La” para formar as nossas palavras. O texto que alguns de nós acrescentarmos é facultativo.
Dia 9 - Reticências com a palavra “Imagina”a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia. 
Dia 16 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia da M.
Dia 23 – Jornal de Parede 
Dia 30 - Fotografando as palavras de outros sobre o excerto de um livro que o meu Pai me ofereceu há muitos anos, e que agora reli com prazer, quando procurava material para os desafios deste mês. 
«Dissolvida a reunião, Helena recolheu-se à pressa com o pretexto de que estava a cair de sono, mas realmente para dar à natureza o tributo de suas lágrimas. O desespêro comprimido tumultuava no coração, prestes a irromper. Helena entrou no quarto, fechou a porta, soltou um grito e lançou-se de golpe à cama, a chorar e a soluçar.
A beleza dolorida é dos mais patéticos espetáculos que a natureza e a fortuna podem oferecer à contemplação do homem. Helena torcia-se no leito como se todos os ventos do infortúnio se houvessem desencadeado sôbre ela. Em vão tentava abafar os soluços, cravando os dentes no travesseiro. Gemia, entrecortava o pranto com exclamações sôltas, enrolava no pescoço os cabelos deslaçados pela violência da aflição, buscando na morte o mais pronto dos remédios. 
(…) 
Quando a tormenta pareceu extinta, a moça sentou-se na cama e olhou vagamente em tôrno de si. Depois ergueu-se; dirigiu-se trôpega ao quarto de vestir; ali parou diante do espelho, mas fugiu logo, como se lhe pesasse encarar consigo mesma. Uma das janelas estava aberta. Helena foi ali aspirar um pouco do ar da noite. Esta era clara, tranqüila e quente. As estrêlas tinham uma cintilação viva que as fazia parecer alegres. Helena enfiou um olhar por entre elas como procurando o caminho da felicidade. Estêve à janela cêrca de meia hora; depois entrou, sentou-se e escreveu uma carta.» 
Helena, Capítulo XIII, Machado de Assis, Gráfica Editôra Record, Rio de Janeiro, 1967

O DESAFIO DE HOJE

Dia 26 - Fotografando as palavras de outros sobre o poema

Uma após uma as ondas apressadas
Enrolam o seu verde movimento
E chiam alva spuma
No moreno das praias.
Uma após uma as nuvens vagarosas
Rasgam o seu redondo movimento
E o sol aquece o spaço
Do ar entre as nuvens scassas.
Indiferente a mim e eu a ela,
A natureza deste dia calmo
Furta pouco o meu senso
De se esvair o tempo.
Só uma vaga pena inconsequente
Pára um momento à porta da minha alma
E após fitar-me um pouco
Passa, a sorrir de nada

Ricardo Reis
Odes
Edições Ática, 1983

Nota: spuma spaço, scassas são apresentadas assim na edição que possuo.

11. Zambujal



Podia ser o mar, e as ondas, e a espuma,
podia ser o rio, e o sol, e as árvores, e o vento,
podia ser a natureza, enfim…
Mas era – só! – “o meu senso de se esvair o tempo (…)
uma vaga pena inconsequente (…) a sorrir de nada”

Zambujal

10. Teresa Silva

9. Rocha/Desenhamento

8. Mena M.



«Uma após uma as ondas apressadas 
 Enrolam o seu verde movimento»

7. M.



«A natureza deste dia calmo 
Furta pouco o meu senso 
De se esvair o tempo. 
Só uma vaga pena inconsequente 
Pára um momento à porta da minha alma 
E após fitar-me um pouco
Passa, a sorrir de nada»

6. Luisa

5. Licínia

4. Justine

3. Jawaa

2. Bettips



«A natureza deste dia calmo 
Furta pouco o meu senso 
De se esvair o tempo.»

1. Agrades

quinta-feira, março 19, 2015

AGENDA PARA MARÇO DE 2015

Proposta da Luisa
Dia 26 - Fotografando as palavras de outros sobre o poema

Uma após uma as ondas apressadas
Enrolam o seu verde movimento
E chiam alva spuma
No moreno das praias.
Uma após uma as nuvens vagarosas
Rasgam o seu redondo movimento
E o sol aquece o spaço
Do ar entre as nuvens scassas.
Indiferente a mim e eu a ela,
A natureza deste dia calmo
Furta pouco o meu senso
De se esvair o tempo.
Só uma vaga pena inconsequente
Pára um momento à porta da minha alma
E após fitar-me um pouco
Passa, a sorrir de nada

Ricardo Reis
Odes
Edições Ática, 1983

Nota da Luisa: spuma, spaço, scassas, são apresentadas assim na edição que possuo.

quarta-feira, março 18, 2015

O DESAFIO DE HOJE



Dia 19 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia da Luisa.

Nota: Porque amanhã terei eventualmente o dia muito ocupado, adiantei a publicação das nossas participações para o desafio desta semana.

10. Zambujal

Que palavras hão-de sair de dentro do olhar? 
Glicínias do nosso jardim, que estão a florir dia-a-dia, hora-a-hora...
E logo depois, deixando cair a primeira letra, o nome Licínia,
da nossa companheira destes outros temas, 
que também nos vai oferecendo a sua poesia e a sua prosa,
e que daqui saúdo pelo seu novo livro.
Zambujal

9. Teresa Silva

Bonita foto. Uma sinfonia de azuis e verdes, com um ligeiro toque de castanho. 
Teresa Silva

8. Rocha/Desenhamento

Vejo as flores fotografadas, que vieram dos olhos de outra pessoa, e julgo que o perfume também emerge dali, da imagem reproduzida.
Pétalas em bolbo, cordões delas, uma cascata entre troncos e ramos ásperos. Pego numa lente e vou cheirar de perto, isto é, descortinar o que é bolbo, como se juntam entre si, e se abrem em parte, e vivem na luz e na sombra, flores vivas até um dia, nos olhos ainda, abrindo espaço às que de si aparecem nascidas. O nome? Não sei. Mas a beleza tem nome? 
Rocha de Sousa

7. M.

E de repente chega-me ao pensamento a imagem de um jardim romântico de outros tempos onde uma donzela, os cabelos entrelaçados com flores de glicínia, passeia devagar junto do seu amado. 
M

6. Luisa

Numa volta do caminho, tornei a encontrar o perfume dos jardins da minha infância. 
Luisa

5. Licínia

As Glicínias. De pequena aprendi a conhecê-las pelo nome, já que por menos um “g” fui chamada. No jardim grande da minha terra, o senhor “Le Nôtre”, que se chamava Marques, e usava as mangas da camisa arregaçadas, o peito à vela e um chapéu preto sempre na cabeça, o magnífico jardineiro ensinava à minha mãe os nomes das flores e as suas preferências de trato, saberes que ela procurava reproduzir no nosso pequeno quintal. Das glicínias, que o senhor Marques tão bem cuidava, além do nome fixei o odor doce exalado pelos enormes cachos azul-lilás pendentes dos grossos, idosos, torcidos caules. Ainda hoje, quando passo por glicínias em flor, me parece ver, na sua sombra, o chapéu preto que o senhor Marques fazia descair para trás, com um piparote na pequena aba, a arejar o suor da testa, da sua testa de jardineiro-chefe que me ensinou a conhecer glicínias. 
Licínia

4. Justine

Podia ser a minha glicínia, a rainha do nosso jardim! Aquela que construiu para mim um túnel fora do tempo, forrado de perfume, beleza e silêncio das abelhas, e onde eu me refugio uns momentos todos os dias, assim como quem vai beber da fonte da vida! 
Justine

3. Jawaa

Esta imagem trouxe-me o aroma e a beleza ímpar dos cachos de glicínias que chegam em cada primavera. E acudiram-me versos de Fiama e de Sophia. Lembro estes, breves (Sophia de Mello Breyner Andresen): 
Sob o caramanchão de glicínia lilás
As abelhas e eu
Tontas de perfume
Lá no alto as abelhas
Doiradas e pequenas
Não se ocupavam de mim
Iam de flor em flor
E cá em baixo eu
Sentada no banco de azulejos
Entre penumbra e luz
Flor e perfume
Tão ávida como as abelhas. 
Jawaa

2. Bettips

Uma cascata de cores, de cheiros, de sensações, de inocências boas, como Maio o é. Sendo variantes da minha cor preferida, vem-me à lembrança uma recuada tarde, passeando na Boavista, onde ainda havia casas com muros-musgo e cachos de glicínias roxas. 
Bettips

1. Agrades

Olho, miro e volto a olhar e vejo flores lilases. Lilás, roxo, sugere-me Páscoa, paixão, amêndoas, umas doces, outras amargas. 
Agrades

quinta-feira, março 12, 2015

AGENDA PARA MARÇO DE 2015



Dia 19 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia da Luisa.

O DESAFIO DE HOJE

Proposta da Luisa

Dia 12 - Reticências com a frase “Não te espantes” a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.

11. Zambujal



                         Não te espantes…

… não te espantes, oh, elefantezinho!... nós sabemos que isto não é a A1… mas não te enerves, tem calminha. Vá lá, pára com essa correria… nós já metemos a marcha atrás…, nem nos deixas fazer meia volta? Não te espantes, não te espantes! 
Zambujal

10. Teresa Silva



Não te espantes, quando entrares, é apenas uma casa portuguesa. 
Teresa Silva

9. Rocha/Desenhamento



Não te espantes com este título. É bem português, roça os anos 60, era no tempo em que se emigrava num doloroso anonimato, 30.000 pessoas por mês, em autocarros meio velhos, à revelia do regime, ao acaso do futuro, tendo os pirinéus pela frente, fronteiras atravessadas a pé, o carro retomado mais à frente. Esta capa, do pintor Rocha de Sousa, crispa o desenho a partir de uma fotografia tirada praticamente ao acaso e procurando sugerir com as letras do título do livro um cabeçalho de jornal. Era o tempo da fotografia rasgada: metade ficava na aldeia, com a família, a outra metade levava o «foragido». Quando estivesse a trabalhar, nos subúrbios de Paris, enviava a sua metade e a família o saberia enfim vivo e empregado.
Nuno Rocha, o jornalista que escreveu esta crónica da «Emigração Dolorosa», fez-se passar por emigrante e foi para Paris na camioneta, passando por todas as vicissitudes das revistas da polícia espanhola. Em Paris, com a máquina de escrever que transportara na mala, escreveu grande parte de uma das reportagens mais fortes da sua vida e da nossa história. 
Rocha de Sousa

8. Mena M.



Não te espantes, hoje em dia tudo é possível... 
Mena

7. M.



Não te espantes com o que ainda vais encontrando nalgumas zonas rurais de Portugal, em contraste com as tecnologias do mundo actual.
Ao olhar para a senhora da minha fotografia, penso de imediato nas máquinas de lavar roupa cheias de automatismos e na facilidade que é meter-lhes dentro a roupa e esperar apenas que ela cumpra a tarefa até ao fim, de acordo com o programa escolhido. Embora no dia em que ali passei não me tenha parecido que esta senhora estivesse contrariada com o trabalho que executava, nem faço ideia se se trataria de uma escolha esporádica, na verdade todos sabemos ser muito mais penoso lavar roupa manualmente. Exige ensaboar cada peça em separado, enxaguá-la uma e outra vez, torcê-la com a força de braços e mãos, senti-las geladas, os dedos doridos, e depois carregar o fardo no alguidar, porventura à cabeça, ou amparado nos braços. Vermelho o alguidar, a lembrar o coração que se transporta sempre connosco, breve o repouso, longas as horas marcadas nas rotinas diárias. Reconheço tudo isso, mas encanta-me a arquitectura destes tanques amplos, testemunhas de ocupações e convívios antigos. Não há muitos anos era lugar de risos, de mágoas ora confessadas ora adivinhadas, de boatos, de segredos, de histórias de fugas pela calada da noite, a fronteira com Espanha tão perto, à distância de um salto arriscado. Permanecerá lugar de encontros, embora esvaziada de gente a aldeia, adormecidas as casas aguardando os emigrantes do verão?
Atravessei a pé Soutelinho da Raia em agosto de 2010 a caminho de Santiago de Compostela, abordei a senhora lavadeira com o propósito de lhe pedir autorização para a incluir na fotografia que eu desejava tirar, e ela aceitou, sorridente. Quase cinco anos passados, pergunto-me como se chamará, se ainda vive, onde mora. Sozinha? Acompanhada? Terá nascido na aldeia? E imagino-a criança, ajudando a mãe, talvez debruçada na janela à espera do pai, talvez a brincar com outros meninos ao jogo da macaca desenhado com um graveto qualquer no chão de terra batida. Talvez... Talvez...
Sem respostas às minhas interrogações, apenas sei que o tempo escorre nas diversas paisagens da existência. 
M

6. Luisa



Não te espantes se aparecer alguém a tocar violino na tua varanda. É que há artistas à procura duma Casa da Música. 
Luisa

5. Licínia



Não te espantes se uma cortina de névoa descer da serra, caminhar sobre as águas e te humedecer os olhos. Quando a beleza, de tão intensa, pode magoar, a Natureza desce sobre ela os véus diáfanos da inocência. 
Licínia

4. Justine



Não te espantes por eu te estar a enviar uma foto da mesa do meu almoço. Não olhes para a travessa nem para a singeleza do resto da baixela. Olha apenas para o amor com que o meu filho preparou a sapateira e a lasanha de marisco, e repara também na alegria com que nós nos sentámos à mesa. Ah, como me soube bem esta refeição! 
Justine

3. Jawaa



Não te espantes com a distorção das imagens reflectidas na porta. É assim o mundo que temos. 
Jawaa

2. Bettips



Não te espantes... se no meio de uma vila qualquer e longe dos circuitos turísticos habituais, encontrares uma escultura moderna, nos jardins bem cuidados. É em Alpalhão, bem no coração do Alentejo interior, com os tons de amarelo-sol e azul-céu a alegrar as casas. Terra rica em vestígios arqueológicos ainda antes da romanização da Península Ibérica, onde os habitantes celebram assim o património natural da Pedra. 
Bettips

1. Agrades



... não te espantes! É apenas a cabeça do Miguel de Vasconcelos a ser defenestrado. Encontrei-o no Museu Interactivo de Lisboa. 
Agrades

quinta-feira, março 05, 2015

AGENDA PARA MARÇO DE 2015

Proposta da Luisa

 Dia 12 - Reticências com a frase “Não te espantes” a iniciar o texto. Não esquecer a fotografia.

O DESAFIO DE HOJE

Proposta da Luisa
Dia 5 - Ao jeito de cartilha: Proponho-vos que usemos a sílaba “Pe” para formar as nossas palavras. O texto que alguns de nós acrescentarmos é facultativo.

11. Zambujal



                  Pedra filosofal

10. Teresa Silva



                        Pegadas

Quando a maré sobe, vão-se apagando as pegadas deixadas pelos veraneantes. 
Teresa Silva