Já estou a preparar o S. Martinho. Comecei por comprar a erva doce, indispensável para cozer castanhas.
Teresa Silva
Já estou a preparar o S. Martinho. Comecei por comprar a erva doce, indispensável para cozer castanhas.
Teresa Silva
Não tenho preparativos para o S. Martinho e por isso vou tentar safar-me com um parágrafo das memórias da minha mãe que faria anos este mês:
"Começou a escola. O professor Maciel, o «Senhor Preto», que com a sua enorme paciência me ia repetindo, vezes sem conta «Menina, por favor, está com atenção». Pois já nesse tempo eu viajava pensando. Coitado, ele suava para me ensinar, prometia as mais belas maçarocas que no bolso trazia, até que um dia, ficou tão contente que me trouxe uma Nossa Senhora da Conceição em loiça. As «lengalengas» dos professores sempre me causaram um sono profundo, até dormia de olhos abertos, nunca percebi bem se era do calor, do canto estridente das cigarras, da maneira de ensinar monótona ou se era mesmo eu que sofria de alguma coisa, do que eu gostava mesmo era de dormir… "
Não tenho ideia que a minha mãe falasse à "brasileira" pondo os pronomes pessoais antes dos verbos. Há tantas coisas que não sei sobre ela e tantas outras que não estive atenta. Para mim Novembro é mais do que de São Martinho, é da minha mãe, da Manuela.
Mónica
Nunca fizemos grandes preparativos para festejar o dia de São Martinho em 11 de novembro. Limitávamo-nos a comer castanhas cozidas ou assadas à sobremesa acompanhadas com jeropiga. Agora compro castanhas assadas na rua e como-as pelo caminho. Acho graça aos pacotinhos de papel de jornal. Nem conhecia a vida do santo para além da lenda do corte da sua capa de militar para oferecer a um mendigo a tiritar de frio que lhe pediu esmola. Acho pertinente acrescentar a este propósito o que encontrei nas minhas procuras de informação na Net: «De acordo com a lei e os costumes militares da época, o fardamento dos soldados era pago em parte pelo próprio militar e em parte pelo Estado (representado pelo imperador). Assim, metade da capa pertencia a Martinho e a outra metade pertencia ao Imperador Constantino. Martinho deu generosamente aquilo que era seu por direito, sem confiscar ou lesar os bens do império.» Assim se espalhou a notícia da sua acção por diversos países e se transformou numa festa para celebrar com alegria, e em cada sociedade a seu modo, um acto de bondade.
É interessante esta coisa do Tempo do Mundo, da Humanidade, dos seus costumes, celebrações e lendas. Passei em Tours já lá vão mais de 50 anos e não sabia que São Martinho estava ligado a esta cidade. Romano nascido em 316, era filho de um Tribuno e comandante do exército que o inscreveu, contra sua vontade, na cavalaria do exército imperial. Mas afinal “saiu o tiro pela culatra” ao pai: o filho tinha outras ambições que não aquelas e seguiu o seu próprio caminho. Tornou-se monge empenhado na divulgação do cristianismo. Era então um período de grandes transformações, crises e transições religiosas para Roma e para todo o Império Romano. Sendo Constantino I o imperador, a sua conversão ao cristianismo marcou a história política, religiosa e cultural do seu governo no Ocidente e Oriente cristão.
Interessante como a acção de alguém nascido num século tão distante se espalhou por diversos países e se transformou numa festa para celebrar a generosidade de um homem. Vivida de modo diferente em cada sociedade, de acordo com os seus costumes.
M
Confinada em casa, é-me difícil seguir de terra em terra a preparação dos festejos de S. Martinho que possam estar a fazer. Tendo S. Martinho de Tour nascido por volta de 316, sido soldado do Império romano e mais tarde bispo de Tour, será que os franceses lhe dão a importância que em Portugal lhe damos? Será que em Paris, por volta de 1800 , este quadro de Renoir possa ser essa preparação?
Nada indica mas é possível.
Luísa
Lenda de S. Martinho (recontada em verso)
Montado no seu cavalo
Caminhava um soldado
Num dia de vendaval
Viu um pobre esfarrapado
S. Martinho era o soldado
Que ao ver o pobre mendigo
Cortou a sua capa ao meio
E deu-lhe metade! Eu vos digo!
Nesse preciso momento
O vento forte passou
O céu ficou bem azul
A tempestade amainou
Era a bondade do Santo
Que o Milagre premiava
Com um dia luminoso
Que de repente chegava
Para que este gesto bondoso
Nunca ninguém olvidasse
Quis Deus que para sempre
Nesse dia o Verão chegasse
Isabel