quarta-feira, novembro 04, 2026

4. M

Nunca fizemos grandes preparativos para festejar o dia de São Martinho em 11 de novembro. Limitávamo-nos a comer castanhas cozidas ou assadas à sobremesa acompanhadas com jeropiga. Agora compro castanhas assadas na rua e como-as pelo caminho. Acho graça aos pacotinhos de papel de jornal. Nem conhecia a vida do santo para além da lenda do corte da sua capa de militar para oferecer a um mendigo a tiritar de frio que lhe pediu esmola. Acho pertinente acrescentar a este propósito o que encontrei nas minhas procuras de informação na Net: «De acordo com a lei e os costumes militares da época, o fardamento dos soldados era pago em parte pelo próprio militar e em parte pelo Estado (representado pelo imperador). Assim, metade da capa pertencia a Martinho e a outra metade pertencia ao Imperador Constantino. Martinho deu generosamente aquilo que era seu por direito, sem confiscar ou lesar os bens do império.» Assim se espalhou a notícia da sua acção por diversos países e se transformou numa festa para celebrar com alegria, e em cada sociedade a seu modo, um acto de bondade.

É interessante esta coisa do Tempo do Mundo, da Humanidade, dos seus costumes, celebrações e lendas. Passei em Tours já lá vão mais de 50 anos e não sabia que São Martinho estava ligado a esta cidade. Romano nascido em 316, era filho de um Tribuno e comandante do exército que o inscreveu, contra sua vontade, na cavalaria do exército imperial. Mas afinal “saiu o tiro pela culatra” ao pai: o filho tinha outras ambições que não aquelas e seguiu o seu próprio caminho. Tornou-se monge empenhado na divulgação do cristianismo. Era então um período de grandes transformações, crises e transições religiosas para Roma e para todo o Império Romano. Sendo Constantino I o imperador, a sua conversão ao cristianismo marcou a história política, religiosa e cultural do seu governo no Ocidente e Oriente cristão.

Interessante como a acção de alguém nascido num século tão distante se espalhou por diversos países e se transformou numa festa para celebrar a generosidade de um homem. Vivida de modo diferente em cada sociedade, de acordo com os seus costumes.

M

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