Relações Sociais
Devo confessar que sou um misto de solitária embora
sociável. Contrassenso? Talvez não. Com a idade a avançar, cada
vez gosto menos de confusão, embora quando engatilhada, me saibam bem alguns
amontoados. Depende do “mood”. Dou-me
bem com os meus passeios, as minhas contemplações, os meus devaneios, as minhas
paranoias (sim, porque todos as temos), com os meus animais e plantas, com as
minhas deambulações mentais e corpóreas, com os meus afazeres, com os meus
hobbies e com tantas mais coisas. Acho que me basto. Mas sei que não me basto.
Peco por não ligar aos amigos tanto quanto queria. E tenho muitos. Dá-me
a procrastinação. Às vezes não me apetece falar com ninguém, não porque esteja
mal mas porque (ache que) estou bem. E não porque não goste das pessoas, gosto,
até gosto muito de pessoas, acredito que são boas, na sua essência. Sou uma
naïf imberbe. Isto enquanto tiver saúde. Quando deixar de a ter, será que
vão estar lá para mim? E
portanto deveria contrariar-me um pouco mais e ligar, desafiar, propor,
aparecer, só porque sim. Ir ter com aqueles que amo, mais amiúde.
Eu, Margarida, me confesso.