Quando...
Gosto de palavras que empurram reticências como se empurrassem um carrinho cheio de surpresas. Serão aqueles três pontinhos convites para elas entrarem em contacto com as pessoas que as leem? Convites envergonhados? Provocadores? Pacientes? Curiosos das reacções de quem repara nelas? Acho que podem ter muitos significados. Estarão ali “Para a troca”, como dizem os miúdos a negociar cromos de jogadores de clubes de futebol em falta nas suas cadernetas. No caso deste Quando…, arrisco interpretá-lo como um pedido para eu contar uma história pequenina, a condizer com o tamanho da menina que fui:
Quando eu era criança e passava férias numa aldeia não havia electricidade dentro das casas. Ao anoitecer, acendíamos candeeiros de petróleo que apagávamos quando nos deitávamos. Eram estes da fotografia. Dormiam em pé o resto da noite em cima daquele móvel, ao lado do prato do galo, e acordavam manhã cedo, estremunhados (e nós também) com o canto dele a anunciar o novo dia.
M

6 comentários:
E consigo vê-los elegantes à espera, noblesse oblige. Consegues dar vida a objetos, passam ser importantes, notáveis.
Outra coisa: não gosto de reticências mas tu conseguiste virar o bico ao prego, a palavra é que empurra os três pontos, é muito mais divertido
De verdade que eu gosto de reticências quando os pensamentos se alongam. Aqui ficaram muito bem a propósito da história de infância. A fot, elegante.
Os pontinhos a puxarem as palavras, a magia da tua escrita.
"...as palavras a empurrarem reticências..." - LINDO!
Gosto de reticências. Um óptimo texto. E gosto especialmente dos candeeiros, uma bonita colecção.
Teresa
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