Depois de uma noite de geada, ou será neve como se diz por estas paragens, neve para “mouros”, a vista da varanda do meu quarto que dava para um jardim, que alegria, que surpreendente, não resisti a fotografar o fenómeno raro, fez-me recuar alguns anos onde a geada era a sério, persistente, gelada, escorregadia, perigosa e com pouca graça, não se confundia geada com neve, não, uma geada é uma geada, uma geada profissional, não era como esta geada amadora, um granizado mourisco efémero. Antes assim. Do que gostaria de tornar a viver era a varanda do meu quarto, só da varanda, a sensação de ir à varanda nas alturas, acima das minudências do presente.
Mónica
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