Na juventude li livros com temas variados. Impossível lembrar-me de todos eles. Enumero alguns, serão talvez representativos dos “temas variados” a que me refiro e mais me marcaram. Recordo a colecção Brigitte de Berthe Bernage. Adorava todos aqueles episódios que descreviam as fases da sua vida, desejando-as para mim e poder vivê-las como ela. Também li alguns livros de Machado de Assis, sendo Helena o meu preferido. Entre os livros de poesia, Sebastião da Gama fascinava-me. Camilo Castelo Branco com o seu Amor de Perdição despertava a minha curiosidade por mundos que eu não conhecia. A. J. Cronin levou-me ao Reino Unido com o seu livro A Cidadela. Todos estes livros foram importantes para mim, cada um de sua maneira. A minha juventude não desapareceu, passou à reserva. Por vezes dá-me jeito ir até ela para a misturar com a fase adulta, assim é garantia de que ainda respira. Abrimos caixas à procura de memórias e de pensamentos. Somos o resultado de um contínuo de fases com as suas características muito próprias e convém não nos perdermos de vista.
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