O meu livro de adolescência/juventude é difícil escolher, as aventuras e colégios da Enid Blyton, as histórias dramáticas tipo Jane Eyre, as biografias de heróis, as bandas desenhadas, Júlio Verne, sem a importância que hoje se dá a ler, era o que havia nas livrarias, eram as prendas de aniversário, Natal, em minha casa todos liam, sem critério, da sala à casa de banho, cowboiadas, Astérix, Mafalda, Snoopy, havia um senhor que tinha um negócio de livros usados e trocávamos dois por um e podíamos comprar mais por preço baixo, as minhas mesadas eram gastas em livros e gelados, emprestávamos livros entre amigos, o livro não era um bem precioso, uma gabarolice, uma arrogância, os livros em pé abertos no chão serviam para fazer casas de bonecas, deixávamos marcas nos livros a copiar as figuras em papel vegetal, os livros eram usados e lidos por muitas pessoas. Fiz muitas coleções de livros porque fazia questão de os ler, ler por coleção. Com mudanças de casas e de vida, os livros foram dados a quem os queria. Na minha última grande mudança dei livros à biblioteca e desde aí dou os livros a quem quiser. A minha relação com os livros é ler e andar. Só guardo os livros que sejam “científicos” porque posso precisar de consultar uma coisa aqui e ali e até esses são ultrapassáveis. Não sei qual foi o meu livro de adolescência/juventude, talvez a biografia da Marie Curie que muito me impressionou à época e hoje, sabendo mais sobre a vida dela e contextos, digo que para mim o livro teve importância no espaço e no tempo, hoje é só mais um livro que li, não sei o autor.
Mónica
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