quarta-feira, outubro 07, 2026

8. Mónica

O meu livro de adolescência/juventude é difícil escolher, as aventuras e colégios da Enid Blyton, as histórias dramáticas tipo Jane Eyre, as biografias de heróis, as bandas desenhadas, Júlio Verne, sem a importância que hoje se dá a ler, era o que havia nas livrarias, eram as prendas de aniversário, Natal, em minha casa todos liam, sem critério, da sala à casa de banho, cowboiadas, Astérix, Mafalda, Snoopy, havia um senhor que tinha um negócio de livros usados e trocávamos dois por um e podíamos comprar mais por preço baixo, as minhas mesadas eram gastas em livros e gelados, emprestávamos livros entre amigos, o livro não era um bem precioso, uma gabarolice, uma arrogância, os livros em pé abertos no chão serviam para fazer casas de bonecas, deixávamos marcas nos livros a copiar as figuras em papel vegetal, os livros eram usados e lidos por muitas pessoas. Fiz muitas coleções de livros porque fazia questão de os ler, ler por coleção. Com mudanças de casas e de vida, os livros foram dados a quem os queria. Na minha última grande mudança dei livros à biblioteca e desde aí dou os livros a quem quiser. A minha relação com os livros é ler e andar. Só guardo os livros que sejam “científicos” porque posso precisar de consultar uma coisa aqui e ali e até esses são ultrapassáveis. Não sei qual foi o meu livro de adolescência/juventude, talvez a biografia da Marie Curie que muito me impressionou à época e hoje, sabendo mais sobre a vida dela e contextos, digo que para mim o livro teve importância no espaço e no tempo, hoje é só mais um livro que li, não sei o autor.

Mónica

8 comentários:

Margarida disse...

Fazes bem: ler e andar!

M. disse...

Jane Eyre também me encantou. Sobre a Marie Curie também li. Achei graça à tua descrição da movimentação que existia em tua casa à volta da leitura dos livros. A ideia da casa das bonecas feitas com os livros é deliciosa. Devia ser giro. Ler por colecção faria parte dessa idade.

mena maya disse...

Gosto do teu texto, dá para fazer o filme na cabeça.
Os meus livros, os que vieram para Berlim em 1987 e alguns que já aqui comprei acompanharam-me para Maryland em 1995. Quando regressei em 2001 já só trouxe os escolhidos Em 2014 arderam todos. Desde então partilho muitos livros também.

Anónimo disse...

Sempre tive pena de deitar fora livros, mesmo os sem interesse
Luisa

Anónimo disse...

Muito giro o teu texto, muito abrangente. Li muitos dos livros que mencionaste. Mais o que mais me influenciou foi, sem dúvida a vida da Madame Curie. Fez-me querer ir para fisica ou química. Não cheguei ao fim do curso, o que sempre lamentei.
Teresa

Mónica disse...

Não deito fora. Dou a quem os quiser

Mónica disse...

Laboratórios, tubos de ensaio, reações químicas, experiências, etc mas também não fui por aí

Isabel disse...

Também adorei os livros das Gémeas e do Colégio das Quatro Torres. A Mafalda só li muito mais tarde.
Também trocávamos os livros de quadradinhos, numa lojinha pequena cheia de livros por todos os lados. Trocávamos dois por um ou um e alguns tostões (não me lembro quanto...5? 15? 25?... não me lembro...talvez 5...) por outro.

Não dou os meus livros, nem deito nunca nenhum livro para o lixo. Hoje em dia, para ser sincera, nem gosto de emprestar. Prefiro comprar igual ao meu e oferecer, que dar ou emprestar os meus (empresto só a quem tenho a certeza que mo devolve). Mas sou assim com tudo. Tenho muita dificuldade em me desfazer das coisas. Às vezes chateia-me ser assim...sou um caso para psicólogo, mas que posso fazer?...
Beijinhos😊