quinta-feira, novembro 15, 2012

9. Mena M.

Dentro do meu olhar sobre esta fotografia nem uma palavrinha se esboçava. Insisti e nada...Um pouco irritada já, franzi o sobrolho,como costumava fazer aos meus filhos para lhes sinalizar que o assunto era sério.
Sapatos, pessoas, e aí veio-me à ideia uma manifestação de desagrado contra algum político em terras distantes, mas não, estes modelos não se usam por lá!
Tornei a olhar e reparei que até o cão seguia o seu caminho sem sequer se interessar por aqueles sapatos que mais parecem de gesso. Gesso? E agora as palavras surgiam em turbilhão, sim é capaz de ser isso mesmo, uma manifestação de arte, talvez uma dessas por vezes tão difíceis de entender...
Cá ficarei à espera que a Mac faça o favor de desvendar o mistério.

Mena M.

8. Mac

A Cinderela foi dar a sua corridinha habitual, a fim de cuidar da sua aparência, mas trapalhona como só ela é, escorregou caiu, e deixou as sapatilhas espalhadas pela rua... 
Mac

7. M.

A lembrar-me um filme para crianças em que apenas aparecem dois sapatos de duendes a correr pela floresta, numa pressa engraçada de fazer rir quem os vê e não sabe para onde eles vão. Aqui, no entanto, parece não serem sapatos de histórias de meninos nem haver pressa. Ou então talvez ela tenha existido, acompanhada do cansaço de desejar chegar onde não se chegou e assim se ficou pelo caminho, o desânimo desmaiado sobre as pedras da calçada. Ou pior ainda, porque preso ao chão esse desânimo, com espigão de ferro ao jeito de armadilha de caça colocada em lugar onde é suposto correr a vida.
M

6. Luisa

Decerto algo de profundamente filosófico estará inerente a esta foto. Eu, na minha simplicidade, apenas me ocorre o provérbio "Sapato branco em Janeiro é sinal de pouco dinheiro". Será que é a liquidação duma sapataria, agora que se aproxima o Inverno? Fico desejosa de ver as interpretações dos meus amigos mais intelectuais.

Luisa

5. Licínia

Com as sapatilhas dentro do olhar” – assim pensou MAC ao cruzar a câmara fotográfica com aquele insólito estendal de branco em que o olhar do homem se prendeu, interrogativo, alheado.

Licínia

4. Justine

Ao artista, numa fulguração súbita, surge a ideia. É, depois, preciso concretizá-la, transformá-la em objecto. Trata dos moldes, do gesso, da forma. E a ideia passa a ser visível, o que é o mesmo que fazer um milagre. Ou fazer arte. A seguir, para que o processo se complete, oferece aos outros a sua ideia-objecto no local certo, para ser partilhada.
Há quem o tenha percebido. Há outros que não.
 
Justine

3. Bettips

Olhei e pensei num ápice: sapatilhas brancas abandonadas, auxiliares, médicos e enfermeiros que nos faltam aqui. E emigram; e fogem do destino português, beco tão estreito que o sentimos hoje! O espanto que toda esta incongruência nos provoca está, como num espelho, no olhar aturdido das pessoas em segundo plano...

Bettips

2. Benó

Brancura imaculada atirada para a sujidade da rua. Ninguém olha, ninguém repara, serão pisadas, espezinhadas, pontapeadas por todos sem dó nem piedade, atiradas para a valeta como objectos sem valor. Dentro em pouco, da pureza branca, nada mais restará que farrapos, restos do que foi e não mais voltará a ser.
 
Benó

1. Agrades

O que me sugere é:
Feira, polícia, contrafacção. 
Agrades

quarta-feira, novembro 07, 2012

AGENDA PARA NOVEMBRO de 2012



Dia 15 - Com as palavras dentro do olhar sobre fotografia de Mac 

Vejamos então que palavras provocará em nós esta estranha fotografia da Mac.

14. Zé-Viajante



GOSTO / NÃO GOSTO 

Gosto de os ver assim. Juntos ou isolados. 
Não gosto da poluição que fazem.

Gosto de os ver voar, livres, parecendo até que são maiores que o "meu" Palácio da Vila. 
Não gosto mesmo de ver os carros - o meu, então... - com tanta porcaria.

Gosto da sua postura. Pássaros bonitos. Pássaros de PAZ, sejam brancos ou não. 
Não gosto... não vale a pena repetir.

Gosto, muito mesmo, destas aves. 
E na balança, pesa mais o factor Gosto.

Zé-Viajante

13. Zambujal



                                  Gosto…
                  … de ti. Ponto de exclamação: ! 
              E gosto de estar sempre em actividade, 
                             de “fazer coisas”, 
                           de ser interveniente. 
                 Mas também gosto de esperar… 
                como tempo do verbo esperança. 

Zambujal

12. Teresa Silva



Gosto de me sentar diante de uma tela branca, pegar no pincel e nas tintas e começar a pintar. A cor surge... muita cor. 

Teresa Silva

11. Rocha/Desenhamento



Gosto de ficar perto da janela, a espreitar a mudança das horas e das imagens, envolvido num silêncio ligeiramente crispado pelos ruídos difusos que emergem da distância urbana. Por vezes, volto a reflectir nos enganos do espaço além, relendo futuros perigosamente anunciados e revendo o martírio da Síria, todas as dores que ardem por cima da paisagem, todas as assimetrias que dividem os homens e a cultura, tudo o que começa a afundar os caminhos da civilização, a própria Cidade. A convulsão actual leva à substituição silenciosa dos símbolos perenes da vida por novos deuses de rostos mafiosos, entre quotidianos onde passam multidões acenando bandeirinhas de mil protestos, sem nada de sagrado. São imagens pueris da revolta e do medo, desafiando os grandes estandartes das corporações em redor. A arte não passa por aqui mas já se encontra sob a mira industrial. Hoje já pouco se guarda, em certos casos nada. A própria beleza torna-se descartável, acaba por sucumbir ao fim de uma vida bem curta. No futuro, talvez os museus do século passado, os da conservação patrimonial e das memórias supremas, terão de ser atirados para o espaço. 

Rocha de Sousa

10. ~pi



... 

 - Gosto, gosto do ser que se alberga no mistério dos olhos das pedras, disse-lhe baixinho, antes de adormecer. Disse-lho a ele nessa noite (naquele modo suave e redondo como às vezes falava, quase calada). 

... 

~pi

9. Mena M.



Gosto destes jogos de sombra e luz que dão aos objectos fotografados uma forma até então desconhecida...algo parecido com o que nos leva a descobrirmo-nos e conhecermo-nos. 

Mena

8. Mac



Gosto de passear pelos recantos desta cidade, 
Pequena grande aldeia, onde os cumprimentos ainda se ouvem... 
Gosto de ir ao Bolhão escutar os seus pregões, 
Gosto de passear junto à Foz, ver o seus lindos pôr do sol, 
E caminhar sentindo o vento do norte na cara. 

Mac

7. M.



Gosto de um barco à vela ao entardecer de um dia de verão. Não importa onde o barco navega nem onde o sol se põe. Um gosto meu. Podemos ter tantos! Aqui em cima da mesa encontro alguns. Ora vejam. Ainda no prato, o gosto adocicado das migalhas dos scones a lembrar conversa amena sobre as peculiaridades da cidade visitada. Tenciono embrulhá-las discretamente no guardanapo de papel e levá-las comigo quando sair da pastelaria. Mal ponha os pés fora da porta, sacudo-as num dos canteiros em redor das árvores que servem de poiso a passaritos de gosto requintado. Sei que esvoaçam por ali à procura de petiscos. E o chá a abrir-se em águas irlandesas ao canto da fotografia, também vais partilhá-lo com essas criaturinhas de asas delicadas?, perguntará a curiosidade de quem observa a imagem com atenção. Bom, não me parece que apreciem esta bebida, tenho-as visto a molhar o bico nas poças do passeio. Além do mais, cada um tem os seus hábitos.
E mais gostos haveria mas não quero cansar-vos. Ah! Não resisto a uma última confidência, antes de me ir embora daqui: Gosto de gostar. A culpa é da língua portuguesa, é muito emotiva. 

M

6. Luisa



Gosto das casas aquecidas e das ruas iluminadas à noite, de ter o telefone sempre à mão, da internet, mas não gosto que me estraguem as paisagens da minha infância.

Luisa

5. Licínia



Gosto quando um amigo me leva até à sua varanda e eu perco o pé e ganho asas entre o céu e o mar. 

Licínia