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quinta-feira, fevereiro 14, 2013

5. Licínia



O vazio agarra-nos pela garganta, sobe, irradia, instala-se na nossa mesa. Não fala porque nada há para ser dito. A praça é um cenário de cartão. As pessoas são meros sinais de ausência. Os pássaros não se atrevem ao voo. O vazio é o nome que damos à cidade que somos quando o amor desaprendemos. 

Licínia

10 Comments:

Blogger M. said...

Aqui de novo a beleza do vazio. Ainda que doloroso quando também "as pessoas são meros sinais de ausência". Muito bonito.

14/2/13  
Blogger jawaa said...


Logo, logo, a Primavera enche o cenário de verde e o amor reaparece!

14/2/13  
Blogger Justine said...

Triste, minha amiga poetisa. Mas tão belo!

14/2/13  
Blogger bettips said...

As mãos nuas agarram a garganta da rua. A cidade, desabituada da alegria, é assim que a sentimos quando este vazio (agressivo) invade as nossas esperanças.

14/2/13  
Blogger agrades said...

As árvores lembram mãos vazias a segurar o céu.

14/2/13  
Blogger Luisa said...

Belo mas doloroso este vazio da praça onde deviam estar pessoas que já desistiram e recolheram às casas dos seus problemas.

16/2/13  
Anonymous Anónimo said...

Uma boa fotografia de um conhecido lugar que só indirectamente se pode
ligar ao vazio, talvez mais à solidão. O texto tenta o argumento,
tem a legitimidade que tem

Rocha de Sousa

17/2/13  
Blogger Licínia Quitério said...

Olhe, Rocha de Sousa, eu vou tentando, vou tentando, com as fracas equipagens de cultura que possuo. Talvez um dia lá chegue... Quanto à legitimidade, disso não duvide, o texto é legítimo, sentido e sem presunções de ser avaliado de cátedra. Este recanto que a M. nos concede não é propriamente, e ainda bem, uma mostra de habilidades, mas de dádivas e de sentires. E de elegância e de simplicidade e de afecto. Consegui fazer-me entender?

18/2/13  
Anonymous do Zambujal said...

Tanto a reaprender em cada desaprendizagem...
A poesia em tudo, como é próprio das/os poetas. Assim se preenchem vazios.

19/2/13  
Blogger Benó said...

"...quando o amor desaprendemos". Fica-nos realmente, um vazio, dificil de preencher.

19/2/13  

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