quinta-feira, abril 23, 2020

5. Licínia

Como o guardador de rebanho
tem sua cabana e vigia,
eu sou cabana, Senhor, nas tuas mãos sem tamanho
e sou noite. Ó Senhor, da tua noite fria.

Vinha, prado, velho solar,
campo que a Primavera não perde,
figueira centos de frutos a madurar,
mesmo em terreno de mármore que não cede:

Exalam perfume teus ramos pendentes.
E tu não perguntas se estou a vigiar;
sem medo, diluídos em seivas correntes,
teus abismos sobem por mim ao passar.

Licínia

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